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Quadro Tático: como jogam os times de Júnior Rocha e o que esperar do Paysandu em 2026

O Liberal mostra que a obediência aos processos, destacada pelo treinador em entrevista exclusiva há algumas semanas, não se restringe ao comportamento fora de campo.

Caio Maia
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O Paysandu inicia uma nova temporada com um técnico que enxerga o jogo como construção, não como acaso. Júnior Rocha chega à Curuzu trazendo uma ideia clara: o futebol começa atrás, com a bola no chão e a paciência como aliada. Nesta semana, o Quadro Tático de O Liberal mostra que a obediência aos processos, destacada pelo treinador em entrevista exclusiva há algumas semanas, não se restringe ao comportamento fora de campo.

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No gramado, os times de Júnior Rocha não costumam rifar a posse. Preferem pensar o jogo desde os primeiros passes, envolvendo zagueiros, laterais e um volante que funciona como ponto de equilíbrio entre defesa e ataque.

Para o torcedor, isso significa um Paysandu que tentará sair jogando, usando os lados do campo como caminho natural. Os laterais aparecem cedo, recebem a bola ainda no campo defensivo e ajudam a empurrar o time para frente. Em alguns momentos, a construção passa pelo meio, exigindo inteligência e calma de quem ocupa a cabeça da área. Quando essa engrenagem não gira no tempo certo, surgem passes longos e perdas de posse.

Dribles são armas para buscar o gol

image Júnior Rocha, técnico do Paysandu (Jorge Luís Totti/ Ascom Paysandu)

No ataque, o desenho é conhecido, mas o comportamento dá identidade. O 4-3-3 serve de base para um time que se espalha pelo campo, com pontas abertos, dribles como convite e aproximações constantes pelo meio. Esses jogadores de lado não vivem apenas de correr até a linha de fundo. Muitas vezes, buscam o caminho de dentro, tentando se associar, criar superioridade e abrir espaços para quem vem de trás.

É um time que ataca bastante, sobretudo pelos lados, mas que nem sempre transforma presença em perigo. A bola roda, o campo se abre, mas o gol nem sempre chega com a frequência desejada. Por isso, os meias ganham importância: são eles que aparecem como surpresa, invadem a área e tentam aproveitar os espaços que a marcação deixa ao seguir os pontas. O centroavante, por sua vez, não é apenas finalizador. É apoio, escudo e ponto de respiro — alguém que segura a bola e permite que o time respire no campo adversário.

Pressionar para defender

Sem a bola, Júnior Rocha pede coragem. Seus times gostam de pressionar alto, incomodar a saída do rival e tentar recuperar a posse o mais longe possível do próprio gol. Quando essa pressão funciona, o jogo se inclina. Quando não, a equipe recua e se reorganiza, muitas vezes com cinco jogadores na última linha, em um desenho mais cauteloso e protetor.

Há, porém, momentos de vulnerabilidade. Quando precisa baixar demais, o time pode deixar espaços entre o meio-campo e a defesa — uma terra de ninguém onde o adversário encontra tempo para pensar. Não é comum ver suas equipes totalmente fechadas, trancadas à frente da área. A proposta é defender sem abdicar da ideia de jogo.

Nas bolas paradas, o cuidado é visível. Defensivamente, há gente demais protegendo o gol, como quem constrói um muro para evitar surpresas. No ataque, a estratégia passa por atrair a marcação para um lado e surpreender no outro, especialmente no segundo poste. Nem sempre funciona, mas revela intenção e desenho.

Talvez o maior desafio esteja no instante mais cruel do futebol: o momento da perda da bola. A recomposição nem sempre é rápida, e os espaços aparecem, sobretudo no meio do campo. É ali que o time pode sofrer, e é ali que o trabalho diário precisa agir.

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