Sustentabilidade provoca mudança de hábito entre os consumidores

CNI aponta engajamento da sociedade e das indústrias em futuro sustentável

Fabrício Queiroz
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Os brasileiros adotam cada vez mais hábitos de consumo consciente e buscam colocar em prática atitudes sustentáveis, como a separação de resíduos, a reciclagem e a busca por produtos orgânicos ou sem sofrimento animal. É o que revela a pesquisa “Retratos da Sociedade: Hábitos sustentáveis e consumo consciente”, realizada em todo o país e divulgada nesta sexta, 18, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com o estudo, 74% dos entrevistados adotam hábitos sustentáveis, sendo que 30% dizem que fazem isso sempre, enquanto 44% afirmou que faz às vezes. Um dos aspectos influenciado por essa decisão é a análise do processo de produtivo em torno de determinada mercadoria. A pesquisa aponta que 50% dos consumidores verifica sempre ou às vezes se o produto foi produzido de forma ambientalmente sustentável. Isso representa um avanço em relação à anterior do estudo realizada em 2019, quando 38% dos entrevistados relatou se preocupar com a questão.

Em razão disso, 38% dos participantes afirma que está disposto a pagar mais seja por alimentos orgânicos, que são cultivados sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos, ou por produtos fabricados com menor grau de sofrimento animal ou em que os indivíduos vivam de forma mais próxima ao natural. Contudo, cerca de dois terços dos entrevistados diz que enfrenta dificuldades para encontrar esses itens no mercado, enquanto apenas 26% afirma ter acesso a eles com facilidade.

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Acesso de produtos ainda é restrito

O professor universitário e doutor em biologia da conservação Flávio Barros relata que, de fato, as condições de acesso a alguns produtos mais sustentáveis são mais restritas. Em Belém, por exemplo, as iniciativas mais estabelecidas de feiras de orgânicos ocorrem apenas nas praças Batista Campos e Brasil, muitas vezes sem grande apoio de instituições públicas nem divulgação.

Porém, já há alternativas para quem não abre mão de valorizar a ingestão de alimentos orgânicos ou oriundos de práticas agroecológicos. O docente conta que mantém contato com produtores familiares de Santo Antônio do Tauá, que trabalham com a venda direta de frutas, hortaliças, legumes e outros produtos orgânicos. Além disso, ele prioriza a compra de produtos da Amazônia sobre os quais não pesam os altos custos de frete ou mesmo a adição de conservantes e fertilizantes químicos.

“Dá gosto ter um jantar ou um almoço na nossa casa e a gente dizer que a polpa de uma fruta veio do quilombo Pau Furado, lá de Salvaterra, na ilha do Marajó. Ou falar que o óleo que a gente usa para fritar peixe veio das quebradeiras de coco babaçu, do Maranhão”, exemplifica Flávio, que frisa que em seus hábitos de consumo analisa sempre os critérios de rastreabilidade, as relações de trabalho em condições de equidade de gênero e a ausência de registros de trabalho escravo no histórico da produção.

image O professor Flávio Barros defende consumo de alimentos produzidos por agricultores familiares e populações tradicionais da Amazônia (Sidney Oliveira / O Liberal)

“Eu considero que não há um encarecimento. Pelo contrário, além de você estar consumindo alimentos saudáveis, com conhecimento de toda a trajetória daquele alimento, você está ajudando a fortalecer a soberania e a segurança alimentar tanto da família que consome quanto daquelas famílias que produziram. É um alimento que vem carregado dessa sustentabilidade e dessas marcas da identidade cultural da comunidade que você adquiriu”, acrescenta o professor.

Para Mônica Messenberg, diretora de Relações Institucionais da CNI, a pesquisa indica um fortalecimento de uma tendência de mudança social que vem sendo acompanhada pelo setor produtivo. “É um compromisso que a sociedade como um todo e a indústria estão pactuando para um futuro melhor. É um caminho sem volta. Tanto a indústria quanto os produtores e a sociedade vão cada vez mais exigir que os produtos sejam sustentáveis, que tenhamos menor emissão de gás de efeito estufa e que o país e o globo como um todo tenham um futuro mais ambientalmente sustentável”, afirmou.

Preservação ambiental

A maior conscientização em torno do consumo sustentável também tem se refletido no cuidado com os recursos naturais e a destinação correta dos diferentes tipos de resíduos. A pesquisa destaca, por exemplo, que evitar o desperdício de água é uma preocupação frequente para sete a cada dez brasileiros entrevistados. Além disso, 53% dos ouvidos disseram que sempre buscam formas de reaproveitar a água e outros 20% adotam essas práticas às vezes.

No mesmo sentido, 73% dos brasileiros evita o desperdício de alimentos, 63% adota medidas para não haver gastos desnecessários de energia e 46% costuma reutilizar embalagens de produtos.

Outra mudança de comportamento observada pela pesquisa é que aumentou o quantitativo de brasileiros que fazem a segregação dos seus resíduos e o encaminhamento para a reciclagem. Em 2013, 47% praticava a reciclagem; em 2019, o número subiu para 55% e, agora, esse hábito já faz parte da vida de 69% dos entrevistados.

Também cresceu a parcela da população que faz a separação entre o lixo doméstico e os resíduos eletrônicos, que devem passar por processos de tratamento específicos de acordo com a legislação ambiental brasileira. Em 2013, 21% dos entrevistados não faziam essa separação; em 2019, o número caiu para 12%; e, em 2022, a proporção é de 9%.

Além dessas práticas, Flávio Barros diz que incorporou a compostagem em seu dia a dia, o que favorece a inclusão de alimentos mais naturais na dieta e evita a disseminação de elementos químicos na natureza. “Nada do nosso lixo orgânico é jogado fora. As sementes de frutas, a gente joga na mata para virar um sistema agroflorestal. E todas as cascas e restos de comida vira material orgânico para os nossos jardins”, pontua o professor hoje cultiva plantas ornamentais, ervas e alguns temperos na própria residência.

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