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Pisando no freio: SUP e Yoga são alternativas de esportes de contemplação e relaxamento

Na última matéria da série de verão de O Liberal, duas modalidades se destacam para quem quer usar o tempo livre - e ao ar livre - para diminuir o ritmo e apreciar a natureza

Alan Bordallo / Especial para O Liberal

Um julho com cinco finais de semana é o sonho do veranista paraense raiz, mas essa brincadeira cansa. Há quem use o último para botar um pouco o pé no freio e descansar, preparando-se para o reinício das atividades em ritmo “normal”, por assim dizer. Seguimos essa tendência e hoje encerramos a série de esportes ao ar livre e de verão com uma dobradinha que vem conquistando adeptos entre quem quer estar no outdoor para relaxar, contemplar e refletir: o Stand Up Paddle (SUP) junto com Yoga.

Pode parecer difícil à primeira vista, mas existe a prancha certa para quem quer começar a “remar em pé” (esta é a tradução literal de Stand Up Paddle, inclusive). Quem garante é Leila Solon, fundadora do RemaSolon SUP Club.  

“As pranchas mais comuns são as ‘fun’ e as ‘race’. As primeiras são as maiores, mais largas e estáveis, justamente as que os iniciantes usam. Já as ‘race’ são pranchas de velocidade, finas, longas e bem estreitas. São mais usadas em competições. Quando um aluno quer evoluir na remada de SUP geralmente vai para esse tipo de prancha”, diz ela.

Veja imagens do Stand Up Paddle

Segundo Leila, a adaptação ao esporte varia de pessoa para pessoa. “Tem quem pegue de primeira e quem tenha mais dificuldade de se equilibrar. Mas com treino qualquer consegue se divertir no SUP”.

Leila conheceu a modalidade em uma viagem para Fortaleza e, logo que voltou para Belém, foi procurar onde praticar. E foi nesse esporte que conseguiu se reconectar à sua essência. “Eu sou ribeirinha do Marajó. E eu tinha perdido essa conexão com o rio quando vim para Belém. Foi o SUP que me reaproximou do rio, da floresta, da natureza. Juntou o esporte com a ‘vibe’ que eu gosto”, diz ela, que hoje escolheu as pranchas do tipo “race” como seu xodó – ela é o grande destaque da modalidade no Pará, com medalhas em competições nacionais. “Gosto da competição, do treino intenso”, confessa.

Mas, apesar da gana pelo alto rendimento, Leila faz questão de incluir uma remada mais relaxada no planeamento dos treinos. E ela reconhece que para um esporte que ainda busca uma maior popularização, é a pegada “contemplativa” o grande chamariz.

Em grande parte foi o que levou a estudante de educação física Alexandra Lima, que contou ainda com uma mudança na grade curricular da sua faculdade. “Hoje temos uma nova disciplina, chamada ‘Aventura’. E em uma aula o professor nos levou para conhecer o SUP. Saí de lá já marcando com as instrutoras para voltar”, lembra.

Hoje ela ainda faz aulas na “fun”, mas sabe das possibilidades que esta modalidade apresenta, inclusive profissionais. “São muitas possibilidades, inclusive a de ser uma instrutora depois de formada. Quem sabe?”, questiona. O fato é que, assim como muita gente que se dispôs a se equilibrar na prancha, Alexandra é mais uma que não pensa em tirar isso de sua rotina. “Muita gente me diz que o dia que rema é um dia mais produtivo, com mais energia. Eu também me sinto assim”, finaliza Leila.

Um caminho para a quietude

Se engana quem pensa que para praticar Yoga basta esticar seu tapete no chão e caprichar num misto de coordenação respiratória e motora, flexibilidade e concentração para replicar as Asanas, nome que se dá às posições desta prática milenar de origem indiana. Esta é a opinião da yogini Bea da Paz, que dá aulas da modalidade.

“Acredito que têm pessoas que praticam sem precisar das asanas. Entendo que geralmente as pessoas não precisam do caminho do Yoga para alcançar um estado de Yoga, que é algo que tem dentro da gente. Paz, quietude, completude e união consigo mesmo”, explica. E para botar os pingos nos “Y”: a pronúncia correta na Índia é “iôga”, mas você pode falar “ióga” e está tudo bem. “Tem quem fale a Yoga, por causa da prática. Tem quem fale o Yoga, por causa do estado de espírito. Essas questões fazem parte”, brinca.

Veja imagens do Yoga

A questão do conforto faz parte da jornada no Yoga – não só para performar as asanas. A instrutora considera que a prática é inclusiva e cabe para públicos diversos com as devidas adaptações: grávidas, pessoas com algum tipo de deficiência, pessoas em sobrepeso. O que determina será a modalidade de Yoga escolhida e o objetivo que se busca.Bea começou a trilhar esse caminho de autoconhecimento há alguns anos, e viu sua vida mudar. Na realidade, retornar. Ela explica que o Yoga tem muito mais o sentido de fazer você voltar a ser algo que, por qualquer que seja o caminho que a vida levou, ficou guardado em seu interior. “Me fez ser eu mesma na minha essência. O Yoga ajuda nesse caminho, de você se perceber sem o olhar do outro, estar seguro com o que faz feliz e funciona para ti. Você fica mais confortável consigo mesmo”, acrescenta.

“Ainda não vi relatos de pessoas não conseguirem fazer por qualquer motivo que seja. Vale a pessoa pesquisar com qual das práticas se conecta mais. Tem mais intensos, mais calmos, que trabalham o sistema nervoso central, outros o equilíbrio”, explica. Escolha o seu e mergulhe nesse caminho de autoconhecimento.

Primeiros passos

E apesar da jornada pelo autoconhecimento ser valiosa, a prática do Yoga pode ser bem difícil para os principiantes. De acordo com a yogini Lana Pantoja, quem está começando na modalidade pode encontrar algumas resistências do corpo em se adaptar a nova disciplina de respiração e exercícios.

"Quem tem interesse em iniciar a prática de Yoga é preciso ter coragem, perder a vergonha. O Yoga é uma filosofia diferente. Trabalha com posturas físicas que são muito diferentes da habitual aqui no ocidente", disse Lana, que também dá aulas da modalidade. 

Lana é instrutora de Yoga (Vitor Moraes/Colaborativo)

Mesmo assim, Lana Pantoja diz que o esforço vale a pena. Segundo a yogini, em poucas sessões os praticantes já conseguem ter um domínio maior sobre o corpo, além de conseguir controlar sinais de ansiedade e estresse.

"Se eu sinto dor de cabeça, por exemplo, faço alguns exercícios respiratórios e isso faz passar os desconfortos. O Yoga é uma excelente ferramenta pra ter consciência corporal. É importante  termos uma respiração mais profunda, com consciência da capacidade pulmonar", explicou.

Apesar da prática do yoga parecer simples, Lana faz um alerta: ela deve ser feita sempre com o auxílio de um profissional da área. Ele conta que tudo isso é importante para que a prática tenha efeitos positivos a curto prazo.

"Hoje em dia eu nem posso dizer que precisamos de um instrutor presencial, mas precisamos sempre de um profissional. Com um tempo de prática, conseguimos fazer sozinhos, com entendimento da postura", conclui.

 

Glossário do SUP:

Aloha: saudação comum dos remadores. É como um bom dia.

Perna de jambu: quando o remador tem dificuldade de se equilibrar e suas pernas tremem.

“Quer moleza? Rema sentado”: quando a pessoa já tomou tantos caldos que prefere uma posição mais confortável, sentando-se na prancha.

Onde praticar SUP:

RemaSolon Sup Club - @remasolonsupclub

SUPeração Stand Up Paddle - @superacaostandup

SUP Division - @supdivision

Banzeiro Stand Up Paddle - @banzeirosup

Amazon Kite e SUP - @amazonkiteesup

Roteiro da prática de Yoga feito nesta reportagem:

Pranayama: prática respiratória.

Surya Namaskar:  saudação ao sol do Ashtanga Yoga.

Natarajasana: postura do dançarino, uma posição de equilíbrio.

Paschimottanasana: antiflexão.

Setu Bandhasana e Urdhva Dhanurasana: retroflexões.

Viparitakarani, Halasana: posição invertida.

Shavasana: prática de relaxamento focada na “morte do ego”. O objetivo é se conectar e se libertar de desejos fúteis e dos fatos que achamos que não nos trazem felicidade. Tudo acontece porque deve acontecer.

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