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Ativistas e organizações paraenses repudiam declarações de humorista

Durante um show de stand up, o humorista paraense Murilo Couto apresentou um texto onde defende atropelamento de ciclistas.

Laís Santana

Após falas do humorista paraense Murilo Couto defendendo o atropelamento de ciclistas, ativistas e organizações que presentam o movimento de ciclistas no Pará manifestaram repudio a conduta em show de humor. Dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas apontam que nos últimos 10 anos, cerca de 14 mil ciclistas morreram em acidentes de trânsito envolvendo motoristas de ônibus, automóveis e caminhões nas estradas, ruas e avenidas de todo o Brasil. 

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“O humorista ignorou as inúmeras peculiaridades engraçadas do uso da bicicleta, para buscar uma comédia nefasta, que banaliza a morte, desrespeitando as milhares de pessoas que tiveram suas vidas ceifadas por crimes de trânsito, incitando o ódio, a violência, e a perpetuação da percepção equivocada que as cidades são feitas para carros e não para as pessoas”, destaca Murilo Rodrigues, integrante do coletivo ParáCiclo. 

O ativista ressalta ainda a importância da humanização da mobilidade nos grandes centros urbanos a partir do transporte público de qualidade, a caminhabilidade e o uso de modais ativos. 

“O humorista ignorou as inúmeras peculiaridades engraçadas do uso da bicicleta, para buscar uma comédia nefasta, que banaliza a morte, desrespeitando as milhares de pessoas que tiveram suas vidas ceifadas por crimes de trânsito, incitando o ódio, a violência”, destacou Murilo Rodrigues, integrante do coletivo ParáCiclo

Murilo Couto (divulgação)

“Não há possibilidade de pensar uma cidade sem pedestres ou bicicletas. Precisamos tomar as cidades de maneira ativa. Enquanto o humorista ressalta seu sonho de andar a 80 km/h em seu carro ou nos ônibus, nossa outra bandeira de luta, recomendada pela Organização Mundial da Saúde e abraçada pela União de Ciclistas do Brasil e, consequentemente, por nosso coletivo, é a inadiável redução da velocidade máxima permitida nos centros urbanos, que é uma das principais causas dos crimes e mortes no trânsito. Quanto menor a velocidade, menor o risco de sinistros de trânsito e maiores as chances de sobrevivência em caso de colisão”, afirma.

Membro do coletivo ParáCiclo e do movimento de pedal feminino Pedala Mana, Daniele Queiroz destaca a importância de campanhas educativas para que o ciclista seja visto como parte do trânsito. 

“No art. 58 Código de Trânsito Brasileiro  autoriza o trânsito de bicicletas no bordo da pista onde não há Ciclovias, seja nas zonas urbanas ou rurais. O motorista quando se habilita a conduzir um veículo diante dos órgãos de trânsito e da sociedade tem a obrigação de zelar pela vida, é inaceitável que tenham comportamentos punitivos em relação aos ciclistas por puro egoísmo, é um equívoco achar que as vias são exclusivas para carros. Todos nós fazemos o trânsito, somos condutores, pedestres e ciclistas, se não humanizar o trânsito a partir da mudança de hábitos teremos esse tipo de discurso falacioso e discriminatório, teria sido melhor perder a piada, pois não teve graça”, pontua.

Em nota, a União de Ciclistas do Brasil (UCB) repudiou o posicionamento do humorista e diz aguardar retratação. “Acreditamos na liberdade de expressão como princípio fundamental da democracia, mas é inadmissível a expressão de discursos que incentivem o ódio e a violência contra quem quer que seja. (...) É preciso compreender o impacto negativo que as altas velocidades praticadas nos nossos perímetros urbanos têm em nosso dia-a-dia e sua apologia. Nos solidarizamos com as milhares de vítimas do trânsito e suas famílias”, afirma a publicação. 

A entidade informou estar analisando quais medidas legais cabem diante do fato, uma vez que “incitar que motoristas de ônibus joguem o veículo para cima do ciclista é crime no Código Penal”, acrescentou Ruth Costa, diretora administrativa da UCB.

A redação integrada de O Liberal está procurando desde a noite desta segunda-feira (12) o humorista Murilo Couto para comentar a repercussão negativa do vídeo que circula em redes sociais e a nota de repúdio, publicada também nesta segunda-feira, pela Associação Brasileira do Setor de Bicicletas. Até o momento ainda não obtivemos sucesso. Acompanhe.  

Palavras-chave

Pará
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