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Cuba comemora os 95 anos de Raúl Castro em meio à tensão com os Estados Unidos

Estadão Conteúdo

Cuba celebra nesta quarta-feira, 3, o aniversário de 95 anos do ex-ditador Raúl Castro, figura central no aumento das tensões entre a ilha e os Estados Unidos, que o indiciaram recentemente.

O Partido Comunista de Cuba publicou vários vídeos nas redes sociais desde terça-feira, 2, em homenagem à história política de Castro, com relatos de apoiadores do ex-ditador.

"Para falar de Cuba, é preciso falar de Raúl", afirmou a diretora do Coro Nacional de Cuba, Digna Guerra. "Ele representa a identidade cubana, representa o povo cubano, representa a revolução, que para nós tem um significado imenso. Obrigada por existir."

Em publicação no X, a Embaixada de Cuba nos EUA também parabenizou o aniversariante. "Poucas pessoas têm o privilégio, a saúde, o estoicismo - e, se quiserem, podem acrescentar também: aquela teimosia tipicamente cubana - de chegar aos 95 anos de idade", escreveu.

Duas semanas antes de seu aniversário, Castro foi indiciado por homicídio nos EUA por um caso que envolve um incidente ocorrido em 1996, quando o ex-ditador ainda era ministro da Defesa, no qual duas aeronaves operadas pelo grupo humanitário Brothers to the Rescue - formado por pilotos cubanos exilados e radicados em Miami - foram derrubadas pela Força Aérea de Cuba. O episódio deixou quatro pessoas mortas e ampliou as tensões diplomáticas entre Havana e Washington na época.

A medida não foi bem recebida por Cuba. O presidente da ilha, Miguel Díaz-Canel, afirmou que ela era uma "ação política sem base jurídica".

O indiciamento aumentou a tensão na relação entre os dois países. Os EUA pressionam por uma mudança de regime em Havana e acusam o atual governo de desviar bilhões de dólares, enquanto Cuba teme uma operação americana para derrubar Díaz-Canel.

Castro não fez comentários públicos sobre o indiciamento. Ele foi visto pela última vez em 1º de maio, durante um ato que reuniu milhares de cubanos. O ex-ditador estava ao lado de Díaz-Canel e, como de costume, vestia um uniforme militar verde-oliva.

Apesar de ter deixado oficialmente a política em 2021, ele ainda atua como general das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba e tem uma cadeira na Assembleia Nacional.

Ele assumiu a presidência interinamente em 2006, quando seu irmão, Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, ficou doente. Em 2008, ele foi oficialmente eleito pela Assembleia Nacional.

Nos anos seguintes, Castro mostrou-se mais liberal do que o irmão, permitindo a operação de empresas privadas em Cuba. Ao mesmo tempo, o então presidente dos EUA, Barack Obama, suspendeu restrições às remessas e às viagens familiares e permitiu que cidadãos americanos viajassem para Cuba sob determinadas condições.

Em 2015, os EUA e Cuba restabeleceram relações diplomáticas e reabriram suas embaixadas. Um ano depois, Obama viajou à ilha para se encontrar com Castro. Nesse mesmo ano, os voos comerciais entre os dois países foram retomados.

Sob a gestão de Castro, Cuba também iniciou negociações com a Rússia, em junho de 2014, que levaram ao cancelamento de 90% de uma dívida multibilionária herdada da época da União Soviética.

Em 2018, Castro deixou a presidência nas mãos de Díaz-Canel, marcando a primeira vez em décadas que uma pessoa sem o sobrenome "Castro" assumiu o controle da ilha.

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