'Menos submissos e mais sonhadores': CEO do CIEE explica mudança no perfil de jovens aprendizes

Humberto Casagrande analisa a mudança geracional no mercado de trabalho e alerta para a falta de resiliência e habilidades socioemocionais

Gabriel da Mota

O perfil do jovem que ingressa no mercado de trabalho mudou radicalmente nos últimos 25 anos. Se antes a regra era a obediência silenciosa, hoje impera a busca por propósito e a expressão dos sonhos. A análise é de Humberto Casagrande, CEO do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em entrevista ao Grupo Liberal.

Segundo o especialista, essa "nova forma de ser" oxigena as empresas, mas traz desafios inéditos para gestores, pais e educadores. "O jovem do passado era muito mais submisso aos interesses da empresa, deixando as suas vontades meio de lado. Hoje não, ele é uma pessoa muito mais altiva", explica.

No entanto, essa postura mais exigente muitas vezes esbarra em uma fragilidade emocional. Casagrande aponta que, embora queiram se expor e falar o que pensam, muitos jovens chegam com gaps de formação e baixa tolerância à frustração.

"O jovem hoje tende a ser pouco resiliente, ou seja, às primeiras dificuldades ele tende a desistir. Precisa mostrar que nem sempre as coisas acontecem na primeira ou na segunda tentativa", alerta o CEO.

Para equilibrar essa balança entre a altivez e a falta de preparo emocional, o foco da aprendizagem deixou de ser apenas técnico. O antigo modelo de formar o jovem "tarefeiro" — aquele que apenas executa funções — deu lugar ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais (soft skills), como trabalho em equipe e noções de hierarquia.

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