Preço da carne acumula alta em Belém, mostra pesquisa
Último balanço do Dieese, em maio, aponta um aumento de 4,8% no acumulado do ano
A carne bovina aparece em quarto lugar no ranking dos produtos que mais tiveram alta de preço na cesta básica dos belenenses nos últimos meses. O último balanço divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em maio, aponta um aumento de 4,8% no acumulado do ano.
Tradicionalmente, na capital e nos balneários, a procura pelo produto sobe durante julho, sobretudo aos finais de semana, quando o paraense se reúne à beira da churrasqueira com a família e amigos. Com a alta demanda, consequentemente, o preço aumenta e, por isso, resta ao consumidor a velha procura para economizar no churrasco de domingo.
A pesquisa sobre a trajetória do valor do preço da carne bovina comercializada nos mercados, feiras e supermercados da capital, feito pelo Dieese, em conjunto com a Secretaria Municipal de Economia (Secon), aponta que, em abril de 2019, o quilo do coxão mole/chã, cabeça de lombo e paulista - consideradas partes de primeira - foi comercializado, em média, a R$ 20,44; em dezembro passado, subiu para R$ 28,22. Em 2020, logo no início do ano, caiu, para R$ 26,46; e em abril, ficou ainda mais em conta, saindo a R$ 25,64.
Essa trajetória, segundo o estudo, significa dizer que, nos primeiros meses do ano, o produto apresentou queda no preço, mas, comparado ao acumulado de um ano, houve aumento. Ainda conforme o Dieese, o item é um dos mais consumidos nas férias do verão amazônico. “Principalmente nas praias, clubes, balneários, a procura pelo churrasco, tira-gosto, é muito grande. O que faz o comerciante aumentar os valores, devido à demanda. Se for fazer uma compra do produto já preparado, o preço dobra. Então, a melhor opção ainda, é comprar nos açougues e preparar em casa”, afirma Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese/pa.
Açougues
Há 40 anos trabalhando com carne, o açougueiro Adjair dos Santos, de 67, que atua no mercado da Pedreira, garante que em julho, o aumento na procura do produto dobra, principalmente, às vésperas do final de semana. “As pessoas fazem muito churrasco em casa ou levam à praia. O consumo dos restaurantes também aumenta, por isso, os açougues, na quinta e sexta-feira de julho o trabalho é dobrado. Mas, esse ano, o movimento está menor, mais fraco, devido aos valores alto e a população com menos dinheiro”, comentou.
O trabalhador disse que aos poucos, o produto voltou a subir, em percentuais que oscilam diariamente. “Não podemos dizer que é um aumento fixo. Cada dia é repassado um valor diferente. Tiveram semana, que diariamente a venda subia R$0,30, na outra, R$0,40 de reajuste. As pessoas estão sem dinheiro, os informais principalmente, e eles são nosso maior público”, conta. A picanha, por exemplo, em julho do ano passado, estava sendo comercializada pelo açougueiro a R$ 32, já neste ano, o preço flutua entre R$35 a R38, dependendo do dia.
A sazonalidade dos valores, segundo o açougueiro Ângelo José de Souza, de 42 anos, faz o consumidor migrar da carne às outras proteínas nos churrascos do final de semana. “As pessoas levam mais frango, peixe. Como aqui na Pedreira há muita oferta, elas procuram bastante outras coisas antes de fazer as compras. O que estamos percebendo é que cada dia tem um aumento diferenciado. Evito passar ao consumidor. Ou passo apenas parte do aumento, e mesmo assim, o freguês, quando está muito caro, não leva”, observou.
Ângelo que está no mercado há 21 anos, explica que a demanda, em ano de pandemia, baixou antes mesmo do período das férias. “Os comerciantes, donos de restaurantes, passaram a comprar menos. Agora, houve uma melhora, mas ainda sim, está longe do normal para julho”, comentou. O coxão mole, por exemplo, está sendo vendido a R$ 28. Eu só passei o custo de um real ao consumidor, porque os fornecedores, aumentaram mais de dois”, finalizou.
Consumo
O empresário Walter Júnior, de 25 anos, não abre mão de um churrasco ao final de semana. Ele reúne a família, amigos e, neste final de semana, não será diferente. “Parte da turma vai a Salinas, vou ficar aqui, em Belém, e fazer o churrasco de domingo”, disse. Como trabalha até aos sábados, ele vai comemorar o aniversário de sua mãe no final de semana, e já pesquisa os preços. “Como fazemos quase toda semana churrasco, sempre pesquiso os valores em açougues. É mais barato que comprar nos supermercados. Em feiras mais distante do centro, também é mais baixo o valor”, comenta.
Para driblar o preço sem abrir mão da churrascada, Walter também alterna entre as carnes. “Não dá para comprar apenas a picanha. A gente mistura, faz a bisteca, a costela, o coração. Compra um pouco de cada”, afirma. A jornalista Thamyres Nicolau, 33 anos, também faz a economia do churrasco com a variedade. “Adoro o pão de alho, a calabresa, o coração de frango. Cada um leva uma coisa, faz os acompanhamentos bons, como a farofinha a feijoada, e o churrasco, tradicional de todos os finais de semana, não sai caro pra ninguém. Na crise, temos de usar a criatividade”, brincou.
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