Tragédia no universo de Garcia Lorca

"A Casa de Bernarda Alba" retrata momento político e a falta de sororidade entre as mulheres

Bruna Lima, Redação Integrada

O espetáculo “A Casa de Bernarda Alba” do dramaturgo e poeta espanhol Federico Garcia Lorca entra em cena a partir de hoje até o dia 9. E, após um pequeno intervalo, retorna dia 13 e fica até dia 16 de dezembro, em duas sessões diárias, às 18h e 20h, no Instituto de Ciências da Arte (ICA). A direção é das professoras Karine Jansen e Larissa Latif. 


A produção da peça é resultado das atividades letivas dos discentes do primeiro e segundo anos dos cursos Técnico de Teatro, Cenografia e Figurino Cênico da Escola de Teatro e Dança (ETDUFPA) do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

A professora e uma das diretoras do espetáculo, Larissa Latif, explica que esse momento tem a finalidade de os alunos demonstrarem o domínio da técnica de interpretação que absorveram durante o curso. A estética do espetáculo é realista e o método de interpretação usado foi Stanislazsky, dramaturgo que desenvolveu o primeiro método para atores, continua sendo a base para a linha de teatro representativa e realista.

O texto escrito em 1936, poucos meses antes da prisão e morte do autor pelas tropas de Francisco Franco, no início da Guerra Civil Espanhola, é predominantemente formado por personagens femininos e conta a história da família de Bernarda Alba, mulher dominadora que vive com suas cinco filhas, uma governanta e uma criada numa aldeia rural da Andaluzia. Após a morte do marido, Bernarda impõe às filhas um luto rigoroso e sufocante, criando uma atmosfera opressiva que funciona, na dramaturgia de Lorca, como uma metáfora do sistema opressivo que se anuncia.

No universo doméstico retratado, sentimentos como amor, inveja e frustração marcam a vida das personagens ao mesmo tempo em que as diferenças de classe e o lugar da mulher na tradicional e conservadora sociedade espanhola da década de 1930 são esmiuçados numa tensão crescente que explode no desfecho da trama. Considerada pela crítica a mais completa tragédia lorquiana.

“Escolhemos esse texto não apenas pelo momento político em que vivemos, mas também para tratar a falta de sororidade, a falta de companheirismo e as críticas que nos enfraquecem. E o final trágico reforça o quanto a ausência de parceria entre as mulheres é prejudicial”, pontua Larissa Latif.

“A Casa De Bernarda Alba” tem sido objeto de inúmeras montagens em diversos países. Obra atemporal que denuncia a supressão da liberdade, a peça também se destaca pela poesia ímpar do texto de Garcia Lorca, um dos maiores escritores do século XX, comentou a diretora do espetáculo, Karine Jansen

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