Doença de Chagas: transmissão, sintomas e a importância do diagnóstico precoce

“O diagnóstico precoce e o início do tratamento ainda na fase aguda são essenciais para evitar mortes e prevenir as complicações tardias da doença”, reforça o infectologista.

Bruna Lima
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Após suspeita de doença de Chagas, em Ananindeua, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) interditou pontos de venda no município. Em nota, a prefeitura informa que tomou ciência do ocorrido. E que a equipe da Vigilância Sanitária esteve nos locais, onde realizou análises técnicas e segue acompanhando os casos, prestando total assistência.

Diante disso, a reportagem conversou com o infectologista Alessandre Guimarães para saber mais sobre a doença e os cuidados que devem ser tomados. O médico explica que a doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e ainda representa um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente na região amazônica. O principal vetor da doença é o inseto conhecido como barbeiro, um triatomínio de hábitos noturnos que se alimenta de sangue.

Segundo o infectologista Alessandre Guimarães, o barbeiro vive originalmente em áreas de floresta, onde o ciclo da doença envolve mamíferos silvestres. No entanto, fatores como o aquecimento global, o avanço humano sobre áreas naturais e mudanças ambientais têm favorecido a aproximação desse inseto das comunidades humanas.

Uma das formas mais preocupantes de transmissão atualmente é a via oral, especialmente associada ao consumo de açaí. Durante o preparo do fruto, o barbeiro pode cair dentro das máquinas que trituram os caroços e acabar sendo moído junto com o alimento. Quando esse açaí contaminado é consumido sem os devidos cuidados, ocorre a transmissão do Trypanosoma cruzi.

Após o contágio, a doença entra na chamada fase aguda, que surge entre 3 e 20 dias depois da infecção. Os sintomas podem ser leves ou até inexistentes, o que dificulta o diagnóstico. Quando presentes, incluem febre, dor de cabeça, dores no corpo e fadiga, sinais inespecíficos que podem ser confundidos com outras doenças comuns da região, como dengue e viroses. Por esse motivo, a doença de Chagas ainda é pouco diagnosticada e pouco notificada.

Quando não identificada e tratada precocemente, a infecção pode evoluir para a fase crônica, que pode se manifestar anos depois. Nessa etapa, os principais órgãos afetados são o coração e o sistema digestivo. As complicações incluem a cardiopatia chagásica, além de dilatações do esôfago (megaesôfago) e do intestino (megacólon), causando dificuldade para engolir, obstrução intestinal e outros problemas graves.

Tanto na fase aguda quanto na crônica, a doença pode ser fatal, especialmente em casos de comprometimento do músculo cardíaco ou de inflamações graves, como a meningoencefalite.

O médico alerta que a prevenção é fundamental. Entre as principais medidas está o branqueamento do açaí, procedimento que ajuda a eliminar o protozoário antes do consumo. Além disso, pessoas que apresentem sintomas suspeitos devem procurar atendimento de saúde o mais rápido possível.

“O diagnóstico precoce e o início do tratamento ainda na fase aguda são essenciais para evitar mortes e prevenir as complicações tardias da doença”, reforça o infectologista Alessandre Guimarães.

A informação e os cuidados no preparo dos alimentos são aliados importantes no combate à doença de Chagas e na proteção da saúde da população.

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