VÍDEO: Cada internação por acidentes de trânsito custa mais de R$ 21 mil
Essa é uma média que inclui todo o tratamento até a recuperação de um paciente, como estima o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência. Muitos acidentes, tão caros, costumam ser evitáveis.
Na Semana Nacional do Trânsito, de cadeira de rodas, mas dessa vez na condição de visitante, a acadêmica de Fisioterapia Ana Clara Nunes, de 21 anos, voltou ao Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua. O mesmo lugar onde ela já esteve como paciente por 40 dias, nos meses de agosto e setembro de 2019. Ana Clara é uma das quatro vítimas sobreviventes de um acidente de trânsito que deixou duas pessoas mortas, naquele ano, em Santa Izabel.
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O motorista do carro em que Ana Clara estava havia feito a perigosa combinação de álcool e direção, quando perdeu o controle do veículo e capotou por várias vezes na pista. No dia do acidente, Ana Clara relembra que foi arremessada por cerca de cem metros à frente do carro. “Acabei fraturando a coluna, duas vértebras e tive a compressão da medula. No caso, eu sou diagnosticada com lesão medular. Eu fiz a cirurgia aqui no Metropolitano, passei por todo o processo de reabilitação e tive alta”, conta a futura fisioterapeuta.
A jovem também é uma dos 4.367 pacientes, vítimas de acidente de trânsito, atendidos no ano de 2019 no Hospital Metropolitano. Foram mais 4.562 atendimentos em 2020 e, de janeiro a junho deste ano de 2021, já atendeu outras 2.096 pessoas. Segundo o hospital, o custo médio de cada alta médica gira em torno de R$ 21.194,00 por paciente. Esse valor abrange a mão-de-obra e todos os insumos utilizados pelo paciente, além da hotelaria.
Fora do hospital, o desafio para a estudante foi a retomada de uma vida que havia mudado completamente. “Comecei a tentar voltar a minha vida da melhor forma possível, porque a gente não tem que ficar esperando as coisas acontecerem. A gente tem que ter uma nova forma de viver. Então, eu continuei a minha faculdade e, no final do ano, já vou estar me formando”, comemora Ana Clara, que concilia o curso de fisioterapia e o estágio com várias modalidades esportivas nas quais ela tem como objetivo alcançar a inclusão, por exemplo, no basquete e no tênis.
A ida ao Hospital Metropolitano fez parte de uma atividade acadêmica. O momento, segundo Ana Clara, foi de apreensão e nostalgia. “Logo quando eu cheguei, fiquei muito apreensiva, porque eu comecei a lembrar de tudo o que eu passei. Foram momentos muito difíceis. Mas foi muito bom para eu ver que, hoje, posso cuidar dos pacientes que estão na mesma situação em que eu estava. Essa vinda aqui me trouxe uma sensação de vencer”, comenta, ao pedir mais cuidado por parte de todos aqueles que fazem vivenciam o trânsito.
“Tem que usar cinto de segurança, respeitar as leis de trânsito, não ingerir bebida alcoólica, não andar com excesso de passageiros ou com muita velocidade, porque isso coloca em jogo a vida de todo mundo”, explica Ana Clara, ao comentar também sobre as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
“Minha maior dificuldade é não conseguir passar em portas que são muito pequenas, porque a minha cadeira não entra. Tem muito estabelecimento que tem escada, mas não tem rampa, e fica difícil de entrar. Não sou muito acostumada a pegar ônibus pela falta de acessibilidade. Às vezes, tem motorista de aplicativo que não quer levar cadeirante. Esses são os problemas básicos. Tem também a questão da acessibilidade das calçadas que estão bastante comprometidas e isso faz com que a gente não consiga manusear a cadeira de rodas corretamente”, desabafa a jovem.
Motociclista experiente reflete sobre segurança
Com mais de dez anos de experiência sobre duas rodas, o açougueiro Ednaldo Ferreira, de 44 anos, também foi vítima de acidente de trânsito. Ele foi atingido em sua motocicleta, no dia 23 de abril deste ano, na saída do estacionamento do supermercado onde trabalha, por uma cliente que deixava o local em alta velocidade.
“Ela me bateu e eu caí a cinco metros de distância. Fraturei a perna em duas partes, tive fratura exposta. Passei quatro dias internado, fiz cirurgia e o tratamento que recebi aqui me ajudou muito na minha recuperação”, reconhece Ednaldo, enquanto era atendido pelas fisioterapeutas do Hospital Metropolitano, entre elas, a acadêmica Ana Clara Nunes, durante sua atividade que faz parte da formação em Fisioterapia.
Acidentes de trânsito estão entre as principais causas de sequelas físicas e psicológicas
De acordo com o site da empresa que administra o seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), o Brasil está entre os dez países com os mais elevados números de óbitos por acidentes de trânsito. A cada 15 minutos, uma pessoa morre em um acidente de trânsito no país. Estes acidentes, em muitos casos, também são responsáveis por deixar sequelas físicas e psicológicas nas vítimas.
Dados da seguradora, conforme mostra o site, entre 2011 e 2020, mais de 4,7 milhões de pessoas foram indenizadas por morte, invalidez permanente e reembolso de despesas médicas. Números que contemplaram principalmente jovens na faixa dos 18 a 34 anos, afetando tragicamente a sociedade e a economia do país.
Longe dos grandes centros urbanos, gravidade dos acidentes também preocupa
Foi na estrada de Santo Antônio do Tauá que o enfermeiro Sebastião Barbosa, de 60 anos, sofreu um acidente que envolveu a motocicleta que ele conduzia e um carro de passeio que estava em alta velocidade, segundo ele. Com o impacto da batida, a fratura no osso do calcanhar direito foi inevitável. “Cheguei no hospital quase desmaiando, perdendo muito sangue, e fui transferido aqui para o Metropolitano, onde o meu acompanhante é um estudante de enfermagem, que já tem todo um manejo para me conduzir às minhas necessidades”, declara.
Sebastião comenta que ainda não tem previsão de alta do hospital, o que deve ocorrer conforme a evolução do tratamento, que para ele “é da melhor qualidade possível”. “Não dá nem vontade mais de sair do hospital”, brinca, falando sobre a sua rotina ao lado dos colegas de quarto. “A minha rotina é fazer o curativo, comer e beber. Aí vem a equipe médica de manhã, de tarde e de noite. E, depois desse tratamento vip, a gente bate aquele papo de pescador”.
Mesmo apegado ao hospital, Sebastião não esconde a ansiedade para voltar ao convívio familiar e levar conscientização às pessoas. “Se todos praticassem o amor pelo semelhante e dirigissem com responsabilidade e educação, acredito eu que iria diminuir as estatísticas de trânsito no nosso estado”, defende.
Na quinta-feira passada (16), o autônomo João de Souza Lago, de 63 anos, deu entrada no HMUE para tratar de uma fratura na perna esquerda. Ele relembra que estava de bicicleta e foi atingido por uma motocicleta. João reconhece que seguia na contramão e, em questão de segundos, quando iria passar para o lado onde deveria estar pedalando, sofreu o acidente. À espera da segunda cirurgia, o idoso deseja se recuperar o quanto antes.
“Acidentes nem sempre são intencionais, mas alguns são. Tem que ter cuidado e respeito à nossa própria vida e a vida dos outros. Nunca imaginei estar aqui e, agora, vou ter mais cuidado ainda”, garante.
Projeto estimula mais conscientização e menos acidentes
Encabeçado pelo coordenador do Pronto Atendimento do HMUE, médico José Guataçara, o projeto “Quero andar de moto até morrer, mas não quero morrer andando de moto” tem como finalidade levar reflexão às pessoas amantes de motocicleta. “A gente busca conscientizar dentro das escolas, em grupos de mototaxistas, de motociclistas, para podermos conseguir reduzir o número de acidentes e de vítimas”, explica Guataçara. Outro projeto, também desenvolvido dentro do hospital, busca agregar conhecimento aos acompanhantes dos pacientes, durante o processo de recuperação.
“O Conte Comigo é um projeto em que nós treinamos o acompanhante para que ele saiba como proceder quando o paciente sair do hospital, porque toda vez que um paciente chega, ele passa por um cirurgião, traumatologista, ortopedista, neurologista... Se for um paciente que fica muito tempo, faz as sessões de fisioterapia, mas também recebe apoio psicológico. E, quando esse paciente já está pronto para ser liberado, ele vai precisar de cuidados em casa. E são essas orientações que a gente repassa aqui para a pessoa que está com ele”, enfatiza.
Entenda o que é o DPVAT
É o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres, ou por sua Carga, a Pessoas Transportadas ou Não (Seguro DPVAT), criado pela Lei n° 6.194/74, com a finalidade de amparar as vítimas de acidentes de trânsito em todo o território nacional, não importando de quem seja a culpa dos acidentes.
Quem tem direito a receber a indenização?
Qualquer vítima de acidente envolvendo veículo, inclusive motoristas e passageiros, ou seus beneficiários, podem requerer a indenização do DPVAT. As indenizações são pagas individualmente, não importando quantas vítimas o acidente tenha causado. O pagamento independe da apuração de culpados. Além disso, mesmo que o veículo não esteja em dia com o DPVAT ou não possa ser identificado, as vítimas ou seus beneficiários têm direito à cobertura.
Se, por exemplo, em uma batida, há dois carros envolvidos, cada um com quatro ocupantes, e também um pedestre, e se as nove pessoas forem atingidas, todas terão direito a receber indenizações do DPVAT separadamente.
Quem são os beneficiários do seguro?
a) Em caso de morte, o capital segurado será pago por metade ao cônjuge não separado judicialmente, e o restante aos herdeiros da vítima, obedecida a ordem da vocação hereditária. Na falta das pessoas indicadas conforme acima, serão beneficiários os que provarem que a morte da vítima os privou dos meios necessários à subsistência.
b) Em caso de invalidez permanente, o beneficiário será a própria vítima.
c) Em caso de reembolso de despesas médicas e hospitalares (DAMS), o beneficiário será a própria vítima.
- Para vítima com até 16 anos, a indenização será paga ao representante legal (pai, mãe ou tutor)
- Nos casos em que a vítima tiver entre 17 e 18 anos, a indenização será paga ao menor, desde que assistido por seu representante legal ou mediante a apresentação de alvará judicial.
FONTE: LÍDER SEGURADORA
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