PIB do Pará tem crescimento tímido em 2025

Setores fortes da economia paraense, como a Indústria e Serviços recuaram, conforme dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa)

O Liberal
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Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do Pará apresentou variações distintas conforme o período analisado. Ao comparar o desempenho econômico do Pará no 2º trimestre de 2025 com o trimestre imediatamente anterior, observa-se que o PIB estadual cresceu 0,63%. A economia se mostrou vulnerável, com o ínfimo avanço impulsionado, principalmente, pelo setor agropecuário, já que setores fortes da economia estadual como a Indústria e Serviços recuaram no período. 

Os números constam no 2º Boletim do PIB Trimestral do Estado do Pará de 2025, lançado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), em outubro passado. Conforme a Fapespa, a Indústria recuou 1,57%, impactada pela queda nos preços do minério de ferro, que, segundo relatório da Vale, registrou redução de US$ 5,7 por tonelada em relação ao trimestre anterior.

O setor de Serviços, um dos pilares tradicionais da economia de Belém, apresentou queda de 1,31%, influenciada pela redução nas atividades de transporte (-3,9%) e a administração pública também teve queda (-7,7%), ainda segundo a Fapespa.

Em termos anuais (comparado ao mesmo período de 2024), a expansão do PIB do Pará foi de 5,72%, alcançando um montante de R$ 72,2 bilhões. O Valor Adicionado Bruto (VAB) estadual teve alta de 0,29%, ainda assim, ficou abaixo do desempenho nacional (0,33%).

Os números do Pará frustram a grande expectativa de maior crescimento da economia estadual em 2025. Economistas avaliam que o ano atípico só não teve resultados mais insignificantes por causa da realização da COP 30 (30ª Conferência Mundial sobre Mudança do Clima), realizada em novembro do ano passado, em Belém.

Pará enfrenta desafios em áreas estruturais

O Governo Federal investiu cerca de R$ 1 bilhão, com projetos de saneamento, mobilidade e melhorias na cidade, gerando debates sobre os legados para a população local. A injeção de recursos evitou que o Pará tivesse uma trajetória similar a do ano de 2023 (ver mais abaixo). Apesar do crescimento econômico geral positivo em 2025, o Pará tem desafios significativos, principalmente nas áreas social e ambiental, com indicadores sociais preocupantes.

Em maio de 2025, o Índice de Programa Social (IPS) 2025 revelou que o Pará apresenta a pior qualidade de vida do Brasil, com Belém na 22ª posição entre as capitais, destacando problemas como desmatamento e garimpo ilegal. Por outro lado, a capital paraense enfrenta o crônico problema da falta de saneamento básico, com a população enfrentando um custo de vida elevado com baixo desenvolvimento econômico. A infraestrutura, em geral, em Belém, também é considerada um fator limitante para o pleno desenvolvimento competitivo do estado e sua integração nacional.

Pará é um dos estados com menor crescimento do PIB em 2023, aponta IBGE

O PIB nacional de 2025 não tem um valor final divulgado, e economistas locais temem que o estado repita, nos próximos anos, o cenário do ano de 2023. Enquanto o Brasil cresceu 3,2%, economia paraense avançou apenas 1,4%, freada por quedas na Agropecuária e no setor de Energia, desempenho inferior a vizinhos como Acre e Tocantins.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2023, apontam que o Pará registrou um dos menores crescimentos do Produto Interno Bruto (PIB), em comparação à média nacional.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja, Milho e Arroz do Estado do Pará (Aprosoja-PA), Vanderlei Ataídes, concorda que o ano de 2023 apresentou dificuldades significativas, em especial, relacionadas à seca que atingiu a região Norte no mesmo período.

Segundo o presidente da Aprosoja, os entraves do ano analisado provocaram uma redução na produção de soja, que desponta como uma das principais participações do agronegócio do estado. “Em 2023 nós tivemos uma produção um pouco menor, porque tivemos a questão da seca, entre outros problemas dentro do estado que tornaram tudo complicado”, avalia.

Ataídes explica que esse tipo de situação afeta diretamente o preço da soja comercializada, o que impacta em cada um dos envolvidos no processo de produção. A redução registrada no valor do produto foi de aproximadamente 35,29%, considerando a série histórica de 2023 até o dado mais recente. O representante ainda pontua efeitos mais agravados em regiões distantes de portos, que também sofrem com os fretes mais elevados nesses períodos de baixa.

“Nós estamos há três anos já, desde 2023, com os preços da soja baixos. Então a gente saiu de uma época em que vendíamos soja por R$ 170 a R$ 180 a saca e veio para cerca de R$ 120 a R$ 110”, recorda o presidente da associação.

Reorganização

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país em um determinado período, que serve para medir a atividade econômica e o crescimento do país. O superintendente do Dieese-PA, Everson Costa, lembra que a economia paraense é fortemente dependente de produtos primários, como mineração e agronegócio, o que a torna vulnerável a flutuações e problemas do mercado internacional. Isso porque as principais atividades econômicas ainda gastam muita energia com a exportação de produtos, o que ele descreve como um “capital concentrado”.

“Quando a gente fala da importância da verticalização, da qualificação e da melhoria da infraestrutura logística é para que a gente possa ter um PIB, uma geração de riqueza mais diversificada. O agronegócio cresce no estado, a mineração ainda é o principal carro-chefe, mas quando a gente tem problemas estruturais, seja de flutuação de câmbio, tarifas ou outros fatores que afetam o mercado internacional, isso acaba derrubando a nossa economia”, avalia Costa.

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