‘Açaí Bot’: Faepa e Senar lançam curso de operação de robôs para colheita de açaí no Pará
Sistema Faepa/Senar lança curso de operação do Açaí Bot e entrega os primeiros equipamentos, marcando avanço na modernização da cadeia produtiva do açaí.
A colheita do açaí no Pará dá um salto tecnológico com o lançamento do curso de operação de robôs para colheita do fruto, promovido pelo Sistema Faepa/Senar em parceria com a empresa Açaí Kaa. A iniciativa foi apresentada nesta quarta-feira (21), durante cerimônia realizada na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), em Belém.
O evento marcou a entrega dos robôs Açaí Bot e o início da capacitação de produtores e trabalhadores rurais para operar a nova tecnologia, considerada estratégica para aumentar a produtividade, reduzir riscos à saúde dos peconheiros e ampliar o aproveitamento econômico do açaí no estado.
Tecnologia desenvolvida na Amazônia
O Açaí Bot é resultado de anos de pesquisa e desenvolvimento voltados à realidade amazônica. Segundo o mentor de tecnologia do projeto, Reinaldo Santos, o equipamento surgiu para enfrentar um dos maiores desafios da atividade: o esforço físico extremo e os riscos envolvidos na colheita tradicional.
“É um trabalho que foi desenvolvido nos últimos cinco, seis anos. O Açaí Bot foi criado com o propósito de facilitar a vida de quem colhe o açaí hoje e, como efeito colateral, aumentar a produtividade”, explicou.
De acordo com Santos, a tecnologia elimina a necessidade de subir nos açaizeiros, reduzindo acidentes graves e até mortes registradas ao longo dos anos.
“O principal diferencial dessa tecnologia é tirar a penosidade do trabalho. Só retirar esse risco já seria motivo suficiente”, afirmou.
Além da segurança, o impacto produtivo é significativo.
“Uma pessoa poderá produzir o equivalente a 10 peconheiros tradicionais. Isso abre uma nova perspectiva econômica para toda a cadeia do açaí”, destacou.
Gargalo da colheita preocupa produtores
Para os produtores rurais, a mecanização surge como resposta a um problema recorrente: a escassez de mão de obra na colheita. O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Acará, Emerson Menezes, avalia que a tecnologia chega para somar.
“Um dos maiores gargalos hoje é justamente a colheita. Está cada vez mais difícil encontrar mão de obra, e a tecnologia é inevitável, veio só para somar”, disse.
Menezes reforça que o robô não substitui o trabalhador, mas amplia a capacidade produtiva.
“Ele vem para contribuir com o peconheiro, não para tirar o emprego de ninguém. Vai ajudar a colher toda a safra, inclusive aquela parte de 20% a 30% que muitas vezes se perde”, explicou.
Potencial ainda pouco explorado
Durante a cerimônia, o presidente da Faepa, Carlos Xavier, chamou atenção para o enorme potencial do açaí paraense ainda pouco aproveitado.
“Nós só aproveitamos 10% do açaí que produzimos. Os outros 90% estão aí”, afirmou.
Xavier defendeu a agregação de tecnologia e a criação de mecanismos financeiros para fortalecer o setor, citando o exemplo de Minas Gerais com o café.
“Eles têm um fundo privado de R$ 7,5 bilhões para apoiar a cultura do café. Nós precisamos pensar igual e buscar nossas responsabilidades sociais”, pontuou.
Capacitação para um novo futuro no campo
O Sistema Senar/Faepa será responsável por disseminar a tecnologia por meio da capacitação técnica. Segundo o engenheiro agrônomo e coordenador do programa de Assistência Técnica e Gerencial, Celso Botelho, o alcance será amplo.
“Nós trabalhamos com quase 900 produtores de açaí, com 30 técnicos em campo, em mais de 20 municípios. Isso dá uma dimensão imensa”, explicou.
Botelho destaca que os técnicos serão multiplicadores da inovação.
“Vamos levar essa tecnologia para os produtores e também para os peconheiros. Isso vai trazer agilidade, segurança e uma mudança muito grande: sair de um passado difícil para um futuro promissor”, concluiu.
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