VÍDEO: Em Belém, Crossfit é opção de atividade física inclusiva e em comunidade

Esporte é considerado estilo de vida para praticantes, desde jovens a pessoas mais velhas e, ainda, proporciona inclusão e superação para pessoas com comorbidades.

Natalia Mello / O Liberal

Muito se fala sobre os tabus construídos em volta do Crossfit, modalidade esportiva que surgiu oficialmente em 2000, na Califórnia (EUA). “Carrega pneu? É muito difícil e ainda lesiona, né?!”. Contudo, na contramão, há um universo de pessoas comuns praticando o esporte que desmistificam essas afirmações e comprovam: a modalidade é como qualquer outra e propõe a mudança para um estilo de vida mais saudável de forma inclusiva e em comunidade.

Malena Mendes, de 26 anos, é uma testemunha dessa espécie de “seita” que acumula milhões de seguidores no mundo inteiro – para quem não sabe, por ser praticado em grupo, normalmente, os crossfiteiros falam com muita efusão do esporte e sempre ressaltam que fazem parte de uma comunidade. O motivo? Essa sensação de pertencimento a um lugar em que as pessoas costumam se incentivar e contribuir com a evolução umas das outras.

Especial Crossfit cotidiano estilo de vida

E um detalhe se agiganta para a biomédica: diagnosticada com Mielomeningocele desde recém-nascida – uma má formação na coluna que provoca, como no caso de Malena, dificuldades motoras –, ela mudou para o Crossfit há alguns anos por acreditar nas possibilidades que o esporte proporciona. “Eu fazia musculação, mas senti que era muito limitado. Me passavam os treinos e não pensavam nos avanços comigo. Caiu na mesmice. Aqui eu percebi que posso fazer movimentos que não imaginava, melhorei flexibilidade, força”, pontua.

Malena mudou para o Crossfit há alguns anos por acreditar nas possibilidades que o esporte proporciona (Tarso Sarraf/O Liberal)

Malena diz que, para a sociedade, qualquer ato praticado pela pessoa com deficiência é sinônimo de superação e praticar Crossfit torna essa máxima ainda mais legítima. O que também acrescentou pontos positivos na avaliação da modalidade foi caminhar mais alguns passos na escala da sua independência.

“É uma evolução constante, um esporte que me deu a possibilidade de evoluir não só com relação ao meu corpo, mas em relação a várias coisas da minha independência. Saber lidar com obstáculos, literalmente, ter mais velocidade para algumas coisas. Além de que temos um acompanhamento diferente profissional e fazemos amigos aqui. Ou seja, quando tenho preguiça, me sinto acolhida. E, no meu caso, parar não é uma opção, porque se eu não fizesse atividade física, pioraria muito a minha coluna”, finaliza a jovem.

Terapia cotidiana

A dentista Roberta Damasceno começou a praticar a atividade recentemente. Aos 34 anos e mãe de um casal de 4 e 2 anos, ela fala sobre a praticidade de agregar aeróbico e musculação em uma hora de treino. Definido como um treinamento de força e condicionamento físico geral baseado em movimentos funcionais, feitos em alta intensidade e constantemente variados, ela fala ainda o quanto o bom senso e o autoconhecimento são aliados nos cuidados com as articulações.

“É mais completo e como a nossa vida é corrida, é ótimo para agregar força e aeróbico. Sobre a lesão, qualquer esporte que você venha a praticar tem o risco, mas quando não é feito corretamente. Por isso é importante o acompanhamento para corrigir os movimentos. Vai do bom senso de cada um também, ver onde pode melhorar”, diz. Roberta reforça ainda que, com a prática da atividade, vem a preocupação com a alimentação. “Você não vai ter o preparo adequado se não cuidar do que você come, né? Além do que é ótimo treinar junto com outras pessoas, é minha terapia diária”, explica.

Roberta Damasceno começou no Crossfit recentemente, aos 34 anos (Tarso Sarraf/O Liberal)

A estética foi o primeiro atrativo para Kadu Santoro no Crossfit, mas a saúde mental acabou se transformando em uma válvula de escape e uma mola propulsora para a disposição no trabalho. Aos 37 anos, o ator costuma treinar no horário de 12h30 e, depois do almoço, segue, muitas vezes, até às 23h com as atividades em home office.

“A parte estética se fez presente, sim. Meu primeiro passo entender que não estava satisfeito com o meu corpo e decidi fazer a atividade para perder peso. Mas aí eu vi que o meu humor mudou, estava me sentindo muito para baixo com tudo isso que temos passado, estava recluso. E o Crossfit me lembrou que eu tenho vontade de viver, me trouxe um ânimo que eu já não reconhecida em mim. Hoje vou até 11 da noite feliz trabalhando e isso é por conta dessa atividade física”, conclui. 

Esportes
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