A alta do petróleo e do gás natural no mercado internacional pode aumentar os custos da indústria brasileira nos próximos meses. O alerta é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta que o cenário está ligado às tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além do fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
Segundo a entidade, conflitos na região costumam provocar instabilidade nos preços da energia no mundo. “As tensões geram volatilidade nos mercados globais, com consequências diretas para a economia brasileira”, afirmou a CNI em nota.
Grande parte do gás natural consumido pela indústria brasileira tem contratos cujo preço é calculado com base na cotação internacional do petróleo do tipo Brent crude oil. Já o gás utilizado pelas usinas termoelétricas costuma seguir o índice Japan-Korea Marker (JKM), referência internacional para o preço do gás natural liquefeito (GNL).
Nos últimos dias, os dois indicadores registraram forte alta no mercado internacional. O barril de petróleo Brent chegou a cerca de US$ 100, enquanto o índice JKM teve aumento de aproximadamente 50%.
Como muitos contratos de gás no Brasil são reajustados periodicamente com base nesses índices, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que, se o conflito no Oriente Médio continuar, a alta dos preços poderá ser repassada aos contratos firmados no país, elevando os custos para a indústria e para a geração de energia.
“A variação desses índices deverá ser repassada aos contratos, acarretando sérios problemas para a economia brasileira”, afirmou a entidade.
Entre os setores que podem sentir os impactos está o de fertilizantes, que utiliza o gás natural como matéria-prima. Indústrias como a química, siderúrgica, petroquímica, cerâmica e de vidro também podem enfrentar aumento de custos de produção.
A geração de energia elétrica é outro ponto de preocupação. Hoje, o Brasil possui 178 usinas termoelétricas movidas a gás natural em operação. Juntas, elas representam cerca de 60% da geração térmica do país e aproximadamente 9% de toda a capacidade de produção de energia.
A CNI também afirma que a instabilidade no mercado de gás natural liquefeito pode afetar novos projetos no setor elétrico. Segundo a entidade, o cenário aumenta o risco para empreendimentos que pretendem participar do Leilão de Reserva de Capacidade em forma de Potência, previsto para a próxima semana.
Outro ponto destacado pela indústria é que o gás natural no Brasil já está entre os mais caros do mundo, o que dificulta a competitividade das empresas nacionais.
Diversos contratos de gás natural poderão ser reajustados a partir de 1º de maio de 2026. Caso o conflito internacional se prolongue até lá, a entidade avalia que o aumento dos preços pode pressionar ainda mais os custos da indústria.
“É hora de discutir medidas para minimizar a eventual alta desses insumos”, afirmou a CNI, destacando a necessidade de ações para proteger consumidores e preservar a competitividade da economia brasileira.