Amazônia concentra maior desafio do país para universalização do saneamento
Região Norte lidera indicadores críticos de esgoto e água potável, enquanto Abrema propõe fundo financiado por royalties do petróleo para viabilizar soluções estruturais
A região Norte do Brasil enfrenta atualmente um cenário crítico que a coloca como o maior desafio para a universalização do saneamento básico e a gestão de resíduos sólidos no país. Segundo Pedro Maranhão, presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), a Amazônia Legal detém os piores índices nacionais em diversos indicadores fundamentais: cerca de 80% do esgoto não recebe tratamento e, apesar da abundância hídrica característica da região, o acesso à água potável ainda é restrito para grande parte da população.
A geografia amazônica impõe barreiras que tornam a logística regional um "ponto fora da curva" em comparação ao restante do território brasileiro. A combinação de vastas distâncias, infraestrutura rodoviária precária e a dependência do transporte fluvial eleva substancialmente os custos operacionais de qualquer projeto de gestão de resíduos. Maranhão destaca que, para viabilizar aterros sanitários, é necessário superar o custo do transporte (OPEX), que muitas vezes inviabiliza soluções municipais isoladas e exige um modelo de regionalização.
Diante da magnitude do problema, a proposta defendida pela Abrema não se limita apenas a soluções técnicas, mas avança para o campo do financiamento estratégico. A sugestão central é a criação de um fundo específico para a universalização do saneamento na Amazônia, que utilizaria parte dos royalties provenientes da exploração de petróleo na margem equatorial.
Este modelo é inspirado na experiência da Noruega, que utiliza a riqueza gerada pelos combustíveis fósseis para financiar o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental. O objetivo é garantir que o estado do Pará e seus vizinhos alcancem as metas de descarbonização e saúde pública, tratando o lixo não como um problema "medieval", mas como uma oportunidade de desenvolvimento econômico.
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