Nova geração reinventa a indústria no Pará transformando modelos de produção

A XVII Feira de Indústria do Pará vai expor a transformação de novos modelos de negócios no Estado

O Liberal
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Jovens empresárias vêm apostando em tecnologia, propósito e identidade para transformar modelos de produção e abrir novos caminhos para a indústria paraense, já que por muito tempo, a ideia de indústria esteve ligada a estruturas rígidas, processos tradicionais e modelos de gestão pouco flexíveis.

Foi a partir do incômodo com a pouca valorização dos ingredientes amazônicos, por exemplo, que nasceu a Zarumiá Alimentos Regenerativos. À frente do negócio, a empresária Bia Carvalheira aposta em um modelo de produção que une gastronomia, sustentabilidade e valorização das cadeias locais.

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“A nossa motivação começa no território. Vivendo e atuando na Amazônia, sempre nos inquietou o contraste entre a riqueza dos ingredientes locais e a forma limitada como eles chegam ao mercado”, afirma.
Segundo ela, a proposta da empresa vai além da comercialização de produtos. A ideia é construir uma indústria “a partir da Amazônia, e não apenas sobre ela”, valorizando produtores locais e criando experiências gastronômicas com identidade regional.

O conceito de regeneração, ainda pouco conhecido por grande parte do público, aparece como eixo central do modelo de negócio. Na prática, isso significa priorizar cadeias locais, reduzir desperdícios e desenvolver processos que respeitem as características naturais dos insumos amazônicos. “Regeneração não é discurso, é uma escolha cotidiana”, resume Bia.

Entre as estratégias adotadas pela empresa estão processos de desidratação para ampliar a vida útil dos ingredientes, sistemas de conservação a frio e formulações autorais que combinam ingredientes amazônicos com técnicas contemporâneas. Para a empresária, inovação não significa apenas tecnologia avançada, mas integração eficiente entre processos, qualidade e escalabilidade.

“Hoje, não faz mais sentido separar impacto de resultado financeiro. O lucro deixa de ser apenas um fim e passa a ser consequência de um modelo bem construído”, afirma.

Outra empresa que representa essa nova geração industrial é a Cipó Velas, criada pela empreendedora Mariel Mello. Com atuação no segmento de velas aromáticas, home sprays e difusores de ambiente, a marca construiu uma identidade que mistura design contemporâneo, elementos amazônicos e forte presença digital. Embora trabalhe com produtos considerados tradicionais, Mariel acredita que sempre existe espaço para inovação.

“Eu procuro sempre pensar de que maneira a gente pode melhorar. Desde a escolha das matérias-primas até o desenvolvimento de peças junto com artesãos e parceiros”, explica.

A marca mantém parcerias com ceramistas, ilustradores, aquarelistas e artistas locais para criar coleções autorais. Em uma das linhas lançadas recentemente, as velas ganharam formatos inspirados em pontos turísticos da região produzidos com tecnologia de impressão 3D.

“A gente queria mostrar que a Amazônia também pode ser sofisticada, elegante e contemporânea sem perder sua originalidade”, afirma.

A trajetória da empresa também revela como as redes sociais passaram a ocupar papel estratégico dentro da nova indústria. A Cipó Velas nasceu no Instagram, começou vendendo pelo WhatsApp e só depois migrou para o e-commerce e a loja física.

“O ambiente virtual foi onde a gente criou a nossa comunidade e consolidou a nossa marca. Hoje continua sendo nosso principal meio de comunicação”, conta Mariel.

Para ela, a tecnologia transformou completamente a forma de empreender da nova geração. “Eu sou uma segunda geração dentro do negócio da minha família, mas já cresci acompanhando toda essa transformação tecnológica. Isso trouxe uma visão mais dinâmica dos negócios”, afirma.

Toda essa transformação de novos modelos de negócios vai ser possível mensurar durante a XVII Feira de Indústria do Pará, que será realizada no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, entre os dias 20 e 23 de maio de 2026, com expectativa de público superior a 30 mil pessoas, e entrada gratuita.

Novos modelos industriais

O gerente executivo de Tecnologia e Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Pará (SENAI Pará), Leo Shinomiya, explica que o Pará vive uma transição entre modelos industriais tradicionais e estruturas mais modernas voltadas para automação, bioeconomia e sustentabilidade.

“O perfil industrial no Pará evoluiu de um modelo extrativista e de baixo valor agregado para uma estrutura moderna e diversificada”, explica.

Ainda assim, a digitalização permanece concentrada em grandes empresas, especialmente nos polos de mineração e exportação. Em regiões como Carajás e Barcarena, já existem operações com caminhões autônomos, robótica e sistemas integrados de monitoramento.

Por outro lado, a maior parte da indústria de transformação ainda enfrenta dificuldades básicas. “Muitas empresas operam com equipamentos obsoletos e manutenção corretiva. Para a maioria das indústrias paraenses, o desafio diário ainda não é implementar inteligência artificial, mas automatizar processos básicos”, afirma.

Além da infraestrutura limitada, a falta de mão de obra qualificada e o êxodo de profissionais especializados para outros estados também dificultam a modernização do setor.

Para enfrentar esse cenário, o SENAI Pará vem ampliando programas voltados à produtividade e digitalização acessível, especialmente para pequenas e médias empresas.

Entre as iniciativas está o programa Brasil Mais Produtivo, realizado em parceria com o Sebrae, que leva consultorias em manufatura enxuta, eficiência energética e inserção de tecnologias digitais ao chão de fábrica.

Dentro desse novo cenário, as chamadas indtechs, startups voltadas ao setor industrial, começam a ganhar força no Pará. Segundo Leo Shinomiya, essas empresas têm encontrado oportunidades justamente nos desafios específicos da região amazônica.

Entre os segmentos em crescimento estão as miningtechs, que desenvolvem soluções tecnológicas para mineração, as biotechs ligadas à bioeconomia, e empresas focadas em rastreabilidade e certificação sustentável. “As startups industriais já são uma realidade promissora no Pará”, afirma.

A XVII FIPA é uma realização do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Sistema FIEPA), com patrocínio das empresas Hydro, Sebrae, Vale, Alcoa, Prefeitura de Barcarena, Sicredi, Elis Circular, Ligga e Mineração Rio do Norte (MRN); com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), Agropalma, Cargill, Coca-Cola, Hidrovias do Brasil, Saint-Gobain, Suzano e apoio cultura da Equatorial Energia.

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