Fim da 'taxa das blusinhas' ameaça empregos, diz CNC
Segundo estudo da CNI, a cobrança sobre remessas internacionais teria contribuído para preservar cerca de 135 mil empregos no país
O governo federal anunciou o fim da chamada “taxa das blusinhas”, nesta terça-feira (12) e passa a valer a partir desta quarta-feira (13). Embora tenha sido comemorada pelos consumidores, entidades do setor produtivo avaliam que a mudança pode trazer efeitos negativos para a economia e o mercado de trabalho no Brasil.
Representantes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmam que a tributação sobre importados de baixo valor ajuda a reduzir a concorrência considerada desigual entre produtos estrangeiros e nacionais.
Entidades do comércio e da indústria alertaram que a redução da taxação pode colocar empregos em risco e ampliar a pressão sobre pequenos e médios negócios.
Segundo estudo da CNI, a cobrança sobre remessas internacionais teria contribuído para preservar cerca de 135 mil empregos no país, além de evitar R$ 4,5 bilhões em importações e manter quase R$ 20 bilhões circulando na economia nacional.
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a retirada da taxa pode aumentar distorções no mercado.
“A extinção dessa taxa não contribuiu para promover a isonomia tributária esperada pelo setor produtivo nacional e tende a acentuar o diferencial de carga tributária entre o Brasil e outros países, fragilizando a economia e comprometendo renda e empregos”, afirmou.
O setor também chama atenção para os impactos regionais, especialmente no Nordeste, onde polos industriais como o Agreste Pernambucano dependem fortemente da indústria têxtil e de confecção.
Para as entidades, o desafio é equilibrar o acesso do consumidor a produtos mais baratos com a proteção da produção nacional e da geração de empregos no país.
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