Gol do Palmeiras contra o Remo foi anulado corretamente? Veja o que diz a regra!

Especialistas em arbitragem são unânimes: decisão do VAR foi equivocada. Clube paulista avalia recorrer ao STJD

O Liberal

A partida entre Remo e Palmeiras, disputada no último domingo (10) no Mangueirão, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, terminou em empate por 1 a 1, mas a discussão sobre a arbitragem polêmica está longe de ser encerrada. O jogo ficou marcado por dois lances envolvendo toques de mão de jogadores do Palmeiras que geraram reclamações das duas equipes.

O episódio mais polêmico aconteceu nos acréscimos do 2º tempo: Bruno Fuchs marcou o que seria o segundo gol do Palmeiras, mas o VAR anulou o tento após identificar um toque de mão de Flaco López na disputa anterior. O árbitro Rafael Klein, ao comunicar a decisão, foi taxativo: "Já visualizei aqui. É uma mão, através desse braço a bola sobra para o jogador de branco fazer o gol. Estou anulando o gol por tiro livre indireto por mão sancionável."

Para o Palmeiras, porém, a decisão foi um erro grave. E os diversos especialistas em arbitragem consultados pela imprensa nacional concordam com o clube.

VEJA MAIS

image Árbitro relata xingamentos de Tonhão contra a arbitragem após jogo entre Remo e Palmeiras
Em súmula, Rafael Klein registrou ofensas direcionadas à equipe de árbitros por parte de membros da comissão do clube azulino

image Remo x Palmeiras tem o maior público da rodada da Série A; veja números
Exatos 40.629 torcedores estiveram presentes no Mangueirão. Além da presença massiva nas arquibancadas, a partida também registrou renda expressiva

image 'Conduta violenta' e 'mão sancionável': CBF divulga análise do VAR no jogo entre Remo e Palmeiras
Partida terminou empatada e teve polêmica envolvendo a arbitragem

O que aconteceu?

O lance do gol aconteceu aos 49 minutos do segundo tempo, quando Bruno Fuchs chutou para a meta de Marcelo Rangel após toque de mão de López. A ação, que no senso comum parece passível de punição, foi criticada por torcedores e jornalistas que deconhecem a regra. No entanto, ironicamente, o próprio zagueiro autor do gol explicou a regra corretamente logo após a partida.

"Eu falei que, pelo que conheço da regra, se o Flaco fizesse o gol, teria que ser anulado. A bola pegou na mão do Flaco, só que sobrou para mim. A regra é bem clara: não foi uma mão intencional dele. Foi uma bola perto e sobrou para mim, que fiz o gol. Não sei se eles têm que saber a regra. Eu tentei conversar, falei: 'Klein, a regra é clara, a bola bateu no Flaco e sobrou para mim, não sobrou para ele'", desabafou Fuchs.

O que diz a regra?

Para entender se o gol foi ou não corretamente anulado, é preciso ir direto ao texto oficial, que é indiscutível. As orientações sobre toques de mão estão previstas na Regra 12 do futebol, que trata de faltas e conduta antidesportiva. Em março de 2021, durante a 135ª reunião anual da International Football Association Board (IFAB), o tema recebeu atenção especial devido às interpretações equivocadas em diversas partidas. O órgão reforçou que nem todo toque no braço ou na mão configura infração.

A regra mais recente exclui como infração o toque acidental de mão antes da bola chegar ao autor do gol e distingue situações claramente. As recomendações da IFAB preveem como infrações:

  • toques deliberados com o braço ou mão na bola;
  • toques quando o braço ou mão ampliam o corpo de forma antinatural e
  • gols marcados diretamente com a mão ou braço, mesmo que acidentalmente.

A regra é bem nítida ao diferenciar a situação em que o próprio jogador que toca na mão marca o gol daquela em que o toque acidental acontece antes da conclusão de outro atleta. No lance em questão, Flaco López tocou na bola acidentalmente — e quem fez o gol foi Bruno Fuchs. Ou seja: gol legal, não confirmado pelo VAR.

Palmeiras questiona injustiça

Após a partida, o diretor de futebol Anderson Barros leu publicamente o texto da regra da IFAB para defender que o lance não deveria ter sido anulado. Barros ainda cobrou publicamente "providências urgentes" da CBF.

O Palmeiras também publicou um vídeo nas redes sociais comparando o lance anulado com um toque de mão similar ocorrido em outra partida do Brasileirão — no qual o gol foi validado —, questionando a inconsistência nas decisões de arbitragem ao longo da competição.

Remo também reclama da arbitragem

Por volta dos 40 minutos do 1º tempo, Patrick cruzou e a bola tocou no braço de Marlon Freitas. Neste caso, o lance não é claro e seria interpretativo, mas com grande chance do pênalti ser marcado para o Leão, afinal a regra prevê punição quando "toques quando o braço ou mão ampliam o corpo de forma antinatural".

Caberia, então, ao árbitro e ao VAR interpretar o lance. Porém, isto não ocorreu. Após o apito final, o executivo do Remo criticou a omissão do VAR. Ou seja: o Remo reclamou da arbitragem pelo lado oposto — um pênalti que acredita ter sido ignorado.

Jogo pode ser cancelado?

A discussão ganhou um novo capítulo fora de campo, envolvendo a possibilidade do clube recorrer ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para tentar anular o jogo. Neste caso, o Palmeiras poderia alegar um "erro de direito", isto é, ocorre quando a arbitragem aplica uma regra de forma incompatível com o texto oficial da norma.

Para que isso aconteça, normalmente dois fatores precisam estar presentes: um erro de direito da arbitragem e um lance considerado "capital", ou seja, decisivo para o resultado. É diferente de um erro de interpretação, que envolve avaliação subjetiva do lance. Historicamente, o STJD entende que as divergências interpretativas fazem parte do futebol e não justificam anulação, o que diminuem quase a zero a chance da anulação ocorrer. Assim, fim de jogo (mas não da polêmica): Remo 1 x 1 Palmeiras mesmo, independente de toda e qualuqer reclamação.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Esportes
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM ESPORTES

MAIS LIDAS EM ESPORTES