Pará tem a 3ª maior alta no uso de energia elétrica do país em novembro de 2025
Consumo no estado cresceu 6,7%, impulsionado pelo calor e pela indústria, na contramão da queda nacional
O consumo de energia elétrica no Pará registrou crescimento de 6,7%, um dos maiores do Brasil, segundo os dados mais recentes divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O avanço coloca o Estado na terceira posição no ranking nacional, atrás apenas do Acre (16,6%) e de Mato Grosso (8,7%), e bem acima da média observada na Região Norte, onde outros estados tiveram crescimento mais moderado ou até retração no período analisado.
A alta foi registrada na leitura de novembro, quando o Brasil consumiu, em média, 69.713 megawatts médios, resultado que representou queda de 1,8% em relação ao mesmo mês de 2024, reflexo das temperaturas mais amenas em parte do país. Enquanto Sul e Sudeste puxaram o resultado para baixo — com destaque para o Paraná, que apresentou queda de 10% —, estados do Norte e do Centro-Oeste seguiram na contramão, impulsionados pelo calor intenso e por atividades econômicas mais eletrointensivas.
No recorte regional, dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que o Norte do Brasil consumiu 41.195.528,248 kW no último ano, dentro de um total nacional de 515.041.502,505 kW, considerando diferentes setores da economia. No Pará, o aumento do consumo foi puxado principalmente pelas classes industrial, residencial e comercial, que lideram a demanda no Estado.
De acordo com a EPE, em 2025, a indústria é o maior consumidor de energia, seguida pelos setores residencial, comercial e rural. Na sequência aparecem o poder público e os serviços públicos.
Dados mais detalhados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram que, ao longo de 2025, o consumo médio mensal de energia no Pará apresentou trajetória de crescimento, com destaque para os meses do segundo semestre. Em novembro, o consumo médio estadual chegou a 3.500 megawatts médios (MWm), um dos maiores patamares do ano, refletindo tanto o aumento da atividade econômica quanto as condições climáticas mais severas.
Na comparação anual, o mapa de variação da CCEE aponta que o Pará teve crescimento de aproximadamente 4% no consumo médio, reforçando a tendência de alta já observada no acumulado do ano. O avanço ocorre em um contexto em que o consumo nacional apresentou retração, evidenciando um comportamento distinto do Estado em relação à média brasileira.
A análise por classes de consumo indica expansão entre consumidores livres, autoprodutores e consumidores especiais, enquanto o segmento atendido diretamente pelas distribuidoras apresentou leve retração. Já no recorte por ramo de atividade, setores como serviços, madeira, papel e celulose, extração mineral, comércio e transporte figuram entre os que mais ampliaram a demanda por energia elétrica no Estado.
Equatorial
A realidade desse aumento não é uniforme em todo o território paraense. Dados detalhados fornecidos pela Equatorial Pará apontam que a região Sul do estado foi a que apresentou o maior crescimento no consumo em novembro, com uma alta superior a 9,5%. Além disso, o estado segue em expansão: em 2025, houve um crescimento de 2,1% no número de novas unidades consumidoras, o que ajuda a explicar o volume total demandado.
O comportamento do consumidor também mudou, moldado pela temperatura. A distribuidora identificou que os picos de demanda se concentram agora no final da tarde, especialmente entre 16h e 17h. É o momento em que o sol ainda castiga, o uso de ar-condicionado é intenso e as atividades comerciais e residenciais se sobrepõem.
Apesar dessa pressão sobre a rede, a Equatorial informou que o aumento não gerou sobrecargas críticas. Segundo a empresa, investimentos contínuos em modernização, ampliação de subestações e programas como o "Luz para Todos" têm garantido a confiabilidade do sistema, mesmo com o consumo médio por cliente subindo gradativamente (0,4% em 2025).
Motivos
Para o professor e consultor de energia Carlindo Lins, o comportamento do consumo está diretamente ligado às condições climáticas. “No Brasil e no mundo, o maior fator é o clima. Em épocas mais quentes, as pessoas carregam muito na climatização. O ar-condicionado, por exemplo, tem um consumo elevado e impacta diretamente a curva de carga”, explica.
Segundo o especialista, o calor intenso registrado ao longo do ano no Pará contribuiu de forma decisiva para o aumento da demanda, sobretudo fora do horário tradicional de pico.
“Em regiões muito quentes, o horário de ponta acaba se deslocando, porque a necessidade de climatização começa mais cedo e se mantém por mais tempo”, afirma.
Além do fator climático, Carlindo destaca o peso da atividade industrial, especialmente setores como mineração e geração de energia, que são altamente eletrointensivos. Ele também chama atenção para os desafios estruturais do Estado.
“O Pará tem custos logísticos muito elevados. Distribuir energia aqui é caro: envolve longas distâncias, uso de barcos, aviões e estradas em más condições. Isso encarece todo o sistema”, pontua.
Na conta
Com a energia figurando entre as mais caras do país, o crescimento do consumo acende um alerta para o impacto direto no orçamento das famílias e dos pequenos negócios. Muitos consumidores relatam aumento no valor das faturas, principalmente nos meses mais quentes, quando o uso de aparelhos como ar-condicionado, ventiladores e freezers se intensifica.
Carlindo ressalta, no entanto, que a distribuidora tem participação limitada no valor final da conta de luz.
“A Equatorial é a menos responsável pelo preço final. A maior parcela da conta é composta por tributos e encargos. A menor fatia da ‘pizza’ fica com a operadora”, explica.
Ainda assim, ele reconhece que a carga tributária pesa e é alvo constante de debate no setor.
“Essa cobrança é exagerada, mas é uma realidade. A gente briga para que a carga tributária seja mais acessível, mas enquanto isso não muda, é fundamental ter inteligência no consumo”, completa.
CONSUMO DE ENERGIA NO PARÁ
Fonte: CCEE
Consumo de energia no Pará
Crescimento: +6,7%
Ranking nacional: 3º maior aumento do país
À frente de: Goiás (5,0%) e Tocantins (4,9%)
Atrás apenas de: Acre (16,6%) e Mato Grosso (8,7%)
Cenário nacional
Consumo médio do Brasil (novembro): 69.713 MW médios
Variação nacional: -1,8% em relação a novembro de 2024
Quedas mais intensas: Sul e Sudeste
Maior retração do país: Paraná (-10%)
Consumo por região (EPE)
Norte do Brasil:
41.195.528,248 kW no último ano
Total nacional:
515.041.502,505 kW em diferentes setores
Classes que mais consomem energia no Pará (EPE – 2025)
Industrial
Residencial
Comercial
Rural
Na sequência: poder público e serviços públicos
Setores com maior crescimento de consumo (CCEE)
Serviços
Extração mineral
Madeira, papel e celulose
Comércio
Transporte
O que explica o aumento?
Fonte: Carlindo Lins, pesquisador de energia
Calor intenso e maior uso de ar-condicionado
Atividades industriais eletrointensivas (como mineração)
Crescimento do setor de serviços
Expansão e formalização do consumo de energia
Palavras-chave
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