Norte lidera inadimplência no aluguel no início de 2026, diz pesquisa
Especialista aponta que perfil regional dos imóveis e pressão no orçamento explicam liderança do Norte e defende uso de tecnologia para reduzir riscos antes da assinatura do contrato
O Região Norte iniciou 2026 com a maior taxa de inadimplência de aluguel do país, segundo pesquisa. Em janeiro, o índice regional chegou a 4,03%, acima da média nacional, que recuou para 3,29%, o menor patamar dos últimos oito meses. O dado do Índice de Inadimplência Locatícia mostra que, embora o Brasil tenha começado o ano com um leve alívio no atraso dos pagamentos, o Norte segue em situação mais sensível. No ranking nacional, a região aparece à frente do Nordeste (3,96%), Centro-Oeste (3,28%), Sudeste (3,16%) e Sul (2,46%), que continua com o menor índice do país.
O que explica a queda no país?
Na comparação com dezembro de 2025, quando a inadimplência nacional era de 3,44%, houve uma redução de 0,15 ponto percentual. O resultado repete o movimento observado ao longo do fim do ano passado e indica uma acomodação após meses de pressão sobre o orçamento das famílias.
Especialistas avaliam que o início do ano costuma trazer algum ajuste no pagamento de dívidas, mas alertam que o cenário ainda exige cautela. Inflação e juros seguem influenciando diretamente a renda disponível e a capacidade de pagamento dos inquilinos ao longo de 2026.
Por que o Norte segue no topo?
Mesmo com o recuo nacional, o Norte voltou a liderar o ranking. O resultado reflete fatores estruturais da região, como renda mais pressionada, maior informalidade e um mercado de locação concentrado em casas e imóveis comerciais, que historicamente apresentam maior risco de inadimplência.
No recorte por tipo de imóvel, os dados mostram que, no Norte, a inadimplência ficou em 3,39% nos apartamentos, 3,45% nas casas e 5,57% nos imóveis comerciais. Este último segue como o principal ponto de atenção.
Segundo Thomaz Guz, especialista em tecnologia aplicada ao mercado imobiliário, os números acompanham o perfil dos contratos na região. “Casas costumam abrigar famílias maiores, mais sensíveis a variações de renda. Já os imóveis comerciais dependem do desempenho do pequeno empreendedor, que sente rapidamente os efeitos da queda no consumo e do crédito mais caro”, explica.
Aluguel mais barato concentra mais atrasos
Um dos dados que chamam atenção no início de 2026 é a mudança no perfil da inadimplência por faixa de preço. Pela primeira vez em meses, os imóveis residenciais com aluguel de até R$ 1.000 registraram a maior taxa de atraso do país, com 5,76%, superando os contratos de alta renda, acima de R$ 13 mil.
Apesar de também terem apresentado queda em relação a dezembro, os imóveis de menor valor indicam um aperto maior para as famílias de baixa renda neste começo de ano. Já os contratos intermediários, entre R$ 2.000 e R$ 5.000, concentraram as menores taxas de inadimplência.
No segmento comercial, o padrão se repete. A faixa de até R$ 1.000 continua liderando, com 7,22%, embora tenha registrado a segunda queda consecutiva. Ainda assim, o percentual permanece elevado e reforça a fragilidade dos pequenos negócios.
Alta do aluguel pesa no orçamento
O cenário também é influenciado pela trajetória dos preços. Em 2025, os aluguéis acumularam alta de 9,44%, acima da inflação. Com isso, o comprometimento da renda das famílias e empresas aumentou, elevando o risco de atrasos — especialmente em regiões onde a renda média já é mais apertada.
No Pará, esse movimento é sentido de forma mais intensa, já que grande parte do mercado de locação é formada por casas e pequenos pontos comerciais, mais expostos às oscilações econômicas.
Prevenção antes do contrato
Diante desse cenário, o debate no mercado imobiliário tem avançado para a prevenção da inadimplência. Para Guz, um dos principais gargalos ainda está nos processos tradicionais de análise. “Muitas avaliações continuam sendo feitas de forma manual, com checagens isoladas, o que aumenta a chance de contratos firmados já no limite da capacidade de pagamento”, afirma.
Soluções de automação e inteligência artificial vêm sendo utilizadas para cruzar dados financeiros e jurídicos antes da assinatura do contrato, permitindo uma análise mais ampla do risco. A ideia é ajustar exigências, garantias e valores à realidade do inquilino, reduzindo a probabilidade de atraso.
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