Frete, mão de obra e COP 30: preço de materiais de construção segue pressionado em Belém em 2026

Efeitos do evento climático internacional, aumento do frete e escassez de mão de obra mantêm custos elevados; setor espera acomodação dos valores a partir de março

Jéssica Nascimento

O preço dos materiais de construção continua elevado em Belém no início do ano. O cenário é resultado de fatores que se acumularam ao longo do último ano, como a realização da COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) na capital paraense, o aumento do custo do frete e a escassez de mão de obra na construção civil. Empresários do setor avaliam que os valores ainda refletem a forte demanda de 2025, mas acreditam em uma possível estabilização ao longo dos próximos meses.

COP 30 pressionou preços e serviços

A preparação da cidade para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em Belém em novembro de 2025, provocou uma corrida por obras públicas e privadas. Esse movimento aumentou a procura por profissionais da construção civil e por materiais, elevando os custos.

Segundo o diretor comercial Isan Anijar, de uma loja paraense especializada em revestimentos, acabamentos, mármores, granitos e decoração, o impacto ainda é sentido no mercado.

image Isan Anijar. (Foto; Thiago Gomes)

“Tivemos um momento especial no ano passado, que foi a COP 30. Com a COP subiu muito o preço dos produtos e principalmente dos serviços. A mão de obra encareceu muito pela carência que houve”, afirma.

Ele explica que a demanda por obras foi intensa, especialmente para atender hotéis, bares, restaurantes e projetos de infraestrutura ligados ao evento.

“Durante a COP a gente não conseguia mão de obra. Havia muitas obras para serem entregues, principalmente do governo do estado e da prefeitura de Belém”, diz.

Tendência de acomodação no mercado

Apesar do cenário ainda pressionado, o setor começa a perceber sinais de normalização no mercado de trabalho da construção civil.

De acordo com Anijar, a disponibilidade de profissionais começou a melhorar no início de 2026.

image (Foto: Thiago Gomes)

“A gente acredita que agora, a partir de março, comece a se acomodar esses preços. Já em janeiro e fevereiro começamos a sentir que a mão de obra está voltando à normalidade”, afirma.

A expectativa é que, com a redução da demanda excepcional gerada pela COP 30, os preços passem gradualmente por um processo de estabilização.

image Jailson Silva, supervisor de vendas de uma loja paraense especializada em revestimentos, acabamentos, mármores, granitos, móveis de design e decoração. (Foto: Thiago Gomes)

Frete mais caro também pesa no bolso

Outro fator que tem influenciado os custos dos materiais de construção é o aumento do preço do transporte de mercadorias. O frete mais caro, associado ao aumento do diesel, tem impacto direto nos valores finais dos produtos.

“O frete que a gente pagava cerca de R$ 800 por tonelada hoje está saindo por volta de R$ 1.000. Isso impacta diretamente no preço final”, explica o empresário.

Ele ressalta que a alta está ligada ao cenário internacional e ao aumento no custo dos combustíveis.

image (Foto: Thiago Gomes)

Revestimentos e planejados entre os mais afetados

Entre os produtos que mais sofreram variação de preço estão os itens que dependem de maior mão de obra ou transporte mais caro.

“Todos os materiais que envolvem custo alto de mão de obra estão impactados. No nosso caso, principalmente a parte de planejados e também os revestimentos, por causa do frete”, afirma.

Os valores podem variar bastante dependendo do material e da qualidade. Pedras naturais, por exemplo, custam entre R$ 100 e R$ 400 o metro quadrado. Já mármores e granitos podem variar de R$ 500 a R$ 1.500 o metro quadrado.

image (Foto: Thiago Gomes)

Outros revestimentos também apresentam grande variação de preços, como porcelanatos, que vão de R$ 60 a R$ 200 o metro quadrado, e pisos vinílicos, com valores entre R$ 70 e R$ 120.

Estratégias para manter vendas

Diante da pressão inflacionária, empresas do setor buscam alternativas para manter as vendas e evitar perda de clientes.

Uma das estratégias adotadas por lojistas é oferecer melhores condições de pagamento.

“A gente sempre busca uma maneira de viabilizar para o cliente, porque existe hoje uma pressão mais forte da inflação sobre os materiais de construção. Então tentamos compensar isso para não cair o volume de vendas”, explica Anijar.

Segundo ele, o parcelamento tem sido uma ferramenta importante para reduzir o impacto imediato dos aumentos no orçamento dos consumidores.

Cabos elétricos lideram reajustes no varejo

No comércio de materiais de construção, alguns produtos específicos já apresentam reajustes mais expressivos, especialmente itens ligados à parte elétrica e metálica.

Carlos Rodrigo, gerente de uma loja de material de construção em Belém, explica que, de forma geral, ainda não houve uma mudança significativa nos preços dos produtos básicos. “Até esse momento não identificamos nenhum aumento nem queda nesses produtos básicos”, afirma.

Segundo ele, as lojas têm adotado estratégias para absorver parte dos custos e evitar repasses imediatos ao consumidor.

“Em alguns produtos estamos reduzindo nossas margens de venda, principalmente os produtos de curva A. Outros estão sendo ajustados e repassados ao cliente quando chega a reposição dos produtos”, explica.

Entre os itens que tiveram maior impacto de preço estão os cabos elétricos, que dependem diretamente do valor de matérias-primas como o cobre. “No momento inicial, o produto que mais sofreu reajuste foram o cobre e os metais, mas o principal foram os cabos elétricos”, diz.

De acordo com Rodrigo, o aumento nesses itens chegou a cerca de 15%.

“Realmente a categoria que sofreu o maior reajuste foram os cabos elétricos. O aumento foi em torno de 15%”, afirma.

Outros produtos metálicos também tiveram reajustes, embora em menor escala. “Em seguida vieram os metais, cadeados e fechaduras, com aumento entre 8% e 10%”, detalha.

Apesar dessas altas, o custo do transporte ainda não impactou diretamente o varejo local.

“Referente aos custos de transporte, ainda não sentimos esse aumento. Vai depender de fatores externos, como o conflito no Oriente Médio”, explica.

Ele acrescenta que a política de redução de tributos sobre o combustível ajudou a evitar reajustes imediatos. “Com a tarifa zerada do PIS/Cofins do diesel feita pelo governo federal, ainda não sentimos esse aumento na ponta. Até o momento também não temos nenhuma sinalização das transportadoras referente ao aumento do frete”, afirma.








 

 

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