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Empreendedorismo é alternativa contra a LGBTI+fobia no mercado de trabalho

Para a secretária nacional dos Direitos LGBTQIA+, Symmy Larrat, além dos desafios enfrentados pela maioria da população brasileira, como a falta de acesso à educação, pessoas LGBTQIA+ ainda possuem um obstáculo ainda mais profundo: a dificuldade de poder ser quem são no ambiente de trabalho.

Gabriel da Mota
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Até 17 de maio de 1990, a homossexualidade integrava o Código Internacional de Doenças (CID), regulamentado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A data, que em 2010 se tornou o Dia Internacional contra a Homofobia, simboliza a luta de lésbicas, gays, transgêneros, queers, intersexos e assexuais contra o preconceito e seus efeitos, até os dias de hoje. Manter-se no mercado de trabalho, sem medo de expressar a própria identidade, ainda é um desafio para muita gente.

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“Quando a gente fala de uma pessoa LGBTQIA+ no mercado de trabalho, a gente tem que dar um passo para trás”, afirma Marcos Melo, presidente da ONG Olivia (Organização da Livre Identidade e Orientação Sexual do Pará). “Desde a educação básica, a escola não está preparada para dialogar sobre diversidade e inclusão sexual. A partir disso, é frequente a evasão de pessoas LGBTQIA+, que sofrem muito preconceito, e isso impede que elas alcancem o ensino superior e, às vezes, até o ensino médio”, acrescenta.

Para Marcos, a realidade local de políticas afirmativas para empregabilidade de pessoas LGBTI+ é ainda mais desafiadora. “A gente vê essa discussão em empresas nacionais e internacionais, mas pouco aqui no Pará. Isso torna o ambiente corporativo pouco atrativo e, muitas vezes, fechado mesmo”, opina. Melo ressalta que, no espectro LGBTQIA+, as mulheres trans são as que mais sofrem preconceito, somando-se a violência de gênero à transfobia.

A artista visual e designer, Danyllo Bemerguy, 30, identifica-se como uma pessoa não binária (não se enquadra nem no gênero masculino, nem feminino). Antes de se graduar em Publicidade, em 2019, elu já trabalhou de carteira assinada em uma empresa de refrigeração para veículos. “Na época, eu me identificava como homem cis gay e não tinha intimidade com esse universo, predominantemente masculino e heteronormativo. Algumas pessoas se surpreendiam com o fato de eu conseguir conversar sobre qualquer assunto, por exemplo. É como se nós, LGBTQIA+, só falássemos sobre sexo e assuntos banais”, reflete.

Há dois anos, Danyllo decidiu ser microempreendedora individual (MEI). A opção pela autonomia profissional passou por questões financeiras e de saúde mental. “Além das jornadas intensas pra ganhar pouco, a gente tem que ouvir, calada, algumas coisas de clientes, incluindo preconceitos. Fora os formulários de inscrição que, desde o início, já te limitam no gênero masculino ou feminino”, justifica. Sendo a primeira pessoa da família (por parte de mãe) a ingressar no ensino superior, Danyllo acredita que a educação é um lugar de conquista. “Poucas pessoas chegam nesse lugar e, sem dúvida, a formação te capacita pra enfrentar o mundo”, conclui.

Dificuldade a mais

image Legenda (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Para a secretária nacional dos Direitos LGBTQIA+, Symmy Larrat, além dos desafios enfrentados pela maioria da população brasileira, como a falta de acesso à educação, pessoas LGBTQIA+ ainda possuem um obstáculo ainda mais profundo: a dificuldade de poder ser quem são no ambiente de trabalho.
”A dificuldade de acesso a direitos básicos como educação, qualificação profissional, saúde, já afasta as pessoas do mundo do trabalho. Além disso, quando as pessoas LGBTQIA+ conseguem chegar nesse lugar, elas sofrem por não poderem ser quem são, que se refletem em dificuldades de acesso a direitos de maneira igualitária, sobretudo no caso de casais homoafetivos e a dificuldade de ascensão na carreira”, explica.

Sobre a opção de empreendedorismo face ao mercado formal, a secretária do governo federal acredita que seja uma forma de obter mais autonomia, além de distanciar-se das regras de um mercado formal nocivo para as pessoas LGBTI+. “O empreendedorismo é uma opção porque é uma maneira mais autônoma de geração de renda e de sustentação, de autonomia financeira. O mercado de trabalho formal requer diversas regras que excluem a nossa existência, que muitas vezes oprime as LGBTIQA+. Por isso ser chefe de si mesmo é algo que diminui as gerações de preconceito”, explica Symmy.

Mercado para LGBTQIA+ no Pará 

A Secretaria Estadual de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (SEASTER) informou, em nota, que não possui dados de empregabilidade LGBTQIA+ no Pará, cujas vagas são gerenciadas por meio do Sine (Sistema Nacional de Emprego). Procuradas pela reportagem, as secretarias estaduais SEIRDH (Igualdade Racial e Direitos Humanos), SEAC (Articulação da Cidadania), SECTEC (Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica) e SEMU (das Mulheres) não informaram, até o fechamento deste texto, quais políticas públicas implementam para inclusão de LGBTI+ paraenses no mercado de trabalho.

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