Mais de 116 mil universitários no Pará enfrentam dívidas para manter estudos

Serasa reúne mais de 7,4 milhões de ofertas de dívidas de universidades para estudantes negociarem com descontos

Fabyo Cruz

O início do ano letivo, marcado pelo período de rematrículas nas universidades, tem sido também um momento de alerta para milhares de estudantes paraenses. Um levantamento da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, aponta que 66% dos universitários com dívidas ativas junto a instituições de ensino já precisaram cortar gastos básicos, como alimentação, transporte, água e energia, para conseguir pagar as mensalidades. No Pará, o número de estudantes endividados chega a 116.584.

A inadimplência impacta diretamente a permanência desses estudantes na universidade. Dados da pesquisa mostram que 48% dos endividados chegaram a trancar o curso por não conseguirem manter os pagamentos em dia. Além disso, 26% afirmam que tiveram dificuldades de concentração nas aulas devido à preocupação constante com as pendências financeiras, o que compromete o rendimento acadêmico.

Em Belém, a estudante de jornalismo Jhuly Cavalcante, de 21 anos, relata que a dificuldade em equilibrar as contas faz parte da sua rotina. Sem apoio financeiro da família, ela depende exclusivamente da renda do estágio para custear os estudos. “Diversas vezes estou com algumas pendências em atraso, na qual estou tentando renegociar. Porém, os juros estão cada vez mais altíssimos”, afirma. Para continuar frequentando a universidade, Jhuly precisou adotar medidas drásticas de contenção de gastos. “No momento, cortar gastos por fora. Como por exemplo, lazer, passeios, compras pessoais”, explica.

Segundo a pesquisa, 85% dos estudantes são os únicos responsáveis pelas despesas da universidade. O desemprego aparece como o principal fator do endividamento, citado por 28% dos entrevistados. Outros 21% afirmam que precisaram priorizar contas básicas, enquanto 10% relatam redução de renda e 9% apontam desorganização financeira como causa das dívidas.

O impacto do endividamento vai além da vida acadêmica. A pesquisa aponta que 91% dos universitários afirmam que a situação afetou a saúde mental. Além disso, 61% das dívidas com instituições de ensino estão pendentes há mais de um ano, sendo que 18% ultrapassam cinco anos. Em 71% dos casos, o valor devido chega a até R$ 5 mil.

Apesar das dificuldades, o desejo de regularizar a situação financeira é quase unânime entre os estudantes. De acordo com o levantamento, 89% consideram muito importante quitar as dívidas com a instituição de ensino, e 57% pretendem retomar os estudos ainda este ano.

Ofertas de negociação de dívidas

Como alternativa para enfrentar o problema, a Serasa reúne mais de 7,4 milhões de ofertas de negociação de dívidas educacionais em parceria com 78 instituições de ensino em todo o país. A iniciativa permite descontos que podem chegar a até 90% por meio da plataforma Serasa Limpa Nome. No Pará, estão disponíveis mais de 300 mil ofertas voltadas exclusivamente para universitários endividados, o que pode representar uma chance concreta de retomada da vida acadêmica sem pendências financeiras.

Para especialistas, aliviar a pressão econômica é essencial para garantir a permanência dos estudantes no ensino superior. “Quando a preocupação financeira é reduzida, há mais espaço para focar nos estudos, preservar a saúde mental e planejar o futuro com segurança”, destaca Rodrigo Costa, especialista da Serasa em educação financeira.

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