Um mês depois, público de Belém revive show de Alceu Valença e celebra 80 anos do artista

Apresentação da turnê no Hangar marcou fãs com música, cenografia e memórias que atravessam gerações

Amanda Martins
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A turnê "80 Girassóis" passou por Belém há um mês e deixou lembranças em quem acompanhou o espetáculo de Alceu Valença de perto. Nesta quarta-feira (1º), o cantor e compositor pernambucano completa oito décadas de vida. Antes da data, o público paraense teve a oportunidade de viver um “presente antecipado”: um show que segue vivo na memória de quem esteve no Hangar naquela noite de 30 de maio de 2026.

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Um encontro com o artista pela primeira vez

Se muitos saíram de lá com uma música favorita na cabeça, a servidora pública Maria Stela Veras voltou para casa também com dezenas de vídeos e fotos no celular. Depois de uma vida ouvindo o artista por influência dos pais nordestinos, ela realizou um antigo desejo: assisti-lo ao vivo pela primeira vez.

"Eu estava em uma expectativa enorme", relembra. Assim que os ingressos começaram a ser vendidos, garantiu o seu. No dia da apresentação, acabou sendo surpreendida por um casal que, por um imprevisto familiar, não pôde comparecer e lhe cedeu um lugar melhor. "Foi muita sorte. Estava em uma boa mesa. Filmei praticamente todas as músicas que ele cantou", conta.

image Maria Stela Veras (Arquivo pessoal)

Segundo ela, as canções de Alceu sempre estiveram presentes dentro de casa. Maria Stela recorda que cresceu em um ambiente marcado pela cultura nordestina, cercada por música, poesia, histórias e pela valorização das raízes familiares.

Memória, família e novas leituras das canções

Com o tempo, as músicas ganharam novos significados. Entre tantas composições, a servidora pública cita “La Belle de Jour”. “Meu filho ainda era bem pequeno e simplesmente adorava essa música. Nós a ouvíamos muitas vezes em casa, e ela acabou se tornando parte de momentos muito especiais de convivência, de risos e de carinho em família. Até hoje ele se lembra disso", conta.

Para Maria Stela, a longevidade da obra de Alceu Valença está justamente na capacidade de dialogar com diferentes gerações. "Ele conseguiu algo raro: criar uma obra profundamente brasileira, especialmente nordestina, mas ao mesmo tempo universal. Suas músicas falam de amor, esperança, liberdade, saúde e alegria, sentimentos que nunca envelhecem”, afirma.

Um compromisso com o artista

Já para a empresária Ana Carolina Cruz, acompanhar um show de Alceu Valença virou um compromisso. Desde a primeira apresentação que assistiu, há quatro anos, decidiu que não perderia mais nenhuma oportunidade de vê-lo ao vivo. Em Belém, a turnê ganhou um significado ainda mais especial ao unir canções que marcaram sua juventude com uma emoção vivida agora sob uma nova perspectiva: a maternidade.

image Ana Carolina Cruz (Arquivo pessoal)

Ela conta que "Morena Tropicana" acompanha sua história desde a adolescência, período em que a canção se tornou tão importante que acabou eternizada em uma tatuagem na nuca. "É uma música que me faz sentir viva, que me deixa feliz e me dá vontade de cantar com toda a minha alma", diz.

Ana Carolina afirma que sempre deixa os shows do cantor renovada e que, desta vez, não foi diferente. Segundo ela, a energia transmitida por Alceu desperta vontade de seguir realizando sonhos. Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi justamente a abertura, quando o pernambucano relembrou a própria trajetória e trouxe relatos sobre a mãe. "Também me tornei mãe recentemente e é impossível não se emocionar quando a gente vê outra mãe falando”, acrescenta.

Uma trajetória acompanhada ao longo das décadas

Para a radialista Lourdinha Bezerra, assistir a um show de Alceu é revisitar diferentes fases da própria vida. Ela calcula ter acompanhado pelo menos seis apresentações do artista ao longo das últimas décadas. A primeira ocorreu ainda nos anos 80, em Olinda, em um palco montado em frente à casa do cantor.

Desde então, diz que cada reencontro reforça uma convicção: "A música não envelhece, prevalece".

image Lourdinha Bezerra e Carlos Eduardo Silva no show de Alceu Valença em Belém (Arquivo pessoal)

Sobre a apresentação em Belém, ela resume: "Ele é um show nos altos de seus oitentão. Cantou todas em um astral, em um ritmo que mistura baião, maracatu e frevo, de uma energia que só quem viveu os anos 80 sabe o que é vivenciar um show do Alceu e nunca esquecerá”.

Saudade e reencontro com Pernambuco

Ao lado de Lourdinha, quem também viveu o espetáculo de forma especial foi o defensor público Carlos Eduardo Silva. Pernambucano e morando no Pará há 19 anos, ele encontrou no show uma oportunidade de revisitar as próprias raízes por meio da música e das referências à cultura popular exibidas no palco e nos telões.

"Consegui matar a saudade porque as músicas do Alceu acompanham minha vida e sempre escuto ele no carro", afirma.

image Carlos Eduardo Silva (Arquivo pessoal)

O momento mais marcante, segundo ele, ocorreu durante "Bicho Maluco Beleza". "Naquela hora me transportei mentalmente para o Marco Zero do Recife no período do Carnaval. Parecia que viajei no tempo lembrando da magia que é viver e cantar na tradicional terça-feira de Carnaval. Alceu e Elba Ramalho são as grandes atrações desse dia”, relembra.

Música que atravessa fronteiras

As músicas do artista também despertaram na universitária Juliana Souza o desejo de conhecer Pernambuco muito antes de visitar o estado. Encantada pela forma como o cantor traduz a própria cultura em versos, ela realizou esse sonho em 2025 e conta que a viagem deu novos significados às canções que a acompanham desde criança.

Quando a turnê veio para a capital paraense, a emoção ganhou outro capítulo quando ouviu, ao vivo, "Dois Animais", sua música favorita. "Ver o Alceu cantando a música que faz parte da minha vida toda foi uma sensação de estar viva que não dá nem para explicar. Foi uma gratidão enorme poder testemunhar isso de perto”, diz.

image Juliana Souza (Arquivo pessoal)
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