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‘Feira no WhatsApp’: vendas chegam a triplicar com delivery na Grande Belém

Estratégia de vendas online atrai clientes em busca de praticidade e garante o crescimento acelerado de bancas tradicionais da capital

Gabriel da Mota
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A tradição das feiras livres na região metropolitana de Belém ganhou um novo aliado tecnológico: o WhatsApp e os sites de venda direta. Para manter o faturamento e alcançar consumidores que priorizam a praticidade, feirantes investem no delivery (entrega em domicílio) de frutas, legumes e verduras, transformando o atendimento direto no balcão em transações digitais rápidas. A estratégia acompanha a tendência nacional de consumo, onde 62% dos usuários já realizam compras pelo aplicativo, e permite que o cliente receba produtos regionais, como a pupunha, sem precisar sair de casa.

O processo de venda é dinâmico e focado na fidelização. Na feira da avenida Romulo Maiorana, em Belém, a Fruteira Marisol envia vídeos detalhados para os clientes cadastrados toda quinta-feira, mostrando a qualidade das frutas disponíveis no dia. Itens como banana prata, mamão, abacate, abacaxi, manga e a laranja paulista estão entre os mais pedidos. Após a escolha, a separação é feita manualmente e a entrega ocorre via aplicativos de transporte ou veículos próprios, dependendo do volume da compra.

“A gente faz um vídeo de toda a barraca, mostrando as frutas que temos disponíveis, e enviamos para os clientes já fidelizados. O cliente faz a lista, coloca a quantidade de cada item que ele vai querer, a gente faz a separação e manda fazer a entrega”, explicou o feirante Alex Tavares, que gerencia as vendas online da família na capital paraense.

image Na feira da avenida Romulo Maiorana, em Belém, a Fruteira Marisol envia vídeos detalhados para os clientes cadastrados toda quinta-feira, mostrando a qualidade das frutas disponíveis no dia (Wagner Santana / O Liberal)

Vendas online triplicam o faturamento

O investimento em marketing digital e tráfego pago trouxe resultados expressivos para os negócios locais. Segundo Alex Tavares, a clientela triplicou após a banca profissionalizar a presença no Instagram e no WhatsApp. O movimento é sustentado por um público que não quer apenas o produto, mas a facilidade de recebê-lo. Segundo a pesquisa 'WhatsApp no Brasil 2025', realizada pela Opinion Box, 97% dos usuários acessam o app diariamente, o que torna a vitrine digital dos feirantes onipresente na vida do consumidor.

“Falando em quantidade de clientes, dobrou e depois triplicou. A gente tem uma clientela que gosta de vir aqui, ter esse contato, mas também tem muito cliente online, porque tem gente que não gosta de sair de casa para comprar, ou não quer perder esse tempo”, afirmou o empreendedor.

image Segundo o feirante Alex Tavares, responsável pelo marketing da banca, a clientela triplicou após a banca profissionalizar a presença no Instagram e no WhatsApp (Wagner Santana / O Liberal)

Pandemia impulsionou o uso de sites

Em Ananindeua, o cenário de digitalização segue o mesmo ritmo. O empreendedor Gilson Leão, proprietário da Nossa Feira Frutaria, localizada na Cidade Nova 8, relata que, embora já oferecesse o serviço de entrega antes, a aceitação do público explodiu nos últimos anos, impulsionada por ferramentas como o carrinho de compras do WhatsApp, lançado no fim de 2020. O receio inicial do consumidor em receber produtos estragados foi superado pela garantia de qualidade. Ainda segundo a pesquisa da Opinion Box, hoje, 80% dos brasileiros usam o app para falar com empresas, o que facilita essa relação de confiança.

“A aceitação não era tão boa devido às pessoas ainda quererem escolher a fruta pessoalmente, por receio de receber mercadoria ruim. Porém, a pandemia veio e deu essa alavancada no delivery. Naquela época foi tudo pelo WhatsApp, mas a correria era muito grande para responder e preparar os pedidos, então hoje a maioria dos pedidos já é feita pelo nosso site”, detalhou Gilson Leão.

Agilidade e confiança no atendimento

A evolução do WhatsApp para o site próprio permitiu que a equipe de Gilson dobrasse de tamanho para atender a demanda em Ananindeua, Belém e Marituba. De acordo com o empreendedor, o perfil majoritário de compradores é formado por mulheres entre 30 e 40 anos. 

“A gente tem fotos dos produtos que trabalha e evita mandar mercadoria muito madura por conta do transporte. Se chegar machucado na casa do cliente, a gente dá garantia de troca, fazemos a reposição do produto sem problema nenhum. No site, o cliente escolhe como se estivesse fazendo uma compra de uma pizza, o que dá agilidade para a gente”, finalizou Gilson.

Consumidoras buscam praticidade

A advogada Alba Norat, 44, é um exemplo de como o marketing digital atrai novos perfis para a feira. Embora já conhecesse o ambiente físico, foi por meio de um anúncio no Instagram que ela estabeleceu o contato fixo com a banca de Alex. Hoje, Alba recebe semanalmente vídeos com os produtos disponíveis e realiza o pedido de itens que não podem faltar em sua rotina, como banana, mamão, abacate e a pupunha.

“Os prós são a facilidade que a gente tem de não precisar se deslocar e o produto chegar direito em casa. Às vezes a vida é tão corrida que a gente não tem tempo de parar para poder fazer isso. Ele [o feirante] é bem sincero e chega e diz quando o produto não está bom, então dá para confiar. Quando algo não vem do meu agrado pelo transporte, ele já me dá um desconto ou manda uma melhor na próxima compra”, relatou a advogada.

Diferente de Alba, a professora aposentada Lúcia Chaves, 69, já era uma freguesa antiga da banca física antes de aderir à modalidade virtual. Moradora das proximidades da feira da Romulo Maiorana, ela costumava ser atendida presencialmente, mas viu na venda online uma forma de otimizar o tempo sem abrir mão da qualidade que já conhecia. Para ela, a segurança de receber um produto selecionado é o maior diferencial do serviço.

“Quando tomei conhecimento das vendas online, comecei a comprar por meio dessa modalidade, o que me ajuda muito porque poupa tempo e as compras têm a mesma qualidade. A entrega é rápida e nem me preocupo em escolher as frutas porque sei que lá só vende fruta de boa qualidade. Recebo os vídeos toda semana e escolho o que a família gosta, principalmente o mamão e a banana para repartir com os passarinhos”, contou a aposentada.

Por que o WhatsApp está virando a ‘nova feira’?

  • Onipresença: 99% dos brasileiros online utilizam o aplicativo.
  • Hábito diário: 97% dos usuários acessam a ferramenta pelo menos uma vez ao dia.
  • Conversão: 62% dos brasileiros já compraram algum produto pelo app.
  • Relacionamento: 80% das pessoas usam o canal para tirar dúvidas com empresas.
  • Agilidade: Funções de catálogo e carrinho de compras facilitam pedidos complexos, como os de hortifruti.

Fonte: pesquisa ‘WhatsApp no Brasil 2025’ (Opinion Box)

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