Acusações e documentos: entenda a 'briga' entre Ricardo Gluck Paul e Alberto Maia no Paysandu

Divergências são públicas. Motivos são revelados

Nilson Cortinhas

Um documento, assinado por 10 sócios do Paysandu, entre conselheiros e remidos, implodiu uma crise que se arrasta há, pelo menos cinco anos, dentro do clube. Uma rixa política coloca em lados opostos antigos aliados. 

De um lado, um grupo liderado pelo atual presidente, Ricardo Gluck Paul, formado por membros da diretoria e ex-gestores. Do outro, um grupo cujo expoente é o ex-presidente bicolor, Alberto Maia - gestão no biênio 2015 e 2016.  

Maia e outros nove sócios assinaram um documento, em que há solicitações de explicações sobre conduções administrativas da atual gestão do clube. Os questionamentos perpassam pela loja Lobo, dívidas trabalhistas, Profut e outros. 

Ricardo Gluck Paul tem um prazo para responder até o dia sete de fevereiro, dois dias antes do primeiro clássico contra o Remo em 2020, válido pelo Campeonato Paraense. "Isso tumultua o ambiente. Se eu não responder, isso não vai dar em nada! Mas eu vou responder!", enfatiza o atual gestor bicolor. 

Alberto Maia negou o tom político do documento. "Fizemos uma manifestação respeitosa e, se o presidente responder, nós ficaremos satisfeitos", disse. 

 

Gluck Paul X Maia 

Gluck Paul acusa Maia de traição. Para Ricardo, há episódios que são definitivos. "No primeiro ano do Maia, ele perdeu clássicos, foi eliminado do Paraense e da Copa Verde e não ganhou nada. Mas, ele segurou o Dado (treinador) e o Papellin (Sérgio). Havia um movimento de 'fora Maia'. Eu, na época, era presidente do Conselho Deliberativo, acalmei os ânimos e demos segurança para ele prosseguir com a sua administração. Em 2019, quando tivemos problema em campo, como o quarto lugar no Paraense, ele publicou que pediu a demissão do Felipe (Albuquerque, diretor de futebol). Foi assim que ele recompensou", disse, ironicamente, Gluck Paul.

No entanto, além da briga pública, há situações graves. A primeira diz respeito a um relato de 2017. Na época, Maia foi acusado de não fazer a transição para o presidente que o sucedeu, que foi Sérgio Serra. O fato geraria a sua exclusão do grupo de conselheiros natos. Serra quis expor o assunto, no entanto, foi demovido da ideia pelos seus vices, Tony Couceiro e o próprio Ricardo Gluck Paul, segundo o que foi apurado pela reportagem. "Serra pode te confirmar sobre o dia que a diretoria teve que mentir sobre a transição do Maia em nome da paz no clube. Paz essa que o Maia nos retribui hoje com tormenta. O maior ingrato da história do clube", acusou Ricardo. 

A não transição de Maia para Serra foi confirmada por Icaro Sereni e pelo próprio Sérgio Serra. "O Maia tumultua o clube há anos", disse Sereni, voto vencido na reunião. Para Sereni, o ideal era até reprovar as contas de Alberto Maia. Em contato com a reportagem, Serra também confirmou a história. "Fiz uma reunião com a diretoria e pedi respeito a minha decisão, que não era unânime entre a própria diretoria. Disse que ele (Maia) havia feito a transição, que de fato, não ocorreu". Se não bastasse, Serra pontua que a gestão de Alberto Maia adiantou cotas e assumiu compromissos financeiros, que impactariam a administração seguinte. "Não seria nada menos que R$1,5 milhão. Agora, eu lamento muito isso que está ocorrendo. Eu tenho a ideia que cada um precisa dar a sua contribuição e, quando o período termina, ajuda, sem aquela luz. Ou sai de cena", frisou Serra.   

Sobre a não transição, o advogado Alberto Maia disse que não há motivos para manifestação em função de uma razão. "O que tenho a falar da minha época como presidente do Paysandu é que as minhas contas foram aprovadas, foram auditadas e não há o que contestar sobre isso, inclusive, o atual presidente era o gestor do Conselho, nessa época". 

Alberto Maia foi presidente do Paysandu (Cristino Martins)

Lobo 

Outra episódio que 'ferveu' o ambiente bicolor foi uma tentativa de Alberto Maia de adquirir a marca a marca Lobo, por meio de uma empresa. A proposta foi registrada por Ricardo Gluck Paul em aplicativos de mensagens que a reportagem teve acesso. Até então, o tom era pacífico entre os dois. Maia, inclusive, prometeu assinar um documento que o tirava da vida política do clube, caso a proposta de compra da marca Lobo fosse aceita. Até que Ricardo explicitou que não considerou a proposta salutar para a vida financeira do Paysandu, por isso, a desconsiderou. "Não consideramos a proposta boa e ele se tornou um opositor". 

A respeito da compra da marca Lobo, Alberto Maia alega que não fez proposta. "A Marca Lobo é cara e eu não tenho dinheiro para isso", argumentou. Ele admitiu, contudo, que fez sondagens para auxiliar na organização da referida marca.      

Os dois grupos políticos tendem a formar as chapas de situação e oposição no pleito do Paysandu no final deste ano. 

Paysandu
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