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Trump convida Brasil para integrar bloco internacional de minerais críticos

Bloco pretende reunir países estratégicos para reduzir a concentração da produção, do refino e da industrialização desses minerais, atualmente dominados pela China

O Liberal
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O Brasil foi convidado pelo governo dos Estados Unidos a integrar uma nova iniciativa internacional voltada à cooperação e ao fortalecimento da cadeia global de minerais críticos. O convite foi apresentado nesta quarta-feira (4) durante reuniões realizadas no Departamento de Estado norte-americano e confirmado por autoridades dos EUA à imprensa internacional.

O bloco pretende reunir países estratégicos para reduzir a concentração da produção, do refino e da industrialização desses minerais, hoje fortemente dominados pela China. Além do Brasil, outras dezenas de nações que participaram dos encontros também receberam a proposta de adesão.

Representantes da embaixada brasileira em Washington estiveram presentes nas reuniões em que o plano foi apresentado. Durante o encontro, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que parte dos países já demonstrou interesse formal na iniciativa e que o objetivo do governo americano é acelerar a consolidação de acordos com parceiros considerados estratégicos.

Poucas horas após as discussões, México, União Europeia e Japão anunciaram acordos com os Estados Unidos no setor, em modelos distintos de cooperação. A movimentação reforça o esforço do governo norte-americano para reorganizar a cadeia produtiva de minerais essenciais à transição energética e ao avanço tecnológico.

A proposta surge em meio a críticas recorrentes de países ocidentais ao papel da China no mercado global de minerais críticos, como terras raras. Empresas do setor acusam o país asiático de adotar políticas que distorcem preços e dificultam a viabilidade econômica de projetos fora do território chinês, por meio de subsídios e ampliação coordenada da oferta.

A Agência Internacional de Energia (IEA) já classificou esse cenário como um risco geopolítico relevante, ao alertar que a elevada concentração permite influência direta sobre preços, acesso a insumos estratégicos e o ritmo de desenvolvimento de tecnologias como veículos elétricos, semicondutores e sistemas de armazenamento de energia.

Entre as ideias debatidas no novo grupo está a criação de mecanismos de referência e pisos de preços para determinados minerais. A proposta busca dar maior previsibilidade aos investimentos de longo prazo, reduzindo o impacto de oscilações bruscas e evitando a inviabilização de projetos fora dos grandes polos produtores.

Modelos semelhantes já vêm sendo adotados em acordos recentes entre países aliados dos Estados Unidos, a exemplo da parceria firmada com a Austrália, que prevê contratos de longo prazo e padrões comuns para mitigar riscos de mercado.

Apesar do convite, o governo brasileiro ainda trata o tema com cautela. Fontes ouvidas pela imprensa indicam preocupação com possíveis condicionantes comerciais, riscos de exclusividade e eventuais limitações à autonomia da política comercial do país. A avaliação interna também considera a necessidade de compatibilizar a proposta com outros acordos e parcerias estratégicas em andamento.

A decisão sobre uma eventual adesão deve passar por análises técnicas e diplomáticas antes de qualquer posicionamento oficial.

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