Filho de Popó é alvo do MP-PR em operação contra manipulação de jogo da Série C A Operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a Gutierrez e a outro empresário Estadão Conteúdo 12.09.25 22h37 O Ministério Público do Paraná (MP-PR) investiga dois empresários, Igor Gutierrez Freitas e Rodrigo Rossi Calamo, por suspeita de tentativa de manipulação em um jogo da Série C do Campeonato Brasileiro. Eles teriam oferecido R$ 15 mil a jogadores do Londrina. Igor é filho do tetracampeão mundial de boxe Acelino Popó Freitas. A reportagem do Estadão entrou em contato com Rossi, que não se manifestou. Representantes de Gutierrez não foram localizados. A Operação Derby, deflagrada pelo Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta sexta-feira, cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a Gutierrez e Rossi, além de dois contra os próprios empresários. As diligências foram cumpridas em Salvador e Itapema (SC). Segundo as investigações, os dois abordaram três jogadores do Londrina cerca de uma hora antes da partida contra o Maringá. O jogo ocorreu em 26 de abril, pela terceira rodada da Série C. A quantia de R$ 15 mil foi oferecida a pelo menos um dele, que recusou a proposta. A dupla pedia que fosse forçado um cartão amarelo até os 27 minutos do primeiro tempo. "Lembrando que os jogadores recusaram a proposta. As investigações caminham no sentido de confirmar essa abordagem e a possíveis outras", informou o promotor de Justiça Jorge Fernando Barreto da Costa. Ainda conforme o MP-PR, foi Igor quem fez o primeiro contato, pelo Instagram. Ele se apresentou como "empresário e representante com acesso direto às maiores empresas do mercado nacional" e "atuando em projetos estratégicos, ativações e negociações de patrocínios e parcerias". Em seguida, Rossi chamou o atleta via WhatsApp. Em áudio de visualização única, mas recuperado pelo MP-PR, ele ofereceu o valor e disse que faria a transferência ainda antes da partida. O atleta repreendeu o empresário. O próprio Londrina relatou o caso à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que acionou a Polícia Federal. Em seguida, o Gaeco de Londrina iniciou as investigações do dos crimes contra a incerteza do resultado esportivo, descritos na Lei Geral do Esporte. São citados no processo os artigos 198, 199 e 200. Cada um deles prevê pena de reclusão de dois a seis anos e pagamento de multa. LEI GERAL DO ESPORTE Artigo 198 - Solicitar ou aceitar, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem patrimonial ou não patrimonial para qualquer ato ou omissão destinado a alterar ou falsear o resultado de competição esportiva, ou evento a ela associado; Artigo - 199 - Dar ou prometer vantagem patrimonial ou não patrimonial com o fim de alterar ou falsear o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado; Artigo 200 - Fraudar, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado. Londrina e Maringá protagonizam o chamado "Clássico do Café", que inspirou o nome da operação deflagrada nesta sexta-feira. Após as diligências, Lucas Magalhães, executivo de futebol do Londrina, concedeu uma entrevista coletiva sobre o caso. "Obviamente, isso assusta na hora. Eu de pronto chamei Paulo (Assis), que era o CEO à época, e a gente acionou a Federação Paranaense na mesma hora. Eles nos passaram um departamento da CBF para oferecer a denúncia. A gente formalizou isso na segunda-feira, logo após o jogo do Maringá", contou Magalhães. Ainda segundo o executivo, ele comunicou ao zagueiro Wallace Reis, capitão da equipe na partida. "Eu falei: 'Wallace, aconteceu isso, esses três atletas foram abordados, vamos ficar de olho aqui e tal'. Nenhum dos três atletas aliciados tomaram cartão na partida", disse. A partida teve 10 cartões amarelos, dos quais quatro foram para atletas do Londrina. Desses, três foram antes dos 27 minutos do primeiro tempo, mas nenhum aplicado aos jogadores aliciados. O Londrina também se manifestou por meio de nota. "Expressamos nosso profundo respeito e admiração pelos atletas que, além de recusarem a proposta ilícita, tiveram a coragem de procurar a diretoria para denunciar a atitude maliciosa", diz um trecho. O clube ainda reafirmou ser "veementemente contra qualquer forma de manipulação de resultados". 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