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Apesar do rebaixamento, Remo sonha com títulos em 2022 e confia em finanças organizadas

O descenso, não esperado pela diretoria azulina, causou problemas no campo esportivo e financeiro, que precisam ser sanados na próxima temporada.

Caio Maia/ O Liberal

O ano de 2021, que começou como um sonho para o torcedor do Remo, terminou como pesadelo ao final da temporada. Após o acesso à Série B - feito não alcançado pelo clube há 14 anos - conquistado no início da temporada, o Leão teve uma Segundona cheia de altos e baixos e acabou sendo rebaixado ao final do ano. O descenso, não esperado pela diretoria azulina, causou problemas no campo esportivo e financeiro, que precisam ser sanados em 2022.

Apesar das desventuras dentro de campo, a temporada de 2021 do Remo não foi marcada somente por lamentações. No início do ano veio o acesso, após vitória sobre o maior rival, o Paysandu. No final da temporada, um título inédito - a Copa Verde - que trouxe aos cofres azulinos um respiro necessário para a Série C do ano que vem.

Ao contrário do que ocorre na vida, no futebol a última impressão é a que fica. E, no caso do Remo, essa experiência foi bastante positiva. O título da Copa Verde, conquistado em dezembro, veio em meio a um desmanche do elenco. Após o final da Série B uma série de jogadores deixaram o clube. Com isso, o Leão precisou ir à competição com um time alternativo, cheio de jogadores revelados na categoria de base, que corresponderam em campo. O caneco veio ao Baenão na base da superação e da garra.

Fábio Bentes levanta troféu da Copa Verde 2021 (Igor Mota/ O Liberal)

Esse espírito, inclusive, tem sido a tônica para a próxima temporada. Para formar o elenco do ano que vem, o Remo tem observado mais os talentos da base, formando um time com muitos jovens. Além disso, a postura do clube na renovação de contratos tem sido menos flexível. O Leão não tem realizado "extravagâncias" do ponto de vista financeiro para manter jogadores de um ano pro outro. O mantra nas renovações, inclusive, tem sido: "fica quem quiser".

Essa nova forma de levar o clube, além dos planos da diretoria elaborados para contornar o déficit financeiro na próxima temporada, tem gerado uma série de perspectivas positivas para o Remo no ano que vem. Esse, inclusive, tem sido o recado do presidente do clube, Fábio Bentes, para o torcedor. Em conversa com O Liberal, o mandatário azulino falou sobre montagem de elenco, planejamentos para o ano que vem e pediu a confiança do torcedor para o 2022.

"Peço que a Nação Azulina continue confiando no nosso trabalho. O rebaixamento não estava nos nossos planos, mas infelizmente aconteceu. Fizemos o que estava a nosso alcance para evitar, mas aconteceu. Vamos trabalhar forte para conseguir retornar, já neste ano, pra Série B do Brasileirão", disse Bentes.

Para traçar essas perspectivas azulinas para 2022, a equipe de O Liberal dividiu a caminhada do clube em dois pontos: o esportivo e o financeiro. O objetivo é traçar um panorama do que o Leão deve enfrentar para o próximo ano. 

Projeto esportivo do Remo passa pela conquista de títulos

Gedoz é a referência técnica do Remo (Cristino Martins/ O Liberal)

Nas últimas três temporadas, o Remo tem se notabilizado por realizar boas campanhas em quase todos os torneios que disputa. De 2019 pra cá o Leão chegou a duas finais de Campeonato Estadual, conquistou um acesso à Série B, chegou a uma final de Série C e chegou a final de duas Copas Verdes. 

Apesar disso, o Remo acumula apenas dois títulos neste intervalo de tempo - Parazão de 2019 e Copa Verde de 2021. No entanto, o torcedor queria mais do clube. Em muitas vezes, o Remo batia na trave, mas não conseguia chegar ao lugar mais alto e levantar o troféu. 

A mentalidade do clube, no entanto, mudou com a conquista da Copa Verde. A simbiose entre elenco e torcida, a festa pelas ruas da cidade e o Baenão lotado mostraram à direção remista que não basta mais acumular boas campanhas em competições. O que interessa agora é conquistar o título. 

Com esse objetivo é que o Remo começa a caminhada, no ponto de vista esportivo. Para 2022, o Leão tem, pelo menos, quatro competições previstas no calendário - Campeonato Paraense, Copa Verde, Copa do Brasil e Brasileirão da Série C. De acordo com o presidente Fábio Bentes, em pelo menos três dessas o Remo tem que entrar como postulante ao título. 

"O nosso foco pra 2022, obviamente, vai ser o retorno à Série B. No entanto, não vamos ter como objetivo apenas isso. Acho que temos que entrar, em todas as competições que disputarmos, pra lutar pelo título. No Parazão, Copa Verde e Brasileiro da Série C o nosso objetivo será o título. Nos casos da Copa Verde e Série C queremos o bicampeonato", disse Fábio Bentes.

Remo se superou e obteve um feito histórico na Copa do Brasil (Célio Júnior / AGIF / CBF)

Apesar de todos os títulos serem importantes, segundo o presidente do Remo, uma possível conquista do Parazão, primeiro torneio da temporada, terá um gostinho especial. O Leão viu o maior rival levantar o caneco nos últimos dois anos e, por isso, deve buscar o caneco a qualquer custo.

"Já no Parazão, queremos o retorno da nossa hegemonia. Isso será muito importante, já que estamos há dois anos sem vencer o estadual. O torcedor pode esperar que teremos times competitivos em todas essas competições", informou Bentes.

Para manter a promessa de trazer elencos competitivos, o Remo fez mudanças profundas no departamento de futebol. Os cargos de diretores foram descontinuados e o clube passará a atuar com duas pessoas, responsáveis pelo diálogo com a comissão técnica e contratação de jogadores. 

Uma das figuras é a do coordenador técnico, representada por João Galvão, ex-Águia de Marabá, que terá como objetivo garimpar jovens jogadores e fazer o elo entre presidência e elenco. A outra peça será a chegada do novo executivo de futebol, Nei Pandolfo, responsável pela contratação de atletas. Todos eles trabalharam em contato constante com o treinador Paulo Bonamigo, um dos ícones do acesso do Remo em 2020, que foi recontratado com a missão de levar o clube novamente à Série B. 

Bonamigo é o técnico do Remo nesta Série C (Samara Miranda / Remo)

Sobre as mudanças, Fábio fez questão de destacar que essas ações fazem parte de uma nova política de "profissionalização do futebol".

"A gente entende que com essas mudanças a gente vai conseguir suprir algumas carências que tivemos em 2021, além de ter um melhor aproveitamento do departamento de futebol pra que isso possa ser refletido dentro de campo", disse Bentes. 

Apesar da meta ser a conquista do máximo de troféus possíveis, Fábio é realista em dizer que, pelo menos um desses canecos não deve ficar nas mãos do Remo - o da Copa do Brasil. O torneio, que conta com a participação de mais de 90 equipes, entre elas as que disputam os principais torneios do continente, deve ser tratado pelo Remo com mais cautela. Segundo o presidente, o grande objetivo azulino na competição será passar de fase.

"No caso da Copa do Brasil, competição que já entramos na terceira fase, devido ao título da Copa Verde, nosso objetivo será se classificar para a próxima etapa. Sei que será muito difícil, já que pegaremos times de Série A, muito provavelmente oriundos da Libertadores, mas acredito que enquanto tivermos foco isso será possível', avaliou Fábio.

Remo tem 'casa arrumada' e não deve se preocupar com as finanças

Presidente do Remo fala sobre finanças do clube (Fábio Costa / O Liberal)

Quando o Remo foi rebaixado à Série C no final de 2021, além da clara perda esportiva, muitos torcedores se questionaram sobre os possíveis impactos financeiros causados pelo descenso. O Leão ainda tem débitos com a Justiça do Trabalho até o ano de 2023. Além disso, o clube comprou um CT em agosto deste ano, gerando uma dívida pelos próximos três anos.

Apesar da preocupação ser válida, a situação financeira do Remo não é tão grave quanto em outros rebaixamentos. As perdas orçamentárias serão significativas- 10 e 12 milhões de reais - mas o clube tem outras maneiras de se sustentar e manter um padrão competitivo para 2022.

Em entrevista coletiva, dada no dia 14 de dezembro, o presidente Fábio Bentes deixou claro que o clube já tem um plano para deixar as contas em dia. Segundo ele, tudo isso passa pelas receitas de bilheteria, que vão "substituir" parte das cotas da Série B.

Remo voltará a jogar a Série C em 2022 (Afonso Cardoso / Especial)

"Em 2021, ficamos quase o ano todo sem bilheteria. A gente acredita que deixamos de ganhar entre 6 e 8 milhões por causa disso. A gente entende que esse dinheiro vai entrar no ano que vem. Em contrapartida, perdemos as cotas da CBF", explica Fábio.

Outro ponto, defendido pela diretoria do Remo, é que os custos operacionais e de montagem de elenco para a Série C são bem menores em comparação com os necessários para a Segunda Divisão. Por conta dessa "substituição" de rendas e uma folha menos onerosa, Fábio acredita que as contas em 2022 devem fechar no azul.

"A Série C exige um investimento de elenco menor que a Série B. Com o retorno do público ao estádio e as demais ações de marketing que fazemos hoje, temos condição de montar um time competitivo", finaliza.

Remo
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