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Quatro anos após liberação, voos para Salinas ainda enfrentam entraves

Modal aéreo reduziu tempo de viagem até o litoral paraense, mas preço, oferta limitada e origem única dificultam consolidação do serviço

Fabyo Cruz
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Quatro anos após a liberação para voos comerciais, o Aeroporto de Salinópolis, no nordeste do Pará, ainda enfrenta desafios para se consolidar como alternativa regular de acesso ao município, um dos principais destinos turísticos do estado. A autorização foi concedida em dezembro de 2021, por meio da Portaria Nº. 6.645 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), após cerca de uma década de interdição causada pela falta de manutenção da infraestrutura.

A medida permitiu a retomada das operações comerciais e garantiu a renovação da inscrição do aeródromo por mais dez anos no cadastro da Anac, criando segurança jurídica para investimentos. Com a reforma da pista, que passou a ter 1,9 quilômetro de extensão, o aeroporto ganhou capacidade para receber aeronaves de médio porte, tornando viável a operação regular de voos.

Atualmente, Salinópolis possui voos diretos apenas com Belém. A ligação é operada pela Azul Conecta, braço regional da Azul Linhas Aéreas, com aeronaves do modelo Cessna Grand Caravan, que transportam até nove passageiros. O tempo médio de voo é de aproximadamente 55 minutos, o que representa uma redução significativa em relação ao deslocamento rodoviário, que pode levar cerca de quatro horas.

A malha aérea regular conta com duas a quatro frequências semanais, geralmente concentradas às terças e sextas-feiras, com possibilidade de reforço em períodos de alta demanda, como férias escolares e feriados prolongados. Desde março de 2024, a administração do aeroporto passou a ser responsabilidade da Infraero, após contrato firmado com o Governo do Pará.

Experiência

O empresário Fabio Sicilia, de 55 anos, utilizou o aeroporto em 2022 e destaca o ganho de tempo como principal vantagem. “Belém e Salinas feito em 30 minutos, super confortável, um voo belíssimo. O aeroporto é simples, mas com estrutura suficiente para atender o que eu precisei”, relata. Apesar da avaliação positiva, o custo da passagem aparece como um dos principais obstáculos. “É incrível como no Brasil quanto menor o trecho mais caro fica. A única coisa que ficou muito elevada foi o preço da passagem aérea. Mas que vale a pena, vale”, afirma.

No mesmo ano, o publicitário Thiago Favacho, de 31 anos, também utilizou o serviço e avalia que, naquele momento, o custo-benefício foi positivo. “A viagem dura em torno de 50 minutos. Para a gente foi muito melhor ter ido de avião, porque precisávamos estar em Salinas antes de 11h30”, conta. Na ocasião, a passagem de ida custou R$ 600.

O publicitário, no entanto, aponta limitações na oferta de voos e na logística do entorno. “Nós não conseguimos voltar de avião porque não tinha voo disponível. Outra desvantagem é o acesso ao aeroporto, que não estava pavimentado, uma parte da estrada era de terra”, relata.

Preços

Os valores das passagens variam conforme a antecedência da compra e a época do ano. Em períodos de menor procura, como abril e maio, é possível encontrar tarifas promocionais a partir de R$ 440 o trecho. Já na alta temporada ou em compras feitas próximas à data do embarque, os preços de ida e volta podem variar entre R$ 1.100 e R$ 2.000, o que limita o acesso de parte dos turistas ao transporte aéreo.

Números do Aeroporto de Salinópolis

O Aeroporto de Salinópolis registrou crescimento no movimento de passageiros e de operações aéreas em 2025, em comparação ao ano anterior.

Movimento anual

  • Passageiros em 2025: 2.813
  • Passageiros em 2024: 2.293
  • Pousos e decolagens em 2025: 1.336
  • Pousos e decolagens em 2024: 1.026

Movimento mês a mês – 2025

  • Janeiro:

Pousos e decolagens: 95
Passageiros: 201

  • Fevereiro:

Pousos e decolagens: 95
Passageiros: 39

  • Março:

Pousos e decolagens: 67
Passageiros: 130

  • Abril:

Pousos e decolagens: 76
Passageiros: 185

  • Maio:

Pousos e decolagens: 76
Passageiros: 122

  • Junho:

Pousos e decolagens: 94
Passageiros: 213

  • Julho:

Pousos e decolagens: 376
Passageiros: 886

  • Agosto:

Pousos e decolagens: 97
Passageiros: 186

  • Setembro:

Pousos e decolagens: 65
Passageiros: 114

  • Outubro:

Pousos e decolagens: 72
Passageiros: 142

  • Novembro:

Pousos e decolagens: 135
Passageiros: 269

  • Dezembro:

Pousos e decolagens: 142
Passageiros: 326

Fonte: Infraero

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