Mais de 70% dos americanos temem que os EUA se envolvam demais na Venezuela, aponta pesquisa
A pesquisa ouviu 1.248 pessoas em todo os Estados Unidos, entre os dias 4 e 5 de janeiro
Uma pesquisa desenvolvida pela Reuters/Ipsos, divulgada nesta segunda-feira (5), aponta que 72% dos americanos temem um envolvimento excessivo dos Estados Unidos (EUA) na Venezuela. O país sul-americano foi invadido e atacado pelas forças armadas americanas no último sábado (3) durante uma incursão para capturar o líder venezuelano Nicolás Maduro.
O levantamento ouviu 1.248 pessoas em todo os Estados Unidos, entre os dias 4 e 5 de janeiro. Desse total, um terço (33%) dos participantes respondeu de forma favorável à invasão à Venezuela. Cerca de 34% dos entrevistados se manifestaram contrários à ação, enquanto outros 33% afirmaram não saber ou não quiseram opinar sobre o assunto.
Divisão de opiniões sobre a ação
Apesar da divisão entre favoráveis e contrários à invasão, a pesquisa reiterou que 72% dos entrevistados responderam positivamente quando questionados se estavam preocupados com a possibilidade de os EUA se envolverem demais na Venezuela. Outros 25% disseram "não" estar preocupados, e 3% não souberam opinar ou pularam a questão.
Entre os republicanos, 65% apoiam a operação ordenada pelo presidente Donald Trump. Desses, 59% disseram apoiar a tomada de controle dos campos de petróleo na Venezuela pelos EUA. Em contraste, apenas 11% dos democratas aprovaram a ofensiva militar. Já entre os eleitores independentes, 23% concordam com a ação.
Justificativas e interesses americanos
O governo de Donald Trump utilizou como justificativa para a operação que capturou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, acusações de que o líder chavista e sua mulher estariam envolvidos com o narcotráfico e uma rede de traficantes que comercializam drogas nos Estados Unidos.
O líder venezuelano foi capturado e levado aos EUA para responder a essas acusações perante um Tribunal Federal americano. Em uma audiência realizada nesta segunda-feira (5), em Nova York, ele afirmou ser inocente.
Trump, por outro lado, não esconde seu interesse nas reservas de petróleo venezuelanas e afirma que os Estados Unidos irão reconstruir a infraestrutura petrolífera do país sul-americano.
Transição de poder e ameaças regionais
Logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que os EUA iriam administrar a Venezuela de forma temporária até uma transição de poder segura. Nesta segunda-feira (5), Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, foi empossada como presidente interina do país.
Embora Delcy já tenha demonstrado a Trump que apoia trabalhar de forma harmônica com os EUA para a transição, ela subiu o tom em seu discurso de posse. A nova presidente interina disse que Maduro ainda é o presidente do país, o chamou de "herói", e afirmou que a invasão foi uma "agressão militar ilegítima contra" a Venezuela.
A nova líder foi empossada por seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. A parceria entre os dois, que agora lideram os poderes Executivo e Legislativo venezuelano, deve direcionar a transição de poder no país.
Após a incursão na Venezuela, Trump ameaçou outras ações militares em países da América Latina, como Colômbia e México, chegando a considerar uma nova intervenção como "uma boa ideia". Ele também reiterou o desejo de anexar a Groenlândia, uma ilha dinamarquesa do Ártico com recursos naturais e posição estratégica importante para a defesa dos EUA.
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