Preço do açaí já caiu cerca de 30% em Belém e pode chegar a R$ 20 no pico da safra
Litro do açaí chegou a ser vendido por R$ 40 durante os meses de maior escassez
Presença diária na mesa de muitos paraenses, o açaí começa a ficar mais acessível com o avanço da safra no Pará. Após meses de preços elevados durante a entressafra, comerciantes e produtores já observam aumento na oferta do fruto e redução gradual nos valores praticados no mercado. A expectativa do setor é de que a tendência se intensifique nos próximos meses, acompanhando o pico da produção.
A entressafra do açaí ocorre tradicionalmente entre o fim de dezembro e meados de junho. Nesse período, a menor disponibilidade do fruto reduz a oferta e pressiona os preços. Com a chegada do verão amazônico e o início da safra, a produção aumenta e o mercado começa a registrar os primeiros reflexos dessa mudança.
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Segundo Nazareno Alves, sócio-proprietário de uma rede de restaurantes especializada na venda de açaí e presidente da Associação de Produtores de Açaí Irrigado da Amazônia (AMA Açaí), a diferença já pode ser percebida no bolso do consumidor. "Entre março e maio o litro do açaí chegou a custar cerca de R$ 50. Atualmente, já está sendo comercializado entre R$ 34 e R$ 35", afirma. apontando uma redução de cerca de 30% no preço do produto.
Nazareno Alves, sócio-proprietário de uma rede de restaurantes especializada na venda de açaí e presidente da Associação de Produtores de Açaí Irrigado da Amazônia (AMA Açaí) (O Liberal/ Thiago Gomes)
De acordo com ele, a redução ocorre porque as áreas produtoras começam a ampliar a oferta do fruto, com a chegada do verão amazônico. "A safra do açaí ocorre justamente no segundo semestre, período em que as chuvas diminuem e a produção cresce", explica.
Alves destaca que a expectativa é de novas quedas ao longo do segundo semestre. "O pico da safra costuma ocorrer entre outubro e novembro. Nessa época, o preço pode chegar próximo de R$ 20, dependendo das condições de produção e da oferta disponível".
Consumidor já percebe queda nos preços
A redução também já chega ao consumidor final. Heron Amaral Rocha, manipulador artesanal de açaí, afirma que os comerciantes têm conseguido repassar parte da queda do custo da matéria-prima. "Com relação aos preços, em comparação com o período mais crítico da entressafra, já houve uma redução significativa. Sempre que o valor do fruto diminui e se estabiliza em um patamar que conseguimos trabalhar, repassamos essa redução ao consumidor", afirma.
(O Liberal/ Thiago Gomes)Segundo ele, o litro do açaí chegou a ser vendido por R$ 40 durante os meses de maior escassez. "Depois, quando o preço caiu, reduzimos para R$ 36 e, com uma nova queda, passamos para R$ 32", relata. Rocha também observa aumento da oferta nas feiras da capital. "Já percebemos um aumento no volume de frutos chegando às feiras, o que tem contribuído para uma redução gradual dos preços."
Apesar da melhora no cenário, ele lembra que os efeitos da entressafra atingem toda a cadeia produtiva. "Quem mais sente os impactos da alta é o consumidor final. Somos obrigados a repassar parte desse aumento, porque os custos ficam muito elevados".
Para os próximos meses, a expectativa é positiva. "Com o aumento da oferta do fruto, acreditamos que será possível oferecer um preço mais acessível ao consumidor. Com isso, esperamos também aumentar o volume de vendas", conclui.
Mercado aguarda comportamento da safra
A redução dos preços também é observada por Aristides Carneiro, empresário do ramo do açaí. Segundo ele, o mercado vem registrando maior estabilidade nas últimas semanas, após meses de oscilações durante a entressafra. "As últimas duas semanas já apresentaram uma queda considerável nos preços, que começaram a se estabilizar, sem aquela gangorra observada anteriormente", afirma.
Para o empresário, os preços elevados afetam diretamente o consumo. "Preço muito alto sempre impacta. Mesmo com um público que continua consumindo, há redução na demanda, principalmente no período mais crítico, que foi o mês de abril", relata.
Carneiro afirma que os comerciantes costumam agir com cautela antes de repassar as reduções ao consumidor final. "Nós só repassamos a queda após pelo menos uma semana de preços mais baixos, para evitar ter que aumentar novamente logo em seguida", explica.
Segundo ele, a tendência para o restante do ano é de novos recuos. "Os preços costumam ser mais altos no primeiro semestre. Nós já reduzimos cerca de 20% no valor de venda e a expectativa é de uma queda entre 20% e 30% entre julho e dezembro", diz.
Apesar das projeções positivas, Carneiro ressalta que o comportamento do mercado ainda dependerá do desempenho da safra e da demanda da indústria. "Como o açaí é um produto extrativista, é difícil ter certeza sobre o volume que será colhido. Também depende da procura das fábricas. O açaí está em evidência e isso ficou claro recentemente na Fispal Sorvetes, uma das maiores feiras da América Latina, onde o fruto foi um dos destaques", conclui.
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia
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