CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Preços de ingredientes das comidas juninas sobem até 15% em Belém, aponta Dieese

Canjiquinha registrou a maior alta nos últimos 12 meses, com reajuste de 15,66%

Thaline Silva*
fonte

Os preços dos ingredientes utilizados no preparo das comidas típicas da Quadra Junina ficaram mais caros em 2026 na Grande Belém. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA), divulgado nesta sexta-feira (22), aponta que os reajustes registrados nos principais produtos superam a inflação acumulada de 4,39% nos últimos 12 meses.

Com a aproximação do mês de junho, cresce a movimentação em torno das festas juninas, marcadas pelas quadrilhas, bois-bumbás e pela tradicional comercialização de alimentos típicos. Neste período, aumenta também a procura por ingredientes utilizados na produção de mingaus, bolos, pamonhas, canjicas e outras guloseimas vendidas em feiras, supermercados e pontos comerciais da Região Metropolitana de Belém.

image (O Liberal/ Thiago Gomes)

De acordo com o Dieese/PA, as primeiras pesquisas realizadas entre os dias 18 e 21 de maio deste ano analisaram os preços dos produtos in natura vendidos nas principais redes de supermercados da Grande Belém. O objetivo é acompanhar o comportamento dos itens que servem de base para a produção das comidas típicas consumidas durante a Quadra Junina.

VEJA MAIS 

image Preço da carne bovina sobe mais de 6% em 12 meses no Pará
Valor médio do quilo chegou a R$ 44,54 em Belém e alta já compromete mais de 8% do salário mínimo de trabalhadores paraenses

image Preço dos combustíveis dispara até 19,5% em Belém, aponta Dieese
Pesquisa mostra que o diesel subiu 19,5% no ano e postos da capital apresentam variações de até 16,8% por litro

Altas acima da inflação

Segundo o levantamento, a canjiquinha Mariza registrou a maior alta dos últimos 12 meses, com reajuste de 15,66%, passando de R$ 4,80 para R$ 5,55. Na sequência aparecem o coco ralado Sococo, pacote de 100 gramas, com aumento de 14,18%, e o leite de coco Sococo, garrafa de 500 ml, com reajuste de 8,49%.

Outros produtos também apresentaram aumentos acima da inflação oficial do país, estimada em 4,39% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. O leite condensado Nestlé, lata de 395 gramas, teve alta de 6,93%, enquanto a canela em pó Real, embalagem de 30 gramas, subiu 6,22%.

Entre os itens com reajustes menores estão o azeite de dendê Real, garrafa de 200 ml, com alta de 2,87%; o amendoim in natura Real, pacote de 500 gramas, com aumento de 2,03%; o fubá de arroz Mariza, pacote de 400 gramas, com reajuste de 1,73%; e o milho branco para pipoca Real, pacote de 500 gramas, que subiu 1,62%. Já o milho branco para mingau apresentou leve alta de 0,78% no período analisado.

Impacto nas festas 

O Dieese/PA avalia que o aumento nos preços dos ingredientes deverá impactar diretamente o valor final das comidas típicas comercializadas durante os festejos juninos deste ano. A tendência é que parte do encarecimento dos insumos seja repassada ao consumidor final, pressionando ainda mais o orçamento das famílias paraenses.

Além dos produtos pesquisados nos supermercados, o órgão também identificou reajustes em outros itens amplamente utilizados na culinária regional e nas festividades juninas, como goma e farinha de tapioca, camarão, maniva e jambu. Em alguns casos, as altas também superam a inflação acumulada dos últimos 12 meses.

Outro ponto destacado pelo levantamento é a diferença de preços de um mesmo produto entre marcas, estabelecimentos comerciais e locais de venda. Segundo o Dieese/PA, a variação pode ultrapassar 15%, o que reforça a importância da pesquisa de preços como estratégia para reduzir custos durante o período junino.

Tradição junina exige maior gasto 

A autônoma Renata Loureiro mantém a tradição de preparar mingau para vizinhos e familiares no dia de Santo Antônio como forma de pagar uma promessa. Segundo ela, os custos para produzir as comidas típicas sempre foram elevados, mas fazem parte do compromisso religioso. “Eu pago promessa todos os anos no dia de Santo Antônio. Faço mingau e compartilho com meus vizinhos. Sempre é algo que não sai baratinho”, contou.

Apesar da alta nos preços dos ingredientes, Renata afirma que não percebeu uma diferença tão significativa neste ano em comparação com outros períodos juninos. Ainda assim, diz que costuma pesquisar preços e priorizar produtos com melhor custo-benefício. “Eu não tenho muita alternativa, vou fazer de qualquer forma. Mas a gente escolhe os produtos sempre pensando no melhor custo-benefício”, afirmou.

A aposentada Jussara Marques também reúne familiares durante as festas juninas e prepara alimentos como bolo de milho, bolo de macaxeira e mingau. Segundo ela, os gastos com os preparativos chegam a cerca de R$ 300, mesmo em encontros menores, com aproximadamente 10 pessoas.

Jussara avalia que os produtos tradicionalmente ficam mais caros nesta época, embora considere que o aumento faça parte da sazonalidade das festas juninas. “Chega nessa época do ano e tudo fica mais salgado. Se você quiser fazer mingau em outra temporada, talvez saia mais barato. Não acho que seja algo exclusivo deste ano. Nessa época, os preços sempre acabam ficando mais altos”, relatou.

Tabela de preços

• Canjiquinha Mariza (200g): R$ 5,55 — alta de 15,66%;
• Coco ralado Sococo (100g): R$ 8,65 — alta de 14,18%;
• Leite de coco Sococo (500 ml): R$ 21,75 — alta de 8,49%;
• Leite condensado Nestlé (395g): R$ 12,28 — alta de 6,93%;
• Canela em pó Real (30g): R$ 3,53 — alta de 6,22%;
• Azeite de dendê Real (200 ml): R$ 5,60 — alta de 2,87%;
• Amendoim Real (500g): R$ 11,96 — alta de 2,03%;
• Fubá de arroz Mariza (400g): R$ 4,71 — alta de 1,73%;
• Milho para pipoca Real (500g): R$ 5,66 — alta de 1,62%;
• Milho para mingau Real (500g): R$ 6,96 — alta de 0,78%.

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Economia
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM ECONOMIA

MAIS LIDAS EM ECONOMIA