Médico acusado pela morte de Maradona afirma ser 'inocente' O ex-capitão da seleção argentina que conquistou a Copa do Mundo de 1986 morreu de um ataque cardíaco em 25 de novembro de 2020 Estadão Conteúdo 16.04.26 21h53 O neurocirurgião argentino Leopoldo Luque negou qualquer responsabilidade pela morte do ídolo do futebol Diego Maradona, em depoimento prestado nesta quinta-feira durante o novo julgamento que busca esclarecer as circunstâncias de seu falecimento, que também conta com outros seis profissionais da saúde no banco dos réus. "Sou inocente e lamento profundamente sua morte", disse Luque, um dos principais réus no julgamento que está sendo realizado em um tribunal federal no subúrbio de San Isidro, em Buenos Aires. Luque era o médico pessoal de Maradona na época de sua morte. O ex-capitão da seleção argentina que conquistou a Copa do Mundo de 1986 morreu de um ataque cardíaco em 25 de novembro de 2020, enquanto recebia cuidados domiciliares em uma casa nos arredores de Buenos Aires. Lá, o ex-jogador, então com 60 anos, tentava se recuperar de uma cirurgia realizada duas semanas antes em uma clínica para remover um hematoma subdural. Os sete réus são acusados de homicídio simples com dolo, que ocorre quando o autor sabe que sua conduta pode causar danos, mas mesmo assim prossegue com a ação. A pena máxima para esse crime é de 25 anos de prisão. Os réus estão enfrentando um segundo julgamento desde terça-feira, quase um ano depois de o primeiro ter sido declarado nulo devido à descoberta de má conduta por um juiz do painel na época. LUQUE NEGA ENVOLVIMENTO Na audiência de quinta-feira, Luque negou ter decidido sobre as medidas a serem implementadas para a recuperação de Maradona após a cirurgia. "Eu nunca conversei com nenhuma enfermeira sobre cuidados domiciliares porque sou neurocirurgião e não era responsável por esses cuidados", afirmou. "Quanto à alegação de que 'Luque decide tudo, faz tudo', sou neurocirurgião especializado em cirurgia da coluna", declarou o réu, referindo-se ao papel limitado que supostamente desempenhou na saúde do astro. O promotor Patricio Ferrari criticou as condições do confinamento domiciliar na terça-feira. Ele afirmou que, naquela residência, "um grupo de amadores falhou em cumprir todas as suas obrigações" e "abandonou" Maradona à própria sorte, "condenando-o à morte". Luque também declarou que o ex-jogador de futebol não recebia medicação para seus problemas cardíacos desde 2007. "E, naquela época, o médico que cuidava do paciente era (Alfredo) Cahe, não eu." Cahe - já falecido - foi o médico pessoal do ex-jogador por décadas e criticou a equipe que o atendeu durante suas últimas semanas. O neurocirurgião também rejeitou a alegação de que Maradona teria sofrido uma agonia prolongada, como indicado em um laudo oficial elaborado por cerca de 20 especialistas. "Eles falaram de edema pulmonar, uma agonia que durou pelo menos 12 horas, e isso é inédito", afirmou Luque. Em relação à foto do corpo de Maradona que veio à tona em 2025, ele afirmou que o enorme inchaço em seu corpo não se devia a uma condição "não detectada" pelos profissionais, mas sim às manobras de reanimação realizadas minutos antes e depois de sua morte. "Ele foi reanimado por pelo menos uma hora; reanimaram-no, pararam por um segundo e, a pedido da família, reanimaram-no novamente; quem sabe que alterações isso produz no corpo", acrescentou. Além de Luque, outros réus incluem a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Díaz e os médicos Nancy Forlini e Pedro Di Spagna. Também estavam presentes Mariano Perroni, representante da empresa que prestou o serviço de enfermagem, e o enfermeiro Ricardo Almirón. Todos eles desempenharam algum papel nos cuidados domiciliares do ex-jogador de futebol. Luque prestou depoimento perante o tribunal - embora tivesse esclarecido que não responderia às perguntas dos juízes - após um pedido de sua defesa feito logo pela manhã, o que gerou um momento de tensão entre os advogados da acusação e os magistrados. Por fim, o juiz presidente e seus dois colegas acataram o pedido, considerando-o um direito de qualquer réu. Ao mesmo tempo, adiaram os depoimentos de três testemunhas para a próxima terça-feira, incluindo o de Giannina Maradona, uma das duas filhas mais velhas do ex-jogador de futebol. Ambas testemunharam no julgamento anterior que Luque recomendou cuidados domiciliares e que, durante esse período, viram o pai muito negligenciado. 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