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Artesanato com identidade amazônica marca nova coleção da Coostafe para a Copa do Mundo

Cooperativa vinculada à Seap transforma materiais reaproveitados em produtos artesanais produzidos por mulheres em processo de ressocialização

O Liberal
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A Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe), vinculada à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), está desenvolvendo uma série de produtos com temática da Copa do Mundo. A proposta reúne técnicas de bordado, pintura e crochê, aplicadas a peças como camisetas, bolsas, ecobags, tote bags e croppeds, mantendo como base a valorização da cultura regional amazônica e o reaproveitamento de materiais.

A iniciativa busca aproveitar o período de maior visibilidade do evento esportivo para ampliar as oportunidades de comercialização e geração de renda para as cooperadas, sem perder a identidade construída ao longo dos anos pela cooperativa.

Segundo a coordenadora da Diretoria de Trabalho e Produção da Seap, Raquel Lima, a construção das peças parte de um equilíbrio entre o tema proposto e a essência do trabalho desenvolvido pela cooperativa.

“O objetivo desta nova coleção é unir o tema da Copa do Mundo à valorização da identidade amazônica, por meio de uma releitura que destaca as potencialidades regionais e culturais do Pará, especialmente sua rica fauna, flora e tradições. Para essa criação, as cooperadas desenvolveram artes exclusivas para bordado e pintura, incorporando as bandeiras do Brasil e do Pará, além de elementos que representam o povo paraense. Dessa forma, a coleção celebra o espírito esportivo da Copa do Mundo ao mesmo tempo em que evidencia a regionalidade, a cultura e os saberes locais, fortalecendo a identidade cultural amazônica por meio do artesanato”, afirmou.

Raquel destaca ainda que a proposta também está relacionada à autonomia criativa das cooperadas e ao potencial de mercado que produtos temáticos podem alcançar, especialmente em períodos de grande circulação de consumo e feiras de economia solidária.

Todo o processo de produção é realizado de forma coletiva pelas internas que integram a cooperativa. De acordo com a interna Cleudiane Moura, o desenvolvimento das peças envolve etapas organizadas que vão desde a concepção da ideia até a finalização do produto.

“Aqui na cooperativa, nada é feito de forma individual. Primeiro pensamos no projeto, no público-alvo e nos produtos que serão produzidos. Depois buscamos referências em relação à Copa do Mundo, depois é feito o talho, o lançamento, que é encaminhado para o bordado, para a pintura e, por fim, para a produção, que finaliza o produto. É todo um esforço coletivo”, explicou.

Cleudiane ressalta que a Coostafe trabalha com uma lógica de reaproveitamento e sustentabilidade em todas as etapas. Segundo ela, a cooperativa transforma materiais que seriam descartados em novas peças de moda e artesanato.

“Quando a gente pensa em fazer produtos, pensamos também na sustentabilidade. A gente usa reaproveitamento de linhas, de materiais, e até os forros das bolsas muitas vezes são de materiais doados. A base da cooperativa hoje é transformar o que seria lixo em luxo”, destacou.

Entre os produtos produzidos com a temática da Copa do Mundo, as peças em crochê têm se destacado como uma das principais fontes de demanda. O trabalho, realizado de forma compartilhada entre as cooperadas, acompanha a rotina de produção da cooperativa e exige organização para atender às encomendas e vendas em feiras.

A interna Enecir Brito, que atua diretamente nessa etapa, destaca o orgulho em ver o resultado do próprio trabalho sendo reconhecido pelo público. “Eu me sinto muito grata, primeiramente a Deus, pelo talento que Ele me deu. E fico muito feliz porque cada peça que eu faço, que eu produzo, é vendida. Isso, para mim, é muito orgulho. Eu estava com esse talento escondido e, quando cheguei na Coostafe, consegui desenvolver ele. Cada peça que eu faço me aperfeiçoa mais”, disse.

Enecir também explica que participa ativamente do processo de orientação das demais cooperadas no crochê, contribuindo com o desenvolvimento coletivo das produções. “Eu pego a ideia, passo para as meninas, e elas vão fazendo. Quando tem alguma coisa errada, eu ajudo, desmancho, faço de novo. E assim a gente vai levando”, relatou.

Segundo ela, a demanda pelas peças tem crescido, especialmente durante a participação da cooperativa em feiras e eventos de economia solidária, em que os produtos são comercializados diretamente ao público. “Tem dias em que as pessoas vêm aqui só para comprar crochê. A demanda está muito grande, então a gente precisa se organizar para conseguir atender”, afirmou.

Além da comercialização em feiras, os produtos da Coostafe também podem ser adquiridos por meio dos canais institucionais da cooperativa e em ações e eventos promovidos ou apoiados pela SEAP, que divulgam e fortalecem a produção artesanal realizada pelas cooperadas.

Criada como iniciativa de ressocialização e geração de renda, a cooperativa é referência no desenvolvimento de atividades produtivas dentro do sistema prisional feminino, promovendo capacitação profissional e autonomia para as mulheres participantes.

Além da comercialização em feiras, os produtos da Coostafe também podem ser adquiridos por meio de encomendas, intermediadas pela Diretoria de Trabalho e Produção da Seap. Os interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp (91) 98766-1099 ou pelo e-mail coostafe@seap.pa.gov.br para solicitar peças, fazer encomendas personalizadas e agendar visitas à unidade penal, onde funciona a cooperativa. As visitas permitem conhecer o trabalho desenvolvido e realizar compras presenciais, mediante autorização prévia e cumprimento dos procedimentos de segurança estabelecidos pela unidade prisional.

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