Castanha-do-pará tem estabilidade de preços em Belém após alta registrada pós-COP 30

Comerciantes apontam redução em relação ao pico registrado no início do ano, enquanto Dieese avalia que mercado está estabilizado; expectativa é de alta gradual com o fim da safra

Jéssica Nascimento

O mercado da castanha-do-pará apresenta um cenário de estabilidade em Belém neste início de julho, após a forte valorização registrada nos últimos meses. Embora comerciantes do Complexo do Ver-o-Peso relatem que os preços estão menores do que no período em que o quilo chegou a custar entre R$ 190 e R$ 200, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) avalia que os valores vêm se mantendo estáveis em relação aos meses mais recentes.

De acordo com o supervisor técnico do Dieese Pará, Everson Costa, a expressiva alta observada após a COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) deu lugar a um mercado mais equilibrado. Atualmente, segundo ele, o quilo da castanha descascada graúda varia entre R$ 120 e R$ 150, principalmente no Complexo do Ver-o-Peso, onde há maior oferta do produto e possibilidade de negociação. Nos supermercados, os preços também superam os R$ 100 por quilo, em razão da comercialização em embalagens e das diferentes classificações da castanha.

image (Foto: Igor Mota)

Safra amplia oferta e reduz preços

Para os comerciantes, a melhora da safra neste ano contribuiu para a redução dos preços em comparação ao pico registrado anteriormente. O vendedor João Batista Lopes Ferreira afirma que o quilo da castanha, que chegou a custar entre R$ 190 e R$ 200, atualmente é encontrado entre R$ 130 e R$ 140.

"Ela deu uma baixada um pouco. A castanha chegou até R$ 200 o quilo, R$ 190, R$ 200. Agora ela está R$ 130, R$ 140, está variando de preço”, avaliou.

Segundo ele, a principal explicação é o aumento da produção após um período em que a estiagem prejudicou a safra.

image João Batista. (Foto: Igor Mota)

"A safra foi melhor esse ano do que os anos anteriores, devido à estiagem que estava tendo antes”, declarou.

João Batista também explica que os preços variam conforme a classificação do produto. As castanhas dos tipos extra larje, larje, média e pequena custam entre R$ 100 e R$ 130 o quilo, enquanto as quebradas variam de R$ 50 a R$ 80, dependendo se são caseiras ou industriais.

image (Foto: Igor Mota)

Tendência é de alta no segundo semestre

A expectativa entre os vendedores é de que os preços voltem a subir nos próximos meses, acompanhando a redução da oferta com o encerramento da safra.

"Daqui até o final do ano ela vai começar a aumentar devido à safra que já está acabando", prevê João Batista.

O comerciante Rosimar Chaves reforça que esse comportamento é típico do mercado da castanha-do-pará e se repete todos os anos.

"Agora chegou a safra e está mais baratinho, mas a partir de agosto, setembro, ela já começa a aumentar o preço”, disse.

image Rosimar Chaves. (Foto: Igor Mota)

Segundo ele, atualmente a castanha natural é comercializada por cerca de R$ 100 o quilo. Rosimar explica que a oferta diminui durante o período de verão e volta a crescer apenas com a chegada das chuvas, entre dezembro e janeiro.

"Todo ano ela tem essa queda na safra. Depois, quando começa o verão, ela vai sumindo. Só quando volta a chover é que a castanha aparece novamente”, explicou.

image (Foto: Igor Mota)

Apesar da expectativa de aumento gradual dos preços nos próximos meses, a avaliação do Dieese é que, neste momento, o mercado permanece estável

Para Everson Costa, a maior disponibilidade do produto no Ver-o-Peso favorece o consumidor, que encontra mais opções de compra e maior possibilidade de negociação dos valores.

 

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