Alta da carne pressiona custos e leva hamburguerias de Belém a rever estratégias para segurar preços
Empresários relatam impacto do aumento de quase 4% em 2025 e adotam negociações, controle de perdas e até redução da margem para evitar repasse ao consumidor
O aumento de quase 4% no preço da carne em Belém, registrado em 2025, segundo o Dieese/PA, já impacta diretamente os custos das hamburguerias da capital paraense. Diante da alta no principal insumo do setor, empresários têm adotado diferentes estratégias para tentar evitar o repasse imediato ao consumidor, como renegociação com fornecedores, contratos de longo prazo, controle rigoroso de perdas e até a absorção de parte do impacto na margem de lucro. Em alguns casos, no entanto, o reajuste no cardápio já se tornou inevitável.
Carne é o principal insumo e pressiona os custos
Para Pablo Ribeiro, proprietário de uma hamburgueria no bairro de Nazaré, o impacto do aumento é direto, já que a carne representa a base do negócio.
“Impacta porque hoje a carne é o nosso principal insumo dos nossos hambúrgueres. Então, sim, tem um impacto diretamente”, afirma.
Apesar da pressão nos custos, o empresário explica que o reajuste de preços é sempre a última alternativa considerada.
“O reajuste é sempre a última das opções que a gente tem, porque não temos o objetivo de pesar no bolso do cliente. Se todas as estratégias não derem certo, a gente tenta repassar o mínimo possível”, ressalta.
Controle de perdas e negociação com fornecedores
Entre as medidas adotadas pela hamburgueria de Nazaré estão o controle rigoroso do manuseio da carne e o acompanhamento diário dos números para reduzir desperdícios.
“A gente tenta reduzir ao máximo as perdas, fazendo acompanhamentos diários, olhando os números no dia a dia, justamente para não repassar esse aumento para o cliente”, explica Pablo Ribeiro.
Além disso, a negociação com fornecedores tem sido fundamental para segurar os preços.
“Fechamos contratos de longo prazo. Como temos um volume expressivo de compra, conseguimos negociar melhor e, assim, segurar o repasse de preço”, diz.
Segundo o empresário, até o momento não houve reajuste no cardápio nem mudanças no tamanho dos hambúrgueres, que seguem com blends de 180 gramas.
Reajuste parcial já ocorreu em alguns estabelecimentos
No bairro do Umarizal, a realidade foi um pouco diferente. Carlos Lisboa, diretor executivo de uma hamburgueria da região, afirma que o aumento de 4% no preço da carne em 2025 levou ao reajuste de alguns itens considerados carro-chefe do cardápio.
“Com o aumento de 4% da carne em 2025, acabamos aumentando o valor de alguns dos nossos produtos”, relata.
Em 2026, apesar de um novo aumento, estimado em 5%, os preços ainda foram mantidos. “Neste ano ainda não alteramos nossos preços, mas futuramente seremos obrigados a repassar o aumento para os consumidores”, afirma.
Diversificação de fornecedores como estratégia
Para tentar conter novos reajustes, a hamburgueria do Umarizal aposta na diversificação de fornecedores como forma de manter preços e qualidade.
“Nossa estratégia é sempre ter mais de um fornecedor, como uma espécie de rota de fuga. Hoje temos quatro fornecedores de carne”, explica Carlos Lisboa.
Ele destaca que preços muito baixos podem indicar queda na qualidade do produto.
“Um dos fornecedores manteve o preço de 2025, mas a qualidade diminuiu. A gente percebeu rápido. Qualidade sempre tem um preço”, alerta.
Absorção de custos para preservar o consumidor
Também no Umarizal, o empresário Orlando Martins afirma que o impacto da alta da carne já era esperado, mas que a prioridade tem sido preservar o consumidor final.
“Nós já sabíamos que o aumento no preço da carne iria impactar diretamente no valor do produto final”, afirma.
Para evitar o repasse, a solução foi renegociar com fornecedores e aumentar o volume de compra.
“Renegociamos um aumento na quantidade comprada em troca da manutenção do preço anterior”, explica.
Segundo Orlando, até o momento não há previsão de reajuste no cardápio. “Nossa intenção é segurar o preço do hambúrguer o máximo possível antes que qualquer reajuste chegue ao cliente”, diz.
Limite das estratégias
Apesar dos esforços, os empresários reconhecem que há um limite para a absorção dos custos.
“A gente tenta reduzir nossos custos ao máximo internamente. Só quando chega no limite disso é que, infelizmente, precisamos repassar uma parte para o consumidor”, conclui Orlando Martins.
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