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Comércio deve contratar pouco no Dia das Mães e concentrar vagas no fim do ano no Pará

Cenário econômico segura admissões no curto prazo; último trimestre pode gerar até 10 mil vagas temporárias em Belém

Maycon Marte
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As contratações temporárias no comércio do Pará devem avançar de forma tímida em maio, mesmo com a proximidade do Dia das Mães. A leitura das entidades empresariais é de que o cenário econômico ainda impõe cautela, especialmente diante dos juros elevados e do alto nível de endividamento das famílias. Dados da Pesquisa Índice de Confiança e Expectativa dos Empresários do Comércio - ICEC, elaborada pela Fecomércio PA/CNC, no Indicador de Contratação de Funcionários, projeta uma expectativa baixa com 0,8% em relação ao mês anterior.

A avaliação é reforçada pela assessora econômica da Federação do Comércio de Bens, de Serviços e de Turismo do Pará (Fecomércio-PA), Lúcia Lisboa. Segundo ela, o momento não é de expansão significativa nas equipes.

“As contratações temporárias seguem um padrão sazonal, apesar do próximo mês de maio ser de aumento na demanda para o comércio varejista, em função do Dia das Mães, mas não há expectativas quanto à contratação significativa na modalidade de contratação temporária, em parte, o aperto da política monetária com altas taxas de juros e o alto nível de endividamento do consumidor de certa forma freia um pouco as decisões de contratação agora em maio”, avalia Lisboa.

Apesar do baixo indicador de contratação, o calendário regional sustenta alguma movimentação a partir de maio. Com o fim mais intenso do inverno amazônico, cresce o número de eventos, viagens e atividades econômicas, o que amplia a demanda por serviços e vendas.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belém destaca que esse período marca um segundo ciclo de contratações, ainda que menos intenso que o do fim do ano. “O segundo pico acontece entre maio e junho. É comum aqui em nosso estado ocorrer contratações após o inverno amazônico, ou seja, a partir de maio, quando há um aumento do fluxo de eventos, realização de negócios, que demanda por contratação de força de vendas”, informa a entidade, diz o porta-voz da entidade Edson Nogueira, em resposta oficial  .

O principal período de geração de vagas, no entanto, segue concentrado entre outubro e dezembro. Datas como o Dia das Crianças, o Círio de Nazaré, a Black Friday e o Natal impulsionam o consumo e levam o comércio a reforçar suas equipes. Só em novembro, cerca de 40% das vagas temporárias do ano são abertas  .

Nesse intervalo, os setores mais demandados são vestuário, calçados, supermercados e eletroeletrônicos, além de serviços como bares, restaurantes e hotelaria. A logística também ganha protagonismo, impulsionada pelo avanço do comércio eletrônico.

Em números, segundo a CDL, o último trimestre concentra crescimento entre 15% e 20% nas contratações temporárias, podendo chegar a 25% em cenários mais aquecidos. Em Belém, a estimativa é de abertura entre 6 mil e 10 mil vagas. Parte dessas oportunidades tende a se consolidar: cerca de 30% dos trabalhadores são efetivados após o período, dependendo do desempenho e da manutenção da demanda.

O cenário, portanto, mantém o padrão dos últimos anos: início mais contido, recuperação gradual ao longo dos meses e aceleração no fim do calendário, quando o consumo dita o ritmo das contratações.

Inclusão

O balanço dos representantes locais contrasta com a avaliação nacional divulgada pela Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem), que projeta estabilidade nas contratações temporárias, no segundo semestre deste ano. “A expectativa é que sejam firmados cerca de 600 mil contratos temporários entre abril, maio e junho, acompanhando o patamar registrado no mesmo período de 2025”, aponta a entidade.

Para Cilene Hester, uma das diretoras da associação, um ganho menos visto dessa movimentação, independente do menor índice deste ano, é a inclusão de pessoas no mercado formal. É um ciclo que age para aprimorar habilidades de quem nunca esteve no mercado, mas que também reaproveita quem já esteve.

“O trabalho temporário acaba sendo uma ferramenta de inclusão social, porque a gente dá muita oportunidade para o primeiro emprego às pessoas que nunca trabalharam, e é uma forma, no caso deles se qualificarem e se inserirem no mercado de trabalho, além dos aposentados e também as pessoas que estão procurando recolocação”, avalia a diretora.

De acordo com a Asserttem, a distribuição setorial das contratações entre os meses de abril e junho deve seguir a seguinte proporção: Indústria (40%), Serviços (30%), Comércio (25%) e outros setores (5%). A relação de distribuição nacional também se reflete ao nível regional, com comércio e serviços liderando as vagas temporárias.

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