Pará lidera economia do Norte e Belém é a capital mais independente financeiramente
Dados do IBGE revelam que a capital paraense é a menos dependente de repasses federais e interior registra os maiores PIBs por habitante da Amazônia
O Pará se consolidou como a principal potência econômica da região Norte, apresentando indicadores de autonomia financeira e riqueza por habitante que superam estados vizinhos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que Belém é a capital com a menor dependência de recursos externos da região, enquanto cidades do interior registram os maiores índices de Produto Interno Bruto (PIB) per capita da Amazônia. O levantamento, que cruza dados de arrecadação de 2024 e produção de riqueza de 2023, desenha um cenário de solidez fiscal e crescimento para o estado.
A capacidade de Belém em manter a máquina pública com recursos próprios é um dos principais destaques. Em 2024, o índice de "transferências correntes" da capital paraense foi de apenas 56,48% em relação às suas receitas brutas. O número coloca Belém como a capital mais independente do Norte, superando Palmas (61,11%), Manaus (63,29%), Rio Branco (66,17%) e Macapá, que possui a maior dependência, com 76,84%.
Belém é a capital mais independente financeiramente da região
Além da autonomia, a capital paraense demonstra força na arrecadação. Com receitas brutas que somaram R$ 5,85 bilhões em 2024, Belém se firma como a segunda maior economia do Norte em volume financeiro. O montante é superior ao registrado por outras capitais, como Porto Velho (R$ 2,98 bilhões), Boa Vista (R$ 2,92 bilhões) e Palmas (R$ 2,34 bilhões), ficando atrás somente de Manaus.
No interior do estado, o cenário de independência se repete. O município de Barcarena, por exemplo, apresenta uma taxa de transferências correntes de apenas 47,54%. O índice é considerado raro na região e sinaliza uma economia local diversificada e com alta solidez fiscal, impulsionada pelas atividades industriais e portuárias.
Municípios paraenses lideram ranking de riqueza por habitante
A força econômica do Pará é ainda mais evidente quando se observa o PIB per capita, que mede a riqueza produzida dividida pelo número de habitantes. De acordo com os dados de 2023, Vitória do Xingu é a detentora do maior PIB per capita da região Norte, atingindo R$ 255.464,67. O município de Canaã dos Carajás aparece em seguida, com R$ 215.643,17, enquanto Parauapebas registra R$ 98.646,44.
Para efeito de comparação, a riqueza por habitante em Vitória do Xingu é quatro vezes superior à de Manaus (R$ 61,8 mil), que possui o maior PIB per capita entre as capitais nortistas. O desempenho do interior paraense também supera com larga margem os índices de Macapá (R$ 41,7 mil) e Rio Branco (R$ 35,5 mil), evidenciando o impacto da mineração e da energia na economia estadual.
Indicadores sociais apontam melhoria na qualidade de vida
O reflexo desse desempenho econômico aparece nos indicadores sociais. No Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), Belém (0,746) está entre as três melhores capitais do Norte, à frente de Manaus (0,737), Porto Velho (0,736), Macapá (0,733) e Rio Branco (0,727).
O mercado de trabalho também mostra sinais de resistência. O percentual da população com rendimento mensal de até meio salário mínimo em Belém é de 39%. Já em municípios do interior ligados ao agronegócio e à mineração, como Novo Progresso (35,2%) e Redenção (38,5%), os índices são ainda menores, indicando uma menor fatia da população em situação de vulnerabilidade extrema em comparação a outras áreas da Amazônia.
A economia do Pará em números
Autonomia das capitais (menor dependência de repasses externos):
- Belém (PA): 56,48%
- Palmas (TO): 61,11%
- Manaus (AM): 63,29%
- Rio Branco (AC): 66,17%
- Macapá (AP): 76,84%
Maiores PIBs per capita do Norte (cidades do Pará):
- Vitória do Xingu: R$ 255.464,67
- Canaã dos Carajás: R$ 215.643,17
- Parauapebas: R$ 98.646,44
IDHM das Capitais (desenvolvimento humano):
- Palmas: 0,788
- Boa Vista: 0,752
- Belém: 0,746
- Manaus: 0,737
- Porto Velho: 0,736
Fonte: IBGE
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