Fisiologistas de Remo e Paysandu falam como driblar 'Inverno Amazônico', vilão da pré-temporada Período vai de dezembro a maio e a umidade do ar ultrapassa facilmente os 80%, gerando desidratação e facilitando lesões de todos os tipos Igor Wilson 16.02.25 7h07 No último jogo entre Paysandu e Tuna, pelo Parazão, chuva interrompeu partida durante cerca de 30 minutos. É o inverno amazônico (Igor Mota / O Liberal) Belém amanhece molhada quase todos os dias do inverno amazônico, que vai de dezembro a maio. As vezes, quando o sol parece querer vencer a disputa, uma nova chuva desaba, intensa, pesada, sem hora marcada. A umidade, que já é alstíssima em outros períodos, nesse nosso inverno ultrapassa facilmente os 80%, algo único no mundo. É suor, calor, frio, tudo junto. Quem vive aqui nem se espanta mais com esse ciclo, mas para quem vem de fora, o ‘tal’ do inverno amazônico é um desafio que começa antes mesmo do apito inicial. Nos gramados paraenses, onde a chuva e a umidade se impõem como mais um adversário, Remo e Paysandu encaram o desafio de manter o desempenho dos jogadores em um clima que cobra cada gota de suor derramada. E por incrível que possa parecer, o principal efeito de tanta água é justamente a desidratação. VEJA MAIS Remo encara Santa Rosa no Mangueirão a um empate de vaga antecipada às quartas do Parazão Partida terá transmissão em tempo real pelo Oliberal.com e, ao vivo, pela Rádio Liberal. Após mais um jogo no gramado castigado da Curuzu, Paysandu vai jogar no Mangueirão pelo Parazão Partida diante do Independente de Tucuruí, marcada para a próxima segunda-feira (17), mudará da Curuzu para o Colosso do Bengui "Aqui, a gente deveria ter guelras", brinca Eric Cavalcante, fisiologista chefe do Clube do Remo, com mais de 30 anos de experiência. "Nós respiramos água". Sua frase não tem exagero algum e quem mora aqui sabe disso. Apesar da abundância de água, o profissional explica que o principal efeito dessa elevada umidade é justamente a desidratação. A umidade extrema na Amazônia impede que o suor evapore com rapidez, dificultando a regulação térmica corporal e tornando a desidratação um problema crônico e muito característico do futebol paraense. "A umidade aumenta o quesito desidratação, aumenta o esforço que nós temos para nos resfriar e como a gente não evapora, acabamos desidratando mais. E a desidratação tem influência fisiológica muito grande no atleta. O atleta desidratado tem uma série de problemas. Primeiro a queda de performance associada a fadiga. Temos histórico de atletas que terminam um jogo com até 5% a menos de peso corporal. E a gente sabe que qualquer perda acima de 2% já compromete o desempenho", explica o profissional com mais de 30 anos de experiência. Remo x Santa Rosa sob muito água no Parazão 2024 (Cristino Martins) No Paysandu, a análise segue a mesma linha, a umidade é avassaladora. "Os jogadores que não estão acostumados sofrem com a umidade, não apenas pelo desgaste físico, mas também pelo desconforto psicológico", explica Mateus Eike Baptista, fisiologista do clube. "A sensação de esforço aumenta, a fadiga vem mais rápido, e isso afeta diretamente a concentração e a tomada de decisão". O reflexo pode ser visto em erros de passes simples, em deslocamentos mais lentos e até na falta de explosão nos momentos decisivos. Chuva, lama e gramados castigados A chuva também traz outro desafio, pois altera as condições do jogo e treino de maneira imprevisível. "O gramado fica pesado, alagado, e isso afeta diretamente o tipo de carga que o jogador precisa suportar", explica Eric, revelando um outro desafio nos treinamentos. "A gente não consegue medir essa carga com precisão, porque ela varia de acordo com o acúmulo de água e com a drenagem do campo. Isso gera uma sobrecarga que pode levar tanto a tensões musculares aumentadas quanto a lesões articulares mais graves", explica. O rodo, ferramenta essencial nos jogos no inverno amazônico (Igor Mota/O Liberal) Para minimizar os impactos, os clubes apostam em variações de treinamento, tentando simular condições adversas antes dos jogos. Mas não há solução definitiva. "A adaptação é constante", destaca Eric. "Os atletas locais já possuem uma certa aclimatação, mas quem vem de fora sofre bem mais, principalmente quando os jogos acontecem no fim da tarde ou à noite, que é quando a umidade sobe ainda mais", explica. Hidratação e prevenção: a chave para resistir ao clima Diante desse cenário, a hidratação se torna um fator essencial na preparação dos atletas. "Não basta beber água", reforça Mateus. "Precisamos garantir a reposição correta de sais minerais e açúcares para manter o equilíbrio metabólico. Aqui no Paysandu, trabalhamos muito com isso, porque a perda de líquidos e eletrólitos é muito rápida". No Remo, a abordagem é semelhante. "A gente monitora constantemente os jogadores para evitar que cheguem a estados críticos de desidratação, mas é um desafio contínuo", aponta Eric. "O corpo precisa de tempo para se acostumar a esse ambiente, e mesmo com toda a tecnologia que temos hoje, ainda é impossível neutralizar completamente os efeitos desse clima". Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave futebol clube do remo paysandu inverno amazônico COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Esportes . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. 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