Família de Ananindeua une Copa do Mundo, boi e tradição em festa que atravessa gerações A família Kutaca, em Ananindeua, mantém uma tradição que une futebol, cultura popular e confraternização há décadas. Fábio Will 05.07.26 8h00 A Seleção Brasileira entra em campo neste domingo (5) para enfrentar a Noruega, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Em Ananindeua, a partida terá um significado ainda mais especial para a família Kutaca. Na rua Júlia Cordeiro, no bairro Águas Lindas, o Mundial é motivo para reunir diferentes gerações em uma grande confraternização que mistura futebol, tradição familiar e cultura popular. A Copa do Mundo desperta emoções em grande parte dos brasileiros. Mesmo quem não acompanha futebol costuma se envolver com o clima de festa durante os jogos da Seleção Brasileira. Em Ananindeua, porém, uma família leva essa paixão a outro nível. Na rua Júlia Cordeiro, no bairro Águas Lindas, os Kutaca transformam cada Mundial em uma celebração que reúne futebol, tradição familiar e cultura popular. Conhecida na cidade, a família vive intensamente a rivalidade entre Remo e Paysandu durante a maior parte do tempo. Mas, de quatro em quatro anos, o azul-marinho e o azul celeste dão lugar ao verde e amarelo. É o momento em que todos se unem para torcer pela Seleção Brasileira. A paixão pelo futebol também caminha ao lado da tradição do Boi Kutaca, manifestação cultural iniciada por Emílio Xavier do Nascimento há mais de 70 anos e preservada pelas novas gerações. Durante a Copa do Mundo, a confraternização ganha um significado ainda maior ao unir o espírito do Mundial com a celebração junina. Tradição da Copa do Mundo passa de geração em geração O funcionário público Manoel Paulino, de 65 anos, conta que a reunião da família acontece desde as primeiras Copas que acompanhou. "Desde que começou a Copa, vai crescendo a geração. Iniciamos pela rua Júlia Cordeiro, depois passamos para dentro de casa por situações que aconteceram no decorrer dos anos, mas sempre fazemos essa confraternização. Estamos torcendo pelo nosso país para que outros jovens se tornem atletas e venham defender a Seleção", comentou. Seu Manoel (ao centro) leva a tradição da família (Thiago Gomes / O Liberal) Além da paixão pelo futebol, Manoel destaca a importância de manter viva a história do Boi Kutaca. "A brincadeira do boi foi meu irmão Eduardo Kutaca quem resgatou. Sempre foi uma tradição e nós, como família, estamos sempre juntos ajudando. Este ano foi uma confraternização dupla, com o Boi Kutaca e a Copa do Mundo. Isso só traz alegria para todos nós", falou. O Boi Kutaca é tradição em Ananindeua (Thiago Gomes / O Liberal) Segundo Seu Manoel, a manifestação cultural existe graças ao legado do pai da família e que isso é motivo de gratidão entre todos. "O que faz o Boi Kutaca vivo é o nosso pai, Emílio Xavier do Nascimento. Foi ele quem começou, há mais de 70 anos, fazendo o 'malhadinho'. Tenho uma gratidão enorme por isso. Ainda guardo um pandeiro e um apito utilizados naquela época. São os únicos dois objetos que restaram da geração do meu pai”, falou. Os mais jovens assumem a missão de manter o legado A nova geração também entende a responsabilidade de preservar a tradição. Aos 33 anos, Antonyo Alencar lembra que viveu, ainda criança, o último título mundial conquistado pelo Brasil, em 2002. "É uma responsabilidade muito grande repassar essa tradição aos mais jovens. Graças a Deus consegui acompanhar o título de 2002, mas tinha apenas 10 anos. Sabia que era importante, mas hoje entendo a dimensão daquela conquista. Junto com meus tios e primos, estou sendo esse elo para continuar esse legado”, falou Alencar. Antonyo Alencar (sem camisa) é um dos responsáveis em repassar o legado de amor pelo futebol aos mais jovens (Thiago Gomes / O Liberal) Para ele, a atual geração precisa vivenciar o significado da Copa da mesma forma que os mais velhos viveram e que vai lutar para que a tradição não fique pelo caminho. "Essa Copa é muito importante. Os mais velhos já acompanharam alguns títulos, eu também vivi um deles, e os mais novos estão conhecendo esse momento agora. Eles precisam sentir o quanto é grandioso conquistar o hexacampeonato. Cabe a nós manter essa confraternização, essa festa e o amor pelo futebol que sempre existiu na nossa família”, disse. 'Aqui futebol é religião' Na família Kutaca, o futebol vai muito além do entretenimento. Segundo Antonyo, assistir aos jogos envolve rituais e superstições que todos fazem questão de respeitar. "Futebol aqui é religião. Tanto Paysandu quanto Remo são religião para nós, mas durante a Copa todos se unem. Respiramos futebol. Nossas reuniões são sobre futebol. Todo mundo tem alguma superstição: usar a mesma camisa, assistir no mesmo lugar ou até evitar que alguém participe do próximo jogo se esteve presente em um resultado ruim”, comentou. A família Kutaca vive o futebol de uma forma intensa (Thiago Gomes / O Liberal) A preparação para as partidas também mobiliza toda a família. A tradição de também acompanhar o famoso Arrastão do Pavulagem será mantida, mas terá que ser breve, pois o compromisso maior é com o jogo da Seleção, às 17h, deste domingo (5). "Meus primos e meus tios pintaram o chão, enfeitaram nossa casa com bandeirinhas. É uma festa enorme. Estamos vivendo essa Copa intensamente e já pensamos no domingo, no jogo do Brasil contra a Noruega. Vamos ao Arraial do Pavulagem mais cedo para voltar a tempo de assistir juntos. Está sendo incrível viver tudo isso ao lado da minha família”, falou. Promessa pelo hexacampeonato e emoção durante o hino A torcida também é marcada por promessas. Caso o Brasil conquiste o hexacampeonato, Manoel Paulino garante que cumprirá um desafio e homenageando Ronaldo Fenômeno. "Já falei para o meu filho: se formos hexa, vou raspar a cabeça. Vamos homenagear o Ronaldo (o famoso corte Cascão)”, comentou. Emanuelle Ferreira comentou sobre a supertição da família (Thiago Gomes / O Liberal) As superstições também aparecem antes mesmo da bola rolar. Emanuelle Ferreira, de 31 anos, integrante da família, conta que uma tradição surgiu espontaneamente durante a competição. "Desde que começamos a assistir aos jogos, criamos algumas superstições sem querer. A principal acontece durante o hino nacional. Quando começa a tocar, todo mundo levanta e coloca a mão no peito. O mais bonito é ver as crianças repetindo esse gesto. Assim que o hino começa, elas já colocam a mãozinha no peito também”, finalizou. O Brasil está nas oitavas de final da Copa do Mundo e enfrenta a Noruega, neste domingo (5), às 17h, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. A partida terá transmissão lance a lance pelo Portal OLiberal.com com fotos, vídeos e curiosidades direto da partida. Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave esportes futebol copa do mundo família kutaca boi kutaca jornal amazônia seleção brasileira brasil x noruega COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Futebol . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado! 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