Petro sai das urnas com maior partido na Câmara e no Senado da Colômbia
As eleições legislativas colombianas resultaram em um Congresso fragmentado, que tomará posse em 20 de julho
A esquerda da Colômbia, liderada pelo presidente do país, Gustavo Petro, venceu as eleições legislativas do domingo, 8, e saiu das urnas com a maior bancada na Câmara e no Senado. O resultado coloca o partido de Petro, o Pacto Democrático, em boa posição para a acirrada disputa com o campo conservador na eleição presidencial de 31 de maio.
As eleições legislativas colombianas resultaram em um Congresso fragmentado, que tomará posse em 20 de julho. O Pacto Histórico elegeu 25 dos 103 senadores e 40 deputados de um total de 188 - de acordo com projeções, uma vez que o resultado oficial ainda não tinha sido consolidado ontem. A fragmentação indica que será necessário estabelecer alianças para conseguir maioria.
Eleições legislativas medem a temperatura na Colômbia antes das votações presidenciais. Os principais candidatos à presidência são o senador Iván Cepeda, do partido de Petro, e o advogado de direita Abelardo de la Espriella, um admirador declarado do salvadorenho Nayib Bukele e do americano Donald Trump.
Os resultados também determinam os últimos cinco meses do mandato de Petro, que não pode concorrer à reeleição. Cepeda pretende insistir nas reformas que o atual presidente não conseguiu concretizar ao perder as maiorias no Congresso perto do fim do mandato.
Os congressistas vetaram a mudança do sistema de saúde e uma reforma tributária para combater o déficit fiscal. Petro respondeu com manifestações populares, nas quais fez discursos contundentes contra o Congresso, que perdeu prestígio entre o eleitorado nos últimos anos em razão de vários escândalos de corrupção.
O presidente, no entanto, parece ter recuperado terreno com as tensões recentes com Trump, que incluem as políticas de deportação e ameaças de sanções do americano e trocas de acusações sobre narcotráfico.
Disputa acirrada
"Hoje começa o nosso segundo tempo com uma bancada forte", comemorou Cepeda. De la Espriella lamentou que a esquerda tenha ficado com "a maior bancada do Congresso". "Isso é muito grave", afirmou.
As pesquisas, no entanto, sinalizam que nem Cepeda nem De la Espriella serão capazes de selar a vitória no primeiro turno - e precisarão de um segundo, marcado para 21 de junho. Ambos ainda poderiam ser surpreendidos pela candidata uribista Paloma Valencia, que veio do grupo político de centro-direita do ex-presidente Alvaro Uribe - que foi candidato ao Senado pelo Centro Democrático, mas não se elegeu. Uribe está de volta ao cenário político depois que um tribunal revogou, em outubro, sua condenação a 12 anos de prisão domiciliar por suborno a paramilitares e fraude processual.
Ataques
A marca das eleições na Colômbia segue sendo o conflito armado que dita o ritmo da disputa política no país nos últimos 50 anos. Dois ataques guerrilheiros no sul colombiano marcaram a jornada eleitoral.
As autoridades informaram que rebeldes atacaram dois locais de votação durante a apuração, mas não fizeram vítimas. Antes das legislativas, observadores eleitorais denunciaram vários atos de violência contra líderes políticos, incluindo o assassinato, no ano passado, do candidato à presidência de direita Miguel Uribe Turbay, neto do ex-presidente colombiano Julio Turbay (1978-1982).
As milícias responsabilizadas pelo crime vivem um período de fortalecimento, impulsionadas pelo fracasso das negociações de paz e pelo aumento do consumo de cocaína nos EUA e na Europa. Após o desmantelamento dos cartéis históricos, de Cali e Medellín, que dominaram a cena colombiana nos anos 1990, o crime organizado se fragmentou, tornando-se mais violento e difícil de combater.
Guerrilhas
Outro fator complicador na Colômbia é a presença de guerrilhas de extrema esquerda, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN). Com o tempo, esses grupos abandonaram os objetivos políticos e se transformaram em organizações criminosas comuns. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS) As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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