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Descubra como levar seu empreendimento paraense para os Estados Unidos 

Contador especializado em tributação internacional orienta sobre como evitar erros cruciais para não fechar a porta no primeiro ano do negócio

Valéria Nascimento
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Você já pensou em internacionalizar o seu negócio? O contador tributário, credenciado pelo tesouro americano, Claudemir Ramos, atende empresários brasileiros e afirma que, cada vez mais, paraenses investem no competitivo mercado dos Estados Unidos. Ele destaca a boa oportunidade para o açaí em Miami e para abertura de franquias, entre outros empreendimentos para quem deseja empreender nos EUA.

O açaí tem uma exportação massiva para os Estados Unidos, diz Ramos, sócio de uma empresa prestadora de serviço de consultoria contábil e tributária especializada para estrangeiros, com sede na Brickell Avenue, bairro no coração financeiro de Miami.

“Mais de 70% das exportações do açaí são para os EUA. O açaí é super aceito pelo americano. Outros produtos paraenses da linha de frutas também são muito aceitos, como o abacaxi e o cacau. A gente fala muito do açaí porque realmente ele é o boom da vez e tem crescido bastante. Inclusive já há várias franquias de açaí espalhadas pelos Estados Unidos, e outros produtos também crescem.

Segundo Claudemir, dentro dos Estados Unidos, Miami é a cidade que mais importa açaí, no estado da Flórida. Isso devido ao porto, um dos maiores do mundo, considerado um hub de entrada. "A cidade tem inúmeros estabelecimentos que vendem o açaí, tanto de paraenses quanto de americanos mesmo".

EUA absorveram mais de US$ 1 bilhão das exportações paraenses em 2025

Claudemir Ramos é um entusiasta do crescimento do mercado exterior paraense. Em 2025, o Pará registrou um saldo comercial histórico de 21 bilhões de dólares, de acordo com a Federação das Indústrias do Pará (Fiepa). O setor mineral segue liderando a pauta de exportações, mas produtos agroindustriais se destacaram, como a carne bovina, soja e madeira.

E se a bola da vez nos EUA é o açaí, os EUA absorveram mais de US$ 1 bilhão das exportações paraenses em 2025, com destaque para o fruto paraense. No comércio exterior, os principais parceiros comerciais do Pará são a Ásia que, em 2025, comprou US$ 14,94 bilhões, ou 61,67% das vendas externas, com destaque para China, Malásia e Japão como principais mercados, impulsionados pela demanda por minério de ferro, cobre e soja. Em seguida, vêm a Europa e os Estados Unidos.

“Os Estados Unidos são o terceiro maior parceiro comercial do Pará, mas uma parceria ainda pequena, se você analisar em relação à China. Então, tem muito campo aqui nos Estados Unidos para o paraense”, afirma o contador tributário.

Em 2025, conforme a Fiepa, o Pará manteve a terceira posição no ranking nacional de saldo comercial, e ficou em 5º lugar em exportações e na 13ª colocação em importações.Na região Norte, o estado segue como líder absoluto e o segundo maior exportador entre os estados da Amazônia Legal.

Flórida, Califórnia e Nova Iorque

De acordo com Claudemir Ramos, além da expressiva presença comercial de açaí em Miami, há destaque também na Califórnia e em Nova Iorque, onde o açaí é bastante prestigiado pelos americanos.

"O americano aprendeu a gostar do açaí e tem dado muita relevância a esse produto. É um mercado que tem crescido e ainda tem espaço para crescer. O Pará exporta 70% do produto aqui para os Estados Unidos, mas existe campo para ser ainda exportado. Por mais que tenhamos visto um crescimento exponencial de franquias, ainda tem muito mercado para crescer”.

Para o público do Pará que planeja investir, a dúvida principal é o custo. Segundo Ramos, a formalização básica na Flórida flutua entre US$ 600 e US$ 3.000. Esses valores servem para a abertura do negócio, pagamento das licenças iniciais. Esse custo não inclui a locação de um espaço físico. “O que nós sempre sugerimos para quem não mora nos EUA, que inicie uma operação online”, orienta o contador.

A partir do Brasil, do Pará, e de outros estados brasileiros é possível dar o pontapé inicial, com a abertura de uma empresa online. “Os custos iniciais variam entre 600 e 3 mil dólares. Nós alertamos esse empresário para no primeiro ano, ter uma reserva entre 10 mil e 15 mil dólares. Para quê? Para ele cobrir os gastos burocráticos com registros, com a empresa de contabilidade e assessoria fiscal e também para o marketing inicial da empresa. Naturalmente, estamos falando aqui da abertura de uma empresa num processo online”, enfatiza Claudemir.

Desafios para entrar no mercado americano

Vontade. Planejamento e Resiliência. Esse é o pilar do processo para quem quer empreender no mercado exterior. Claudemir também enfatiza que é indispensável ter um profissional que possa auxiliar o empreendedor no processo de abertura do negócio e das licenças que ele precisará para licenciar produtos.

"Existem três erros principais que nós sempre abordamos e podem complicar a vida de quem quer empreender. O primeiro é a falta de planejamento, começar o negócio sem um plano prévio para suportar o negócio ao longo do primeiro ano, que é o ano de maior desafio. O segundo, querer fazer tudo sozinho”.

“Muitos casos chegam em nosso escritório: o cliente abriu a empresa sozinho através de sites online e aí quando ele chega até nós, já deixou passar uma série de obrigações, e,por isso, já levou multas pesadíssimas da receita federal americana”.

Ele complementou: “O terceiro erro é linkado ao segundo. É você deixar de entregar as obrigações aqui nos EUA. O governo americano é super aberto para a abertura de negócio, mas ele é muito crítico em relação a quem deixa de cumprir as obrigações. Há obrigações que custam 25 mil dólares a multa. E isso pode ser uma catástrofe na vida de quem está começando. Por outro lado, diferente do Brasil, nos EUA, tributa-se o lucro líquido, se não teve lucro, não paga imposto. Isso é um fôlego enorme para quem está começando", diz o especialista da CR.

Dicas para o empreendedor paraense:

Contrate Consultoria: Não tente entender o sistema americano sozinho.

Foque no Online: Comece vendendo pela internet antes de assumir o custo de um ponto físico.

Certificações: Garanta que seu produto (açaí, castanha, óleos) tenha todos os selos sanitários exigidos.

Para quem busca expandir os horizontes, o recado de Claudemir Ramos é claro: o mercado americano valoriza a sustentabilidade da Amazônia, mas não perdoa a falta de conformidade fiscal.

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