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Setransbel afirma que sem reajuste nas passagens, a ‘conta não fecha’

Dieese aponta que gasto com combustível abocanha 30% da receita das empresas

Abílio Dantas / O Liberal

As empresas de transporte de Belém afirmam que estão “à beira de um colapso” financeiro em razão da falta de reajuste da tarifa de ônibus, que aumentou pela última vez na cidade em junho de 2019, quando o valor passou de R$ 3,30 para R$ 3,60, o que representou 9,09% de aumento. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), a capital paraense possui uma das tarifas de transporte público mais baratas entre as cidades mais importantes do Brasil, ficando atrás apenas do Distrito Federal, que cobra R$ 2,70 por passageiro em viagens internas, após reajuste feito em janeiro de 2020.

O sindicato patronal demarca também que o preço do óleo diesel aumentou a patamares bem acima da inflação deste ano. O último levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese-PA) aponta que a alta, entre janeiro e agosto, foi de 23,87%, contra uma inflação estimada em 5% para o mesmo período.

Além do encarecimento do combustível, o Setransbel demarca que a crise sanitária mundial causada pela covid-19 trouxe mudanças que modificaram a forma de atuar do setor. Atualmente, “as empresas operam para apenas 75% dos passageiros registrados antes da pandemia e 30% da receita obtida é gasta somente com o óleo diesel. Assim, sem reajuste da tarifa e considerável aumento no preço do combustível, a conta não fecha”, declara o sindicato.

“Por fim, o Setransbel reforça que apesar de inúmeras solicitações de ajuda ao poder público, mesmo no pico pandêmico, nada foi disponibilizado e as empresas seguem amargando perdas”, completa o Setransbel, em nota enviada ao Grupo Liberal.

Em todo o país, a Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos (NTU) afirma que, somente em 2020, as empresas de ônibus urbanos tiveram um prejuízo de R$ 9,5 bilhões. A principal causa de acordo com os dirigentes foi a redução do número de passageiros, como resultado da quarentena provocada pela pandemia. A associação realizou estudo em que aponta que o valor supera em R$ 700 milhões as estimativas iniciais de perdas calculadas do setor. A pesquisa considerou 116 sistemas de transporte operados por empresas associadas, que atuam em capitais e regiões metropolitanas de todo o país.

Queda

O número de viagens feitas por passageiro, também segundo a NTU, caiu 80% nas primeiras semanas após o início da pandemia, que ocorreu em março de 2020. Ainda que uma recuperação lenta tenha ocorrido, a volta da demanda não alcançou os números anteriores à crise. Em dezembro do ano passado, a redução foi de 39,1%, em média.

A crise também afetou o transporte rodoviário, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Em pesquisa divulgada no primeiro semestre deste ano, 42,3% das empresas de transporte rodoviário de cargas (TRC) acreditavam que fechariam 2021 com as contas no vermelho. E o número mais que dobrava (86,7) entre as empresas de transporte urbano de passageiros. Os dados fazem parte da 6ª rodada da Pesquisa de Impacto no Transporte- Covid-19, da CNT.

Tarifa de Belém

O economista e supervisor técnico do Dieese-PA, Roberto Sena, explica que a formação da tarifa dos ônibus difere de muitos locais no Brasil, pois é debatida no Conselho de Transporte do Município de Belém, dispositivo legal criado em 1998 pela Lei Municipal 7873/98, proposta pelo ex-vereador e ex-deputado federal Arnaldo Jordy. O Conselho tem entre os seus membros o Setransbel, a Superintendência de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) e o Dieese, e tem como objetivo reunir as proposições e anseios dos setores empresarial, administração pública municipal e sociedade civil organizada.

Conselho

Segundo Roberta Sena, desde o último reajuste da passagem, em 2019, que o Conselho não voltou a se reunir. “Embora a Lei Orgânica do Município não estabeleça prazo para que seja feito um novo reajuste, a gente entende que é legítimo que as empresas reclamem, pois é fato que há uma defasagem; basta ver os aumentos sucessivos do preço do combustível. O gasto com o diesel é de 30%, ficando apenas um pouco abaixo do custeio de pessoal, que é um pouco maior”, informa o especialista.

Por outro lado, para o economista, pensar um aumento de tarifa deste momento é algo que afetará diretamente a população assalariada. “No Conselho de Transporte, o papel do Dieese é colocar a realidade do trabalhador. O Setransbel coloca a sua planilha de custos para defender um reajuste, a Semob coloca a sua planilha. Quem dera que o trabalhador tivesse também uma planilha, em que fosse colocado todos os seus gastos básicos com alimentação, moradia, transporte, para que isso fosse discutido. O que tentamos sempre, enquanto Dieese, é que o aumento seja menor que a inflação”, afirma.

Até o momento, não há previsão de data para uma nova reunião do Conselho Municipal de Transporte para debater o reajuste da tarifa.

Economia
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