Pará lidera crescimento na produção industrial no país com 8,6% a mais em janeiro deste ano
Setor apresentou crescimento em áreas não tradicionais, como avalia Fiepa
A produção industrial paraense registrou um avanço de 8,6%, entre dembro de 2025 e janeiro deste ano, conforme levantamento do Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado superou grandes capitais como São Paulo (3,5%), Minas Gerais (3,2%) e Bahia (3,0%). A razão para o desempenho expressivo está no “forte desempenho da indústria de transformação”, como explica Alex Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa).
Segundo representante do setor no estado, alguns segmentos estratégicos dessa indústria se destacaram e elevaram o percentual: Fabricação de bebidas (+12,9%); Celulose, papel e produtos de papel (+12,8%); Produtos alimentícios (+9,3%); Metalurgia (+9,0%). Ele reconhece um leve retração de 0,1% no extrativismo estadual, mas o avanço da transformação industrial indica maior equilíbrio na base produtiva.
“Esses segmentos têm forte presença na estrutura industrial do estado e foram determinantes para impulsionar a atividade no início do ano. Uma leitura qualitativa dos dados também indica que alimentos, bebidas e metalurgia são setores historicamente estáveis no crescimento industrial paraense. Desde 2025, essas cadeias vêm apresentando expansão consistente, o que reforça seu papel estruturante na dinâmica industrial do estado”, afirma Carvalho.
A partir de uma análise preliminar dos dados encontrados na pesquisa do IBGE, o presidente identifica outro ponto que ajuda a compreender os resultados do Pará é o aumento da visibilidade internacional dos produtos da Amazônia no contexto das discussões globais. Um dos exemplos mencionados disso, foi o protagonismo desse tema durante a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém.
“Um indício que dialoga com essa percepção é o crescimento recente das exportações de sucos e derivados de frutas na balança comercial, com aumento expressivo entre dezembro e janeiro, o que pode sinalizar maior demanda externa por produtos da região. Outro aspecto relevante é que o resultado mostra um dinamismo cada vez mais diversificado da indústria paraense para além da mineração, tradicionalmente dominante na economia do estado”, avalia.
Variações
Na avaliação anual, de janeiro de 2025 a janeiro deste ano, o crescimento da indústria foi um pouco mais moderado, com 0,5% de avanço e 0,7% no acumulado de 12 meses. “Isso sugere uma trajetória de estabilidade com viés positivo, sustentada principalmente pelas cadeias de alimentos, bebidas, papel e metalurgia, que vêm consolidando sua relevância no desempenho industrial do estado”, destaca o presidente da Fiepa.
Os dados do IBGE ainda indicam as unidades da federação que caminharam no sentido oposto, registrando desaceleração nas suas indústrias. Rio Grande do Norte e Bahia concentraram as quedas mais acentuadas da produção industrial em janeiro de 2026. O recuo chegou a -24,9% no estado potiguar e a -10,3% no território baiano. No primeiro caso, o desempenho foi impactado principalmente pela retração nas atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis. Já na Bahia, além desse mesmo segmento, também contribuíram para o resultado negativo as atividades de máquinas, aparelhos e materiais elétricos.
Outras unidades da federação também apresentaram retração no índice mensal do primeiro mês do ano. Foi o caso de Ceará (-7,5%), Amazonas (-6,8%), Santa Catarina (-6,5%), Rio Grande do Sul (-6,5%), Goiás (-4,4%) e São Paulo (-1,5%). Na análise regional, o Nordeste também registrou resultado negativo, com queda de -0,4% no período.
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