Imposto da gasolina ultrapassa R$ 1,50 em 2026 e preocupa os paraenses

Com o reajuste, na prática, a gasolina agora pode passar a custar cerca de 2% a mais em Belém

Gabi Gutierrez
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O reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis entra em vigor em 1º de janeiro de 2026 e já começa a preocupar os consumidores de Belém. A partir desta data, o imposto será de R$ 1,57 por litro de gasolina e R$ 1,17 por litro de diesel, valores baseados nos preços médios nacionais praticados no varejo no ano anterior. Embora ainda não aplicado na maioria dos postos da capital, o aumento já preocupa os motoristas belenenses.

Na prática, a gasolina pode passar a custar cerca de 2% a mais, considerando apenas o impacto do reajuste do imposto no preço final ao consumidor. Um preço médio de R$ 6,00 por litro de gasolina foi levantado pelo Departamento Intersindical de Economia e Estatística (Dieese) em outubro de 2025.

Esse aumento do imposto ocorre todos os anos. A legislação prevê a atualização anual da alíquota com base nos preços médios da gasolina no país, definindo um valor fixo por litro válido em todo o Brasil. Embora vise padronizar a cobrança, o custo tende a ser repassado ao consumidor final, influenciando o preço na bomba.

Como o reajuste afeta o preço ao consumidor?

Em um exemplo hipotético, se o litro da gasolina custava R$ 6,00 antes do reajuste, com a nova alíquota de R$ 1,57 em 2026, o combustível teria um aumento de R$ 0,12 no custo. Mantendo os demais custos inalterados, o preço final poderia, então, passar para cerca de R$ 6,12 por litro.

Impacto no salário: Consumidores sentem o peso do combustível

Para quem depende do carro para trabalhar, a alta tem efeito direto no orçamento. O carpinteiro Ediomar Lobo afirma que o veículo é essencial para a execução dos serviços e deslocamentos diários. Segundo ele, o gasto mensal apenas com abastecimento gira em torno de R$ 700, valor que pesa significativamente no orçamento familiar.

“O carro é fundamental no meu trabalho, mas acaba tirando uma parte do salário. Com esse aumento, fica ainda mais difícil”, relata Ediomar.

image Ediovan é carpinteiro e diz que o carro é fundamental para sua atuação profissional e o aumento reflete diretamente no valor da mão de obra (Foto: Cristinop Martins | O Liberal)

Diante da nova realidade, ele diz que será necessário recalcular custos e repensar a forma de precificar o serviço. “Não tem como. A gente acaba tendo que repassar um pouco para o consumidor”, afirma.

Motoristas de aplicativo: Desafio diário com a alta

A pressão também é sentida por quem trabalha nas ruas. O motorista de aplicativo Caio Vinícius Barbosa, que atua há quase um ano, explica que a gasolina é o principal custo da atividade. “É um gasto diário. Eu diria que mais de 60% da renda acaba indo só para o combustível”, detalha.

Com o reajuste do ICMS, Caio ressalta que o planejamento financeiro se torna ainda mais necessário para evitar endividamento. “Planejamento é o melhor caminho para não virar uma bola de neve”, avalia.

image Caio é motorista de aplicativo há pelo menos 1 ano revela que aposta na organização para controlar as finanças em 2026 (Foto: Cristino Martins | O Liberal)

Entenda a cobrança anual do ICMS sobre combustíveis

Desde 2022, o ICMS dos combustíveis é cobrado por alíquota ad rem, um valor fixo por litro, e não mais um percentual sobre o preço final. O modelo é atualizado anualmente a partir dos preços médios divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Segundo o Comsefaz, embora o formato traga previsibilidade, ele pode gerar defasagens e perdas de arrecadação para estados e municípios. A equipe de reportagem entrou em contato com o Sindicato dos Postos de Combustíveis do Pará (Sindicombustíveis) para um posicionamento, mas não obteve resposta até o momento. A matéria segue em atualização.

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