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Paraense substitui itens de marca por produtos mais baratos

Consumidores trocam artigos caros por básicos, mas é preciso atentar para o que está se levando para casa, diz nutricionista

Valéria Nascimento

Produtos de menor valor, como o composto lácteo (alimento ultraprocessado) e o néctar de frutas, vêm ocupando mais espaço no carrinho de supermercado dos paraenses. Nestes estabelecimentos, não é difícil encontrar quem vem trocando marcas sofisticadas por populares, incluindo gêneros alimentícios do cotidiano, o que pode implicar na perda da qualidade nutricional da dieta alimentar.

O cenário de crise econômica, com alto índice de desemprego no Brasil, (9,8%), segundo levantamento do IBGE, de maio deste ano), aliado à inflação de 9,60%, no acumulado de 12 meses, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), neste mês de agosto, podem explicar o comportamento no ato de compra.

"A gente tem que ver o valor. Tipo assim, o Itambé, eu levava, acho que ele está uns 11 reais e pouco, eu não tenho certeza porque hoje eu nem olhei para ele. Vou levar o Elegê, que está R$ 6,35, eu tive que fazer esta troca", disse o motorista de empresa particular, Elton Guedes de Oliveira, 35 anos, casado e pai de duas crianças, enquanto pesquisava preços na noite de terça-feira passada (23), num supermercado da travessa Quintino Bocaiúva, no bairro da Cremação, em Belém.

Jogo de cintura

No mesmo estabelecimento, o técnico em refrigeração, Jones Cordeiro, 46 anos, estava de olho nas promoções nas prateleiras. "Eu achei que aumentou mesmo, de março para cá. E, ultimamente, acho que aumenta todo dia. Eu lembro daquela antiga inflação tão alta, que o cara não saia da maquininha, acho que a gente está chegando nesse nível. Tem que ter jogo de cintura", afirmou o trabalhador.

O que Jones observa, estando empregado formalmente, tem repercussões drásticas em grupos familiares em situação de vulnerabilidade extrema, afirma o nutricionista, Bruno Morais, com 11 anos de docência universitária, em Belém. 

“Hoje, nós estamos passando por um período em que a gente encontra famílias com fome e sem perspectivas de alimentação no dia a dia. Então, há a alternativa de alimentos mais baratos. É uma proposta de grandes marcas e de novas marcas mesmo”, afirmou o professor. 

“A fome tem dois padrões. Pela nutrição, a gente conhece a fome qualitativa e a quantitativa. A qualitativa é aquela em que se ingere alimentos que não oferecem suporte de vitaminas e minerais (itens industrializados, os fast foods), para uma alimentação equilibrada; na quantitativa, se tem carência de alimentos”, explicou o docente.

Alternativas aplacam a fome

Coordenador do curso de Nutrição da Universidade da Amazônia (Unama), o professor Bruno Morais enfatizou que se deve atentar para o teor nutricional dos produtos, mas ele não rechaça a alternativa de uma marca paralela para aplacar a fome das pessoas.

"O soro do leite em pó, o composto lácteo, são vendidos como alternativas. É claro que esses produtos são mais pobres nutricionalmente, mas eles são alternativas para as pessoas que precisam se alimentar, adquirir certas substâncias", seguiu o professor, acrescentando que a mesma coisa acontece com a carne.

Ele considera bem-vistas as alternativas de outros tipos de carnes, como a carne de porco, de vísceras e o próprio frango. "Elas não deixam nada a desejar em relação a componentes nutricionais comparada à carne bovina. Agora, não se pode dizer o mesmo sobre as carnes enlatadas ou as carnes vendidas em conserva, essas são de calorias vazias, como a gente chama. Elas têm um percentual bem menor de proteínas, vitaminas e minerais”, salientou. 

Bruno reprova a indução a erro praticada por algumas marcas. “Várias marcas divulgam produtos, que ficam nas prateleiras dos supermercados próximos a outros, que realmente são os produtos originais, de acordo com a legislação. Elas colocam letras menores (no rótulo) com o que, de fato, esses itens são", disse.

Enquanto isso, no supermercado, os paraenses estão de olho no preço. "Eu verifico onde está mais em conta, se não dá para eu pegar o que eu gosto, eu levo a similar. Assim, o feijão Gama Lopes, por exemplo, aqui está mais barato R$ 6,40. Num atacadão está R$ 7,00, noutro atacadão, R$ 8,00. É um real, mas faz a diferença, quando a gente vai juntando de um a um real", contou, também na noite da última terça-feira, a comerciária que atua como fiscal de caixa, Tamires Quaresma Lira, de 27 anos, grávida de seis meses. 

Economia
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