Volta às aulas impulsiona papelarias personalizadas e aquece pequenos negócios em Belém

Etiquetas escolares lideram vendas em janeiro; kits custam a partir de R$ 25

Gabi Gutierrez
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A volta às aulas tem aquecido o mercado de papelaria personalizada em Belém e transformado janeiro no principal mês de faturamento para pequenos empreendedores do setor. A alta procura por etiquetas escolares, cadernos e brochuras infantis customizadas impulsiona negócios artesanais e garante fôlego financeiro para atravessar os meses de menor movimento ao longo do ano.

Empresárias do ramo afirmam que o aumento da demanda começa ainda em dezembro, quando famílias antecipam encomendas para evitar atrasos. Em janeiro, o volume de pedidos atinge o pico anual, impulsionado pelo calendário escolar e pela busca por personalização dos materiais infantis.

Janeiro concentra maior volume de vendas do ano

A empresária Camila Fonseca, que atua há dois anos no segmento, explica que a volta às aulas é determinante para o equilíbrio financeiro do negócio. “É o mês que mais vende, que mais ganha. A demanda é muito alta e tem mercado para todas”, afirma.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, Camila relata crescimento expressivo. “Neste ano, estou vendendo mais do que no ano anterior. A minha demanda praticamente triplicou, muito por conta da forma como divulguei o meu trabalho”, destaca. Segundo ela, o desempenho de janeiro ajuda a compensar meses de menor procura ao longo do ano.

Etiquetas escolares são o carro-chefe do setor

Entre os produtos mais procurados, as etiquetas escolares lideram com ampla vantagem. “As etiquetas são o carro-chefe, sem dúvidas. Depois vêm os cadernos e brochuras personalizadas”, explica Camila. As agendas escolares, por outro lado, perderam espaço, já que muitas escolas passaram a fornecê-las diretamente aos alunos.

O mesmo cenário é observado por Walena Teixeira, empresária do ramo há quatro anos. “Não consigo mensurar um percentual exato, mas é, sem dúvidas, o período do ano em que mais se vende”, afirma. Segundo ela, as etiquetas escolares concentram a maior parte dos pedidos no início do ano.

Preços variam conforme material e quantidade

O modelo de negócio das papelarias personalizadas é baseado na venda de kits padronizados. De acordo com Camila Fonseca, os preços variam conforme o tipo de papel e a quantidade de etiquetas. Os kits mais simples custam a partir de R$ 25, com 34 etiquetas em papel gloss. Já os kits em vinil, material mais resistente à água, chegam a R$ 35, com 60 etiquetas.

Todo o processo produtivo é realizado pela própria empreendedora, desde a criação da arte até a impressão final. “Eu faço tudo: a arte, a impressão e a finalização”, afirma.

Tecnologia amplia capacidade de atendimento

Neste ano, o uso de ferramentas de inteligência artificial se tornou um diferencial competitivo. Segundo Camila, a tecnologia permitiu atender pedidos mais personalizados, como a reprodução da arte das mochilas escolares. “No ano passado, eu perdi muitas vendas porque as mães queriam a arte igual à mochila. Este ano, com a ajuda da inteligência artificial, consegui atender essa demanda. Foi um investimento que valeu muito a pena”, explica.

Volta às aulas supera mercado de festas

Apesar da diversificação do portfólio ao longo do ano — que inclui agendas, cadernetas de vacinação, calendários e papelaria para festas infantis —, o impacto econômico da volta às aulas é muito superior. “Volta às aulas é mil vezes mais forte do que festa. Sem comparação”, afirma Camila. Segundo ela, a demanda por festas começa a crescer a partir de junho, mas não alcança o mesmo volume financeiro.

Personagens infantis influenciam consumo

Além do volume, o perfil dos pedidos revela tendências de consumo. Em 2025, personagens infantis seguem influenciando as escolhas das famílias. Segundo Walena Teixeira, entre as temáticas femininas, ganham destaque Hello Kitty e personagens ligados ao universo do K-pop. Entre os meninos, o personagem Sonic lidera as preferências.

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