Chegada do coronavírus paralisa eventos olímpicos do Estado

Federações suspendem atividades e temem pelo prejuízo financeiro causado pela pandemia da Covid-19

Braz Chucre

Os impactos negativos da pandemia do coronavírus nos esportes olímpicos aumentam a cada dia no país. No Pará não seria diferente. Federações e Associações paralisam as atividades de forma gradativa.

Não há resistência à paralisação, contudo, algumas federações de esportes olímpicos do Pará temem por danos ainda maiores, caso o problema continue por tempo indeterminado.

A maioria das federações vive das taxas de anuidade e da inscrição de atletas. A suspensão dos eventos esportivos provocam o receio pela inadimplência e consequentes atrasos em relação aos funcionários e aos encargos sociais – energia, água, aluguel de sede.

VÔLEI

“No momento da expansão dessa pandemia ninguém tem garantia de quando vamos recomeçar nossas atividades. É bem ruim, pois causa um impacto financeiro para quem depende da receita pra se manter”, disse Hugo Montenegro, presidente da FPV (Federação Paraense de Vôlei).

Montenegro conta que a suspensão de jogos não causa tanto prejuízo à federação pelo fato das partidas de vôlei serem disputadas aos finais de semana. “Estamos apenas com uma competição em ação e já foi suspensa, mas minha preocupação é com o aluguel da sede, pagamento de luz, água, IPTU. Vou apelar com os credores para atenuar o problema financeiro caso a situação prossiga”, fala.

JUDÔ

Belém seria sede do Campeonato Brasileiro Regional de Judô I, nos dias 28 e 29, mas a CBJ (Confederação Brasileira de Judô) suspendeu o evento. “O primeiro momento do cancelamento foi um impacto horrível e veio de encontro a tudo que estava no planejamento. Vínhamos trabalhando já muito tempo na preparação da competição. O cancelamento dá enormes prejuízos financeiros aos dirigentes, técnicos, atletas participantes”, aponta Alcindo Campos, presidente da Federação Paraense.

Dentro do programa do campeonato, seria realizado o curso de arbitragem nacional B e C pela CBJ, além do treinamento do Programa de Apoio às Federações [PAF],  capacitado pela confederação. “Agora é readequar os prejuízos financeiros e ter reflexão para amenizar os custos efetivados. Foram muitas horas de trabalho, planejando todos os aspectos do campeonato como a logística no atendimento aos 400 atletas. É inevitável não pensar nos nossos técnicos e atletas e em toda a expectativa na participação do Campeonato Brasileiro. Mas, temos de acompanhar toda orientação do país para assegurar o bem estar dos atletas”, explica.

A Fpaju também está com suas atividades paradas e, em nota oficial, pediu para que os afiliados suspendam os treinamentos dos judocas.

REGATA

O remo paraense tem na sua programação cinco regatas durante o ano. Neste mês, dia 1, foi realizada a primeira regata. “Agora, só o tempo dirá sobre a realização das demais regatas”, ressaltou o presidente da Federação de Remo (Fepar), Luciel Caxiado, que já tinha anunciado a suspensão das regatas de maio e junho.

O impacto do coronavírus não mexe com os cofres da Fepar, porque a entidade tem um quadro de voluntários, ao invés de funcionários. “Não temos impacto financeiro porque não pagamos salários. Todos da diretoria trabalham voluntariamente e as despesas são somente na logística de cada regata. A receita da federação é de R$ 600 de cada clube por regata e mais R$ 50 por cada barco inscrito. Realizamos a regata com esse valor arrecadado pagando árbitros, duas lanchas, dois pilotos e combustível”, revela.

Dos clubes afiliados, o Remo foi quem mais investiu na recomposição da sua equipe no retorno ao campeonato e a suspensão do certame está sendo avaliada pela diretoria. “É muito complicado analisar a situação. O Remo fez investimento na sede náutica, mas temos que pensar no coletivo e na saúde dos atletas. É uma coisa que está a inerente à nossa vontade”, pontuou Fábio Cebolão, diretor.

BASQUETE

O basquete ainda não tem calendário definido. O presidente Sérgio Serra não foi localizado para comentar o assunto. Mas, a modalidade tem dois eventos em vigor: O campeonato da NLB e o Torneio Máster Cidade de Belém da APBM. Ambos foram suspensos pelos organizadores. O torneio da APBM, aliás, reúne atletas acima de 60 anos, que estão no grupo de risco de contaminação do vírus.

NATAÇÃO

A FPDA seguiu a determinação da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquática) e suspendeu o torneio previsto para o final de semana em Belém. “Seguimos o protocolo da Confederação e suspendemos nossas ações até o dia 6 de abril. O momento é de resguardo em relação ao coronavírus”, apontou Glauco Silva, diretor técnico da FPDA.

HANDEBOL

“A Federação de Handebol do Estado do Pará (Fhepa) também aderiu ao cumprimento das determinações dos órgãos de saúde, evitando, assim, a proliferação do vírus do Covid-19 e suspendeu por tempo indeterminado suas atividades. Além disso, orientou os mais de 35 clubes espalhados pelo Estado para que façam o mesmo”, enumera Messildo Correa, diretor da entidade.

“É óbvio que, com a suspensão das atividades, o nosso prejuízo é grande, pois os patrocinadores se retiram (o que é compreensível), deixando déficit financeiro em nossas arrecadações e prejudicando o nosso calendário”, acrescenta.

“Nesta temporada, a Fhepa programou seis atividades para todos os clubes e com essa pandemia mundial que chega em nosso Estado tivemos que cancelar tudo. Teríamos uma competição nacional em nossa capital que daria vaga para dois clubes do Norte ao Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão e a Liga Nacional. É triste, é uma sensação de muita frustração, mas handebol está unido no combate ao coronavírus”, expõe.

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