Em 2025, inadimplência de empresas cresce e Pará lidera ranking na região Norte
Estado encerrou dezembro do ano passado com 209.945 CNPJs negativados. No Brasil, volume de dívidas atingiu recorde histórico de R$ 213 bilhões.
O Pará encerrou o ano de 2025 na liderança do ranking de inadimplência empresarial da região Norte, com 209.945 estabelecimentos negativados em dezembro. Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, o volume total de dívidas no estado somou R$ 4,7 bilhões no último mês do ano passado. O cenário reflete a tendência nacional, que atingiu o maior patamar da série histórica ao fechar dezembro com 8,9 milhões de empresas no vermelho, o que representa um montante de R$ 213 bilhões em débitos no país.
Na região Norte, as companhias somaram R$ 11,4 bilhões em dívidas negativadas, com um total de 535.513 empresas inadimplentes em dezembro. Enquanto o Pará registrou o maior número de CNPJs em atraso, o estado do Acre apresentou o maior valor de dívida média por empresa na região, atingindo R$ 24.330,55. No ranking de inadimplentes por unidade federativa do Norte, o Amazonas aparece em segundo lugar (142.107), seguido por Tocantins (66.819), Rondônia (60.949), Amapá (22.964), Acre (18.102) e Roraima (13.627).
A série histórica do Pará ao longo de 2025 mostra um crescimento mensal ininterrupto da inadimplência. Em janeiro, o Estado possuía 167.427 empresas inadimplentes, número que avançou gradualmente até atingir o pico em dezembro. No fechamento do ano, cada empresa paraense negativada possuía, em média, 7,1 registros de dívidas, com um ticket médio de R$ 3.184,16 por conta.
Saiba quais fatores travam o varejo e os serviços paraenses
Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará (Fecomércio-PA), Sebastião Campos, a elevação das taxas de juros e a restrição ao crédito intensificaram os desafios do varejo paraense.
"A demanda por financiamento, que cresce acima da média nacional, reflete a fragilidade estrutural das empresas, pressionadas por múltiplos fatores: custos operacionais elevados, deficiências de infraestrutura, dependência da importação de produtos de outras regiões — o que encarece fretes, transporte e combustível — além de encargos fixos e tributação elevada. Esses elementos combinados comprometem a liquidez e ampliam as dificuldades de caixa, limitando a capacidade de investimento e expansão do setor", explica o presidente da Fecomércio-PA.
O perfil nacional da inadimplência em dezembro de 2025 aponta que as micro e pequenas empresas (MPEs) concentram a maior parte dos registros, com 8,5 milhões de CNPJs e R$ 185,4 bilhões em dívidas acumuladas. Felipe Mendes, diretor institucional do Conselho de Jovens Empresários (Conjove), vinculado à Associação Comercial do Pará (ACP), destaca que esse crescimento reflete um ambiente econômico desafiador. "Esse cenário gera uma pressão significativa sobre o caixa das empresas, especialmente micro e pequenas empresas que acabam compondo a maioria do universo. A gente tem estado perto das autoridades públicas e privadas para contribuir com esse desenvolvimento", afirma o diretor.
Inadimplência gera cautela para abertura de novos negócios
A análise do Conjove aponta que o endividamento elevado gera cautela para quem pretende abrir novos negócios.
"Naturalmente, um cenário de endividamento elevado pode gerar mais cautela por parte de quem pretende abrir novos negócios. A gente também tem que ter atenção para as empresas já endividadas, que tendem a enfrentar maior dificuldade para ampliar os seus negócios, o que gera uma entrave em relação a novos negócios", relata Felipe Mendes.
Sobre o acúmulo de 7,1 registros de dívidas por CNPJ no Pará, Sebastião Campos reforça que a situação inviabiliza investimentos. "Esse acúmulo compromete diretamente a capacidade de acesso ao crédito, restringindo capital de giro e inviabilizando investimentos em expansão ou modernização. No setor de serviços, os efeitos são ainda mais evidentes: empresas com vários registros de inadimplência enfrentam barreiras para contratar fornecedores, renovar estoques e manter operações básicas, travando a circulação de recursos na economia", destaca o presidente da Fecomércio-PA.
Raio-x da inadimplência empresarial (dezembro/2025)
Ranking na Região Norte
- Pará: 209.945 empresas inadimplentes (dívida total: R$ 4,7 bilhões)
- Amazonas: 142.107 empresas inadimplentes (dívida total: R$ 2,6 bilhões)
- Tocantins: 66.819 empresas inadimplentes (dívida total: R$ 1,4 bilhão)
- Rondônia: 60.949 empresas inadimplentes (dívida total: R$ 1,3 bilhão)
- Amapá: 22.964 empresas inadimplentes (dívida total: R$ 435,6 milhões)
- Acre: 18.102 empresas inadimplentes (dívida total: R$ 440,4 milhões)
- Roraima: 13.627 empresas inadimplentes (dívida total: R$ 253,5 milhões)
Perfil nacional por setor em 2025
- Serviços: 55,2%
- Comércio: 32,7%
- Indústria: 8,1%
- Primário: 0,9%
- Outros: 3,1%
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